segunda-feira, 30 de março de 2015

Curso: Formação Política para Profissionais da Saúde

SEFAM – Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina
Módulo Retórico

19 de Novembro de 2015, no CAMPUS MARUÍPE da UFES, em ColatinaVitória





Curso: Formação Política para Profissionais da Saúde

Introdução e objetivos do curso
         Por que estudar Política se és médico?
         Formação humanística do médico e sua importância na sociedade

Tipologia do poder em geral e do poder do profissional da saúde
         Definição de Poder
         Moralidade do Poder e inevitabilidade de sua presença
         Tipologia geral do poder
         Tipologia do poder médico
         Usos e abusos do poder médico por médicos
         Usos e abusos do poder médico por terceiros

Evolução histórica do poder no Ocidente conforme Bertrand de Jouvenel
         Constantes do Poder: concentração e crescimento
         Dialética do aumento e da concentração do poder
         A dialética do crescimento do poder na saúde

Psicopatia e poder, um estudo de Andrew Lobacewski
         Precedentes Históricos
         Rumos do Brasil de hoje, um cenário preocupante
         O papel irrecusável do médico “humanista”

Política e Filosofia Clássica: Platão e Aristóteles
         O Mito da Caverna e a República
         Ferramentas Aristotélicas para o Estudo da Ação Humana
         Políticas de Interiorização da Saúde no Brasil, Estudo de Caso
         Os Quatro Discursos na Medicina
         A Poética como instrumento de Poder
         A Retórica, a Dialética e a Lógica como Instrumentos de Poder
Estudo de Caso: A Desconstrução do médico brasileiro como racista

Política Medieval: Agostinho, João da Salisbúria e Tomás de Aquino
         Expectativas Transcendentes e Realidades Imanentes
         Eric Voegelia e a Imanentização Escatológica da Política Moderna
         O Sentimento de Ordem e Sentido
         Justiça, Guerra e Política
         O Príncipe clássico

Política de guerra em Sun Tzu e Clausewitz
         Logística de Combate
         Informação no Contexto da Confronto e da Gestão
         O papel do caráter do líder
         Desinformação
         Dividir e Conquistar
        
Política moderna maquiavélica
         A Busca pela Hegemonia e a destruição das elites concorrentes
         Estudo de caso: A ofensiva contra o médico como política hegemônica

Política revolucionária
Marx, Lênin e Stálin: O Comunitarismo revolucionário?
Gramsci, o Príncipe Moderno e a Ocupação das Mentes
A Escola de Frankfurt
Saul Alinski e as Regras para Radicais
Ernesto Laclau e a Busca Contemporânea pela Hegemonia

Política Conservadora e Liberal
Russel Kirk e a Política da Prudência
O Liberalismo Anárquico
Fogo contra Fogo, de Horowitz a Ben Shapiro

A Mentira e o  Segredo como instrumentos políticos
         A Mentira na Política, de Gabriel Liiceanu
         Projetos de Governo antes e após eleições
         Rastreio de reais projetos de governo

A erística de Schopenhauer
         Ferramentas Erísticas
         Exercício prático: Análise de debates

A manipulação psicológica na influência social
         A Medicina como ferramenta de engenharia social
         Formas de manipulação da psique humana
         A Medicina como auxiliar da manipulação social
         A manipulação semântica e psicológica no caso do Infanticídio

Análise dialética contextual, do micro ao macro
            Uso dialético dos resultados políticos

Redes em conflitos na guerra cultural
         Hierarquização da Estrutura de Poder
Redes em Guerra
         A lógica da ocupação de espaços e da derrubada hierárquica
         Rastreio da influência política: agentes, ideias, armas, drogas e dinheiro
         Estudo de caso: o panorama político da América Latina

Consequencialismo em 3 escalas conforme Allenby e Sarewitz
         As 3 Escalas de consequências políticas

Temor, humildade e responsabilidade em Hans Jonas
         O Paradigma da novidade na época contemporânea
         Temor e responsabilidade na política

Valores em Guerra
         Valores em disputa na Medicina
         A Tradição Hipocrática: a Busca pelo Bem
         A Justiça como Fator de reducionismo: o comunitarismo
         A Autonomia como Fator de reducionismo: o liberalismo
         Repercussão dos valores em sociedade

O Exercício do Poder Cultural
         Pensando as três escalas de consequências
         Ações Culturais Estratégicas
         O papel central da Academia na Política

O Exercício do Poder Econômico
         Elos econômicos na política e saúde no Brasil
         O Mais Médicos: Dinheiro, Poder e Hegemonia Ideológica
         Elos econômicos na engenharia social: Aborto e política internacional

O Exercício do Poder Político
         Coroamento de esforços antigos: o caso do Brasil socialista
         Ascensão e queda do socialismo brasileiro?
         O liberalismo e o conservadorismo em ascensão?
         De volta ao poder cultural

Medicina em Sociedade
         Medicina como Política
         Medicina como Ciência
         Medicina como Arte/Técnica
         Medicina como Filosofia de Vida



Metodologia
Exposição Dialogada
Práticas de Elaboração Estratégica e Análise Dialética
Síntese das discussões e propostas de ação

Preletor: Prof. Dr. Hélio Angotti Neto

Coordenador do Curso de Medicina do UNESC (Centro Universitário do Espírito Santo); Coordenador do SEFAM; Membro do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC; Diretor Editorial da Mirabilia Medicinae; Editor Associado da Revista Internacional de Humanidades Médicas. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Conselho Regional de Medicina do ES, do Center for Bioethics and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e da Academia Brasileira de Oftalmologia.



quarta-feira, 25 de março de 2015

Saúde em Cuba: O Outro Lado da História


Saiu no "The Lancet", um dos mais renomados periódicos de Medicina do mundo. Abaixo uma tradução pessoal:

"No passado o Lancet tem publicado Editoriais e Comentários em apoio à situação da Saúde Pública de Cuba sem levar muito em conta a situação política do país. Novamente os Editores fizeram isso no Editorial da edição de 3 de Janeiro do Lancet, apoiando o restabelecimento dos laços diplomáticos entre Cuba e os EUA em questões de saúde pública. No entanto, Cuba vive um regime totalitário que tem silenciado oponentes e prendido e matado líderes da oposição. A perseguição dos dissidentes ainda continua, como pode ser visto no caso da artista Tania Bruguera.

Na saúde pública não podemos esquecer das violações dos direitos humanos dos pacientes com HIV/AIDS no fim dos anos 80 e início dos 90, quando os testes sorológicos eram obrigatórios em Cuba e as pessoas soropositivas eram encarceradas em sanatórios descritos por Jonathan Mann como "belas prisões".

Como afirmado no Editorial do The Lancet, acesso universal ao cuidado com a saúde é uma grande conquista e uma fonte de orgulho para a população cubana. No entanto, o mesmo orgulho é erodido por um governo que pune  criatividade da população cubana e limita o exercício das liberdades civis. Em 2003, durante o que foi chamado de Primavera Negra, dois economistas foram condenados à prisão enquanto documentavam que a saúde pública cubana e a educação já estavam entre as melhores da América Latina antes da Revolução. Em 1958, a taxa de mortalidade infantil era de 33 por mil nascidos vivos, muito mais baixa do que a taxa da Argentina (61), da Costa Rica (89) e do México (80).

O governo cubano manda doutores e enfermeiras para trabalhar na Venezuela e no Brasil por minguados salários enquanto retém a maior parte dos ganhos obtidos pelo trabalho médico.

O uso da saúde pública como um dos principais tópicos do restabelecimento dos elos diplomáticos entre EUA e Cuba é uma boa ideia, como o Editorial e a carta de Anthony Robbins ao Lancet sugere. Mas ainda há outra oportunidade maior: o efeito benéfico da democracia na saúde pública está bem documentado. Se o governo cubano está tão preocupado com a saúde de sua população, deveria considerar seriamente uma transição para a democracia como parte das condições necessárias para uma nova relação com os EUA, não apenas por causa da liberdade em si, mas também por causa da saúde da população cubana."

Octávio Gómez-Dantés
Instituto Nacional de Saúde Pública, Cuernavaca, Morelos, México.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Medicina e Filosofia - Fevereiro de 2015...



No Journal of Medicine and Philosophy de fevereiro de 2015, alguns artigos bem interessantes podem ser vistos.

O primeiro une alguns conceitos de Edmund Pellegrino e Bernard Lonergan em busca de uma autêntica filosofia da medicina.

O segundo foi escrito por Teodora Manea, e relata a experiência da Medicina vivida num regime socialista (Romênia) em meio à desconfiança gerada pelo regime e em meio ao clima de corrupção. Lições históricas importantíssimas que podem ser aproveitadas por nós antes que seja tarde demais. O artigo tem o tema "Medical Bribery and the Ethics of Trust!, e cai como uma luva nesses dias em que o governo brasileiro ataca frontalmente seus médicos e gera a desconfiança e o ódio em meio à população. Vale uma boa reflexão...


O terceiro toca no assunto do aborto e da relação médico-paciente. 

Anne Barnhill e Franklin Miller falam sobre o engano e o uso do Placebo. Jonathan Pugh, no artigo subsequente, defende a moralidade do engano envolvido no uso do Placebo.

Por fim, Tessy Thomas e Laurence McCullough falam sobre uma proposta de taxonomia filosófica acerca do sofrimento moral eticamente significativo.

Boa leitura...

sábado, 7 de março de 2015

PARA COMPREENDER A SI MESMO E AO PRÓXIMO


Sugestão de Leitura: Todo médico precisa compreender o íntimo de seus pacientes, em maior ou menor proporção, de acordo com cada caso. Uma das ferramentas utilizadas no SEFAM é a leitura dos clássicos e de grande obras filosóficas.
Uma leitura capaz de proporcionar a compreensão dos movimentos da consciência humana é a obra de Louis Lavelle, filósofo francês cujo nome foi divulgado no Brasil pelo filósofo Olavo de Carvalho.
Para compreender o sofrimento humano e de que forma pode ser vivido, "O Mal e o Sofrimento" de Louis Lavelle é um excelente adendo a obras já consagradas como "A Morte de Ivan Illich". E estes dois ao lado de diversos outros clássicos enriquecem em muito a capacidade de compreensão do ser humano, adquirida com a vivência ao lado do leito e junto à comunidade.

quinta-feira, 5 de março de 2015

INTEGRIDADE E DIGNIDADE MÉDICA


A ação decisiva da Integridade ocorre justamente no conflito de interesses envolvendo tentações diversas que acometem o médico em sua prática moderna.

Diante de um sutil suborno de um laboratório farmacêutico, cabe dizer não, cabe se afastar e repreender o ofertante malicioso. Aceitar tal influência perniciosa insere um interesse que pode suplantar o interesse primordial: o paciente.

Diante de uma oferta de superfaturar a compra de equipamentos no serviço público ou de realizar procedimentos desnecessários, há de se ter integridade suficiente para se afastar e manter o foco, o médico não pode se perder.

As consequências individuais são funestas. A consciência se apaga e, de uma fraqueza moral inicial, o médico terminará domado, entregue a vontades que superarão sua vocação e deformarão seu caráter.

Na sociedade o resultado da destruição da Integridade Médica talvez seja ainda pior, pois o mal cometido por um indivíduo refletirá no nome de todo o grêmio profissional. Situação muito ilustrativa dos dias atuais no Brasil, onde o governo e a mídia destroem a reputação dos médicos utilizando exemplos decepcionantes de prática corrupta e maligna de alguns maus colegas.

Ao longo de mais de dois mil anos, há incontáveis textos que mostram como os médicos se preocuparam em tentar separar o joio do trigo e, junto com o benefício do paciente, beneficiar a profissão como um todo.

Tal é o papel dos atuais conselheiros dos órgãos de classe como o Conselho Federal de Medicina: proteger o paciente e proteger a honra e a integridade da profissão. Em nenhum momento se deveria esperar que o Conselho protegesse o médico, a não ser de si mesmo e da má prática dos inadequados à profissão. É duro falar isso, mas seria uma verdade óbvia para qualquer um que ainda possuísse um pingo de visão moral.

Fala-se muito em resgate da dignidade médica hoje em dia. Fizemos todos o nosso dever de casa? Exercitamos nossa integridade diariamente e resistimos com fortitude aos pequenos e grandes atos diários de fraqueza moral? Somos um exemplo digno para nossos filhos e colegas?

Ver órgãos de classe brigando principalmente por carreira médica estatal e salários médicos, por mais que seja necessário dentro de certos limites, me entristece. Pedir carreira médica para o Estado é pedir um nó apertado na coleira, é vender nossos valores profissionais aos valores do Estado na medida em que teremos que nos adequar às exigências de pessoas que nem sempre priorizam a saúde do próximo. Uma liderança política nunca, nunca mesmo, dá algo de graça.

Valorização se conquista, como conquistaram nossos antepassados de outras eras a duras penas, com grandes sacrifícios e exemplos imortalizados nos escritos de diversos povos e tempos[1]. Valorização é uma consequência decorrente de um objetivo alcançado, não o próprio objetivo pelo qual se luta.

Se alguém quiser uma dica sobre por onde começar, repito palavras proferidas por alguém incrivelmente mais sábio do que eu: “por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não repara na trave que está no teu próprio?[2]” Se não trabalharmos quem somos, a própria raiz que somos estará apodrecida, e nossa profissão irá merecidamente parar na lama.


[1] JONSEN, Albert. A Short History of Medical Ethics. Oxford, New York: Oxford University Press, 2000.
[2] Mateus 7.3. Bíblia de Estudo de Genebra.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CALL FOR PAPERS - Mirabilia Medicinae 4!


Dear Colleague,

It is truly an honor to reach you for our fourth issue on Medical Humanities, which will be published in the Mirabilia Medicinæ 4 (2015/1). We cordially invite you to submit your manuscript to this issue until June 30, 2015.

Mirabilia Medicinæ is a special supplement of Mirabilia Journal (ISSN 1676-5818).

Mirabilia is a Journal from the Institut d’Estudis Medievals (Universitat Autònoma de Barcelona) and it is indexed in many databases worldwide.

Mirabilia Medicinæ Journal is an online publication that provides articles, documents and academic reviews produced by scholars of the Medical Humanities. Such an area includes studies in Philosophy of Medicine, Bioethics and Medical Ethics, History of Medicine, Medicine and Arts, Narrative Medicine, Literature and other humanistic content in the search for the Modern, Medieval and Ancient roots of contemporary medicine.

The main theme of the fourth issue is “Virtues and Principles in Healthcare”. There will be also space for contributions outside the main theme in the subsection Varia, and I hope you feel comfortable in sending us your article.


Cordially,

Hélio Angotti Neto, MD, PhD
Director of Mirabilia Medicinæ

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Para Escrever Melhor...

Aos alunos do SEFAM e interessados em ingressar na vida acadêmica e em publicar algo, sinto-me obrigado a indicar algumas ferramentas básicas para o exercício da atividade, infelizmente negligenciadas em grande parte no Brasil: Ler e Escrever... Muito.

E antes de ler e escrever, não há como negligenciar outros dois aspectos básicos: escutar e falar!

Por fim, antes de qualquer coisa, é preciso compreender o que é a Vida Intelectual, e para isso indico uma obra que sem dúvida nenhuma será lida mais de uma vez no decorrer da vida: A Vida Intelectual de Antonin-Dalmace Sertillanges. O livro trabalha o essencial para o acadêmico: o caráter e os hábitos.



Para escutar e falar, recomendo um livro de Mortimer Jerome Adler: Como Falar, Como Ouvir. Acredite, hoje em dia desaprendemos as mais básicas normas do falar e ouvir, o que reduz em muito nossa capacidade de entendimento e até de relacionamento. É o que mais fazemos na vida em comunicação, e aquilo para o qual recebemos menos treinamento formal.


E para ler com qualidade, sejam artigos acadêmicos, ensaios, livros de filosofia ou romances, indico o clássico também escrito por Mortimer Adler: Como Ler Livros. Indispensável!


Depois dessas obras iniciais, vão algumas dicas para quem quer escrever. Leia muito e leia coisas boas na área em que deseja escrever. Deseja escrever na área de Bioética? Leia livros originais dos melhores autores do assunto, leia os clássicos milenares que tocam em assuntos similares e leia os artigos das melhores revistas internacionais sobre o tema. E aí mais uma necessidade: Leia em inglês, leia muito inglês! Para quem deseja realmente ingressar na vida intelectual, nacionalismo bocó não tem vez. É preciso ler muito bem o português e aceitar o desafio de ler em diversas outras línguas: francês, espanhol, inglês, etc.

Alguns cursos e escritos sobre como escrever também auxiliam muito. No Coursera, uma plataforma de cursos gratuitos internacionais de grandes universidades, pode ser encontrado um curso sobre como escrever artigos acadêmicos: https://www.coursera.org/course/sciwrite 

E o ideal: encontre alguém que escreva bem e que escreva com rigor, tenha um bom dicionário (físico ou online) e uma boa gramática de consulta e coloque-se à disposição para ser corrigido. Tentar, errar e tentar de novo. Não há fórmula mágica, é preciso humildade, persistência e disciplina. Humildade para escutar quem sabe mais, persistência para não desistir e disciplina para progredir.

No pain, no gain, já diziam os anglófonos. Não há lugar para preguiçosos ou mediocridades. O esquecimento dessas simples e antigas verdades conseguiu deixar o Brasil entre os piores na educação e na academia a nível mundial.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

SUGESTÃO DE LEITURA - Thieves of Virtue: When Bioethics Stole Medicine


A Bioética surgiu lá pelos anos 70 quando ficou claro que a tradicional Ética Médica Ocidental derivada de Hipócrates, da Cristandade e de médicos mais modernos como William Osler, entre outros, não daria conta do recado. Isto é, a tradicional Ética Médica encontrava-se desarmada para lidar com situações postas pelo imenso avanço tecnológico e pelas mudanças culturais. Certo?

ERRADO!

Tom Koch expõe de maneira contundente a fragilidade do véu de silêncio imposto sobre a Ética Médica tradicional por aqueles que denigrem o legado hipocrático e tecem louvores à Bioética contemporânea. O "Mito de Fundação" da Bioética pressupõe como certos alguns elementos não comprovados.

Segundo Koch, as falhas éticas da história recente da medicina se deram justamente por falhas ao seguir a máxima hipocrática, isto é: beneficiar o paciente acima de tudo. Seu livro resgata a prioridade tradicional do médico como salvaguarda para a profissão. O médico não serve a Estados, o médico não serve a mercados, o médico não serve a ideologias... o médico serve ao paciente, em prol de seu bem, compreendido num contexto que pode apresentar variações culturais, mas que mantém um forte componente universalista, como já apontado pelo historiador da Ética Médica e da Bioética Albert Jonsen.

Tom Koch critica a elevação da autonomia ao patamar máximo da Bioética, e denuncia o que chama de "Bioética do bote salva-vidas". Tal Bioética é aquela na qual cabe ao médico seguir o apontamento de filósofos capazes de distribuir as benesses da sociedade de forma racional, ao invés de investir inutilmente na vida de pessoas pouco úteis à sociedade. 

No livro, somos lembrados de que o compromisso do médico não é cortar gastos, economizar ou ser competitivo economicamente. O compromisso é fazer o bem. Somos lembrados também da realidade concreta das pessoas, repleta de fragilidades, limitações e deficiências que superam as abstrações lógicas. Um exemplo clássico de tais abstrações torna-se evidente ao observar artigos que negam o estatuto de pessoas a determinados seres humanos, negando também dignidade à vida humana como princípio.

O ataque ao paternalismo médico é criticado por Tom Koch, que enxerga no termo a encarnação de um grande espantalho, de um falso mito no qual médicos são opressores terríveis. Certo grau de assimetria é óbvio e necessário, pois o médico e o paciente existem justamente por serem diferentes e possuírem diferentes capacidades e papéis. A autonomia completa não passa enfim de uma figura de linguagem, longe de ser um conceito técnico válido e universal.

Tocar no nome de Hipócrates para fazer qualquer outra coisa que não seja criticar a Ética Médica Tradicional é algo complicado nos dias de hoje. Acusações de que tal ética seja moralmente insuportável estão nas bocas de muitos bioeticistas contemporâneos, legisladores do bem alheio e da vocação alheia. Estes são os ladrões da virtude, segundo Tom Koch.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SEFAM em 2015: Planos e Projetos


O Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina terá muitas novidades em 2015, e inicia os projetos para conclusão em 2016.

Os módulos III e IV continuam regularmente no UNESC.

No primeiro semestre teremos a segunda edição do "Bioética em Questão" (http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2015/02/curso-presencial-gratuito-bioetica-em.html), de caráter gratuito e vagas limitadas já preenchidas. Ao fim do módulo será aplicada uma prova de seleção para projetos de Iniciação Científica.

No segundo semestre teremos o módulo IV: Filosofia da Medicina. E iniciaremos os três trabalhos para apresentação no Encontro anual do Center foi Bioethics and Human Dignity (https://cbhd.org/) em 2016, na Trinity International University em Deerfield, Illinois, EUA. Os temas serão:
1 - Transhumanist Cosmovision: Philosophical, Cultural and Historical Analogies;
2 - Medical Humanities Teaching Based on the Aristotelian Four Discourses Theory;
3 - The Redemption of Hippocrates in Clinical Bioethics.

Também no segundo semestre ocorrerá o III Seminário UNESC de Humanidades Médicas, incluindo o I Curso de Formação Política para Profissionais da Saúde (http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2014/11/em-2015-formacao-politica-para.html).

Ficará para 2016, provavelmente, o livro "A Tradição da Medicina", se tudo der certo.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

CURSO PRESENCIAL GRATUITO: BIOÉTICA EM QUESTÃO


O curso tratará de questões fundamentais na área de Bioética, enfatizando o pensamento dialético na resolução e na reflexão de questões polêmicas em nossa sociedade envolvendo a vida, a morte, a saúde e a doença. É dedicado a todos aqueles que se interessam em refletir sobre a realidade vivida e que se dedicam aos cuidados com a saúde humana, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, educadores físicos etc. Também é de interesse para advogados que se dedicam à área do Biodireito, filósofos, historiadores e estudiosos das Humanidades em geral.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

 

17 de março de 2015. 18:00 às 22:00
Ética Médica – Uma breve História do Legado Hipocrático – 4 horas
Prescrições Morais do Juramento de Hipócrates. A Tradição Hipocrática e as questões controversas da Ética Médica. Oponentes da Ética Hipocrática: a crítica de Tom Koch. A Dignidade Humana. O Valor da Vida. A Beneficência como parâmetro máximo. As críticas anti-hipocráticas de Robert Veatch.
Artigo para Estudo: The Hippocratic Oath and Contemporary Medicine: Dialectic Between Past Ideals and Present Reality? (Fabrice Joterrand – Rice University, Houston, Texas, USA – Journal of Medicine and Philosophy, 30, 2005, p. 107-128)

 
07 de abril de 2015. 18:00 – 22:00
Bioética, sua história e seus fundamentos – 4 horas
O surgimento da Bioética e a Ética do Bote Salva-Vidas. A Bioética Global e a Bioética Clínica. A evolução da Bioética e suas Escolas de Pensamento. A Declaração Universal da Bioética. O Principialismo, o Utilitarismo, o Personalismo, a Ética Baseada em Virtudes, a Bioética Feminista e a Ética do Cuidar. Ferramentas para a prática da bioética e a deliberação moral.
Artigo para Estudo: Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos. (Tradução e revisão final sob a responsabilidade da Cátedra UNESCO de Bioética da Universidade de Brasília e da Sociedade Brasileira de Bioética. Tradução: Ana Tapajós e Mauro Machado do Prado. Revisão: Volnei Garrafa)

 
21 de abril de 2015. 18:00 – 22:00
A Vida e a Dignidade Humana.  Clonagem, Eugenia e Transumanismo – 4 horas
Aborto e Homicídio Infantil. Aborto como problema de saúde pública. A história do aborto no ocidente. Aborto no Brasil. O Início da Vida Humana. Pessoa ou não pessoa? Potencialidade e Atualidade no aborto. Clonagem e liberdade. Aprimorar em relação a quem? Quem aprimorar? Questões d eBiodireito e Biopolítica na Clonagem Humana. Responsabilidade e Temor diante das possibilidades de Clonagem. Eugenia nos Estados Unidos, na Alemanha Nazista e na contemporaneidade. Transumanismo e Identidade Humana.
Artigo para Estudo: Moral Transhumanism: The Next Step (MICHAEL N. TENNISON)
 

12 de maio de 2015. 18:00 – 22:00
Eutanásia e o Controle da Morte Humana – 4 horas
Eutanásia, Distanásia e Ortotanásia. Protocolo Groningen. Morte Cerebral. Transplante e Ética Médica. O Direito de Morrer. Cadáver ou Ser Humano? A Dignidade do Corpo?
Artigos para Estudo: After-birth abortion: why should the baby live? (GIUBILINI E MINERVA); Abordagem crítica filosófica, científica e pragmática ao abortamento pós-nascimento (Angotti & Cols.); Brain Death, Paternalism, and the Language of “Death” (Michael Nair-Collins).

 
02 de junho de 2015. 18:00 – 22:00
Pesquisa, Avanço Tecnológico e Ética Médica – 4 horas
Regras para pesquisa no Brasil. Declarações Mundiais sobre Direitos Humanos e Pesquisas Científicas. Princípios e Conflitos em Pesquisa.
Artigo para Estudo: Philosophical Reflections on Experimenting with Human Subjects (Hans Jonas)

 
Participação no Fórum de Discussões pela Internet – 16 horas

 Ao fim do curso será disponibilizada uma avaliação de seleção para aluno de Iniciação Científica, com base em conhecimentos adquiridos durante o curso e em Inglês.


Carga Horária Total: 40 horas

10 Vagas para Acadêmicos de Medicina

2 Vagas para Outros membros da Comunidade Acadêmica ou da Comunidade Externa

Observação: O Curso Presencial é Gratuito.

Local: Sala de Reuniões da Coordenação do Curso de Medicina – Bloco A – CAMPUS I do Centro Universitário do Espírito Santo
Pré-Inscrição: Envie E-Mail para Hélio Angotti Neto
 
Organização: Prof. Dr. Hélio Angotti Neto

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