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terça-feira, 6 de junho de 2017

A TEMPORADA DE CAÇA À CONSCIÊNCIA MÉDICA ESTÁ ABERTA

TEMPORADA DE CAÇA À LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA


Ao que tudo indica, o New England Journal of Medicine (NEJM) tornou-se uma plataforma do bioprogressismo distópico. Ou, como prefiro chamar em algumas situações, da Disbioética.

O famoso NEJM, mundialmente conhecido e citado, virou um local já rotineiro para a defesa do aborto, da eutanásia e da escravidão moral dos médicos.

Se o periódico mantivesse, pelo menos, seu alinhamento político escancarado restrito aos artigos de opinião ou editoriais, seria menos vergonhoso. No entanto, quando se vê um artigo abortista francamente proselitista publicado pelo Instituto Guttmacher sem a cobrança de declaração do óbvio conflito de interesse com a indústria abortista, a conclusão é que o fundo do poço se aproxima.[1]

Seguindo a tendência mais atual da bioética, o periódico dá voz à caça da liberdade de consciência dos profissionais da saúde em artigo publicado no dia seis de abril de 2017, cujos autores são Ronit Y, Stahl e Ezekiel Emanuel.

Ronit Stahl é uma estudiosa das interações entre estado e religião e está ligada à Escola Perelman de Medicina da Universidade da Pensilvânia. Já Ezekiel Emanuel é um famoso bioeticista intimamente ligado à política do Partido Democrata – isto é, do partido esquerdista norte-americano. Ezekiel foi um dos grandes responsáveis pelo Obamacare e possui uma formação acadêmica primorosa, incluindo o grau de médico e filósofo político em Harvard, de Bioquímico em Oxford e de químico no Amherst College.

No artigo, os autores procuram demonstrar que o compromisso com o bem estar dos pacientes em primeiro lugar é incompatível com a manutenção de objeções de consciência por parte dos profissionais de saúde, utilizando como metáfora analogante o alistamento militar obrigatório.

O direito à objeção de consciência está presente nas leis americanas e também nas brasileiras, incluído o Código de Ética Médica em sua última revisão no ano de 2009. Para os americanos, tal direito foi ressaltado nos esforços de guerra e, depois, foi utilizado no contexto da saúde por razões religiosas que se chocaram com o abortismo e outras bandeiras ideológicas das últimas décadas.

Emanuel e Stahl ressaltam os pontos que diferem entre a objeção de consciência na guerra e a objeção na saúde, mostrando como que da permissão de um não se pode concluir a autorização do outro.

Defensores da objeção de consciência na saúde mencionaram “o direito da consciência que é protegido em nossas leis de alistamento” para justificar e legitimar sua posição. No entanto, a objeção de consciência na saúde difere substancialmente da objeção de consciência à guerra. Destacamos as diferenças e argumentamos que, na maioria dos casos, as associações profissionais devem resistir à aprovação da objeção de consciência enquanto prática válida. De forma diferente da de soldados alistados, profissionais da saúde voluntariamente escolheram suas atribuições e, desta forma, tornaram-se obrigados a prover, a executar e a referenciar pacientes para intervenções de acordo com os padrões da profissão.[2]

Realmente há diferenças entre as duas situações. O alistamento é obrigatório a partir do momento em que alguém nasce em determinado país onde tal prática é adotada e imposta sobre a população. Entrar para a escola médica é ato voluntário.

Contudo, há um ponto curioso que não foi abordado. Seja na prática obrigatória ou voluntária do alistamento, uma ordem contraditória aos valores básicos defendidos na vocação militar não pode ser respeitada. Para ser intelectualmente mais preciso, deveríamos comparar talvez quem busca a profissão médica com aquele que busca o alistamento militar: o patriota voluntário. Ambos, numa situação adequada, buscaram a carreira por causa dos valores ali encontrados.

Por exemplo, se um oficial mandar o soldado trair sua pátria, executar um oficial superior ou simplesmente exterminar a própria população pacífica do país em que reside, a ordem será essencialmente considerada uma alta traição aos valores da casta militar e não deverá ser obedecida. Esse é o princípio que regula a objeção de consciência até mesmo para quem procurou ativamente o alistamento militar.  Esse é o ponto chave da questão, conforme já foi apontado desde as antigas culturas fundadoras de nossa civilização: ser fiel aos valores do que realiza.

Há uma lei moral superior sem a qual tudo vira caos e destruição. Essa lei foi, é e deve ser utilizada como parâmetro moral transcendental perante o qual nossas leis devem ser comparadas, por mais subjetivo que isso possa parecer.

Na classe médica, a moralidade comum observada em diferentes povos de diferentes culturas aponta para uma série de valores e virtudes permanentes que fundamentam a boa medicina ao longo dos milênios.[3]

É monstruoso querer suprimir o acesso do indivíduo à esfera dos valores e pregar a destruição de seu direito de realizar objeção de consciência. Isso diminui o ser humano, torna-o um animal destituído de espírito ou consciência.

Da mesma forma que um bom soldado reage negativamente ao ordenarem que traia a sua família, sua pátria ou sua liderança, também os médicos frente à exigência de que traiam sua vocação básica para salvar vidas e promover saúde, quando são chamados para o extermínio da vida e para a desvalorização da experiência humana.

Os autores destacam as características distintivas da objeção de consciência militar:

Objeção de consciência ao serviço militar tem cinco características distintivas: primeiro, é uma objeção ao alistamento vindo do Estado; segundo, se opõe à função indesejada de combatente; terceiro, requer objeção a tudo ou nada, em oposição à objeção seletiva; quarto, submete a sinceridade do objetor à avaliação externa; e quinto, disciplina o objetor ao requerer serviços alternativos ou aprisionamento.[4]

E, em comparação, descrevem os fatores distintivos do que acontece na saúde.

Objeção de consciência na saúde difere da objeção de consciência militar em cinco importantes aspectos: primeiro, é contra uma prática profissional e não contra um alistamento estatal; segundo, ocorre no contexto de uma profissão livremente escolhida; terceiro, permite objeção seletiva contra intervenções profissionalmente aceitas; quarto, aceita objeção sem escrutínio externo; e quinto, protege quem faz a objeção de todas as repercussões e custos. Ademais, objeções em saúde são unilaterais, protegendo apenas aqueles que se recusam a tratar pacientes e não aqueles compelidos a fornecer serviços médicos aprovados, porém politicamente questionados. Em contraste, soldados podem se alistar voluntariamente antes de serem alistados obrigatoriamente, uma prerrogativa que ainda permanece com o serviço militar voluntário.[5]

Há que se concordar com os autores na afirmação de que justificar o direito à objeção de consciência contra o alistamento militar obrigatório não justifica a objeção de consciência do médico que não quer matar seus pacientes. Mas daí não se deve depreender que seja injustificável o segundo caso, deve ser buscada uma situação analogante de melhor qualidade, como eu fiz anteriormente.

Os autores do artigo contra a objeção acusam os médicos de falta de coerência quando se negam a atender aos desejos de seus pacientes que querem matar seus bebês ou cometer o homicídio de seus idosos ou doentes:

(...) o interesse de seus pacientes é o seu interesse primário (afirmam os médicos). A despeito desse posicionamento ético, orientações das sociedades profissionais no que diz respeito à objeção de consciência variam consideravelmente, porém todos tendem a aceitar ao invés de questionar a objeção de consciência no cuidado com a saúde.[6]

Há vários pontos a destacar. Quando um médico realiza objeção de consciência por não querer matar um feto ou bebê, ele enxerga no pequeno humano à sua frente um paciente, um digno exemplar da espécie humana que merece proteção profissional.

Outro ponto é desobedecer à vontade do paciente que deseja morrer. O médico não é um escravo do voluntarismo alheio, há critérios morais a serem protegidos por uma profissão. Cabe ao médico recusar pedidos absurdos e, diante do pedido de extermínio da vida humana, um bom médico com certeza poderá oferecer diversas opções de alívio, conforto ou consolo, sem ter que se transformar num assassino.

Em relação à falta de coerência dos médicos que alegam honrar os melhores interesses de seus pacientes, mas que teoricamente não cumprem suas alegações quando negam o extermínio humano solicitado pelos próprios pacientes, é curioso notar que a defesa de Ezekiel para que se cumpram os interesses do paciente e se mantenha a coerência de caráter subitamente esmorece em seu próprio trabalho intelectual. Ezekiel é conhecido por ir contra os interesses de alguns pacientes ao se colocar claramente em prol do racionamento de recursos médicos, como acusa Wesley Smith.[7] O paciente tem que ser respeitado quando quer morrer, mas deve ser desrespeitado quando quer ser tratado? Coerência é um problema, não é? Principalmente quando se acusa o próximo de não tê-la ao mesmo tempo em que se demonstra ter passado longe dela.

Ou, por outro lado, Ezekiel é coerente sim, principalmente na contenção de despesas entendidas como desnecessárias. Seja ao defender a eutanásia, seja ao defender o racionamento de despesas médicas, a constante é deixar de gastar muito dinheiro com a vida humana. Eis uma bela coerência.

Segundo os autores, quando alguém entra numa profissão, “a pessoa assume uma obrigação profissional de colocar o bem-estar e os direitos dos pacientes no centro da prática profissional.”[8]

Tenho certeza de que ambos, Ronit e Ekekiel, são pessoas muito inteligentes e sabem que uma profissão não consiste em se escravizar pelo bem-estar e pelos direitos alheios, desde os mais justificáveis aos mais arbitrários. Uma profissão se caracteriza por professar valores[9] e, no caso da medicina, a vida humana é um deles. Se quiserem matar “casos sem solução” ou “fetos indesejados”, que busquem os meios legais para isso sem destruir a consciência alheia e criem por sua vez uma profissão de executores profissionais, crentes na destruição da vida humana como recurso válido. Que não venham acabar com o legado médico hipocrático que fundou a nossa boa medicina.

E, como sempre vejo nesses ataques contra a consciência, lá vem o veneno:

Em um contexto profissional, convicções pessoais religiosas são secundárias. Profissionais da saúde não sofreram alistamento obrigatório e, numa profissão livremente escolhida, a objeção de consciência não pode suprimir o cuidado com o paciente. Não importa o quão sejam sinceras, as objeções em tratar classes específicas de pacientes são indefensáveis – independente de serem baseadas em raça, gênero, religião, nacionalidade ou orientação sexual (Código de Ética Médica da Associação Médica Americana [Opinião 1.1.2]). Um profissional da saúde não pode prover serviços para uma pessoa branca e heterossexual e alegar objeção de consciência em prover os mesmos serviços a um hispânico, muçulmano ou LGBT. A objeção em prover aos pacientes as intervenções básicas à prática médica – intervenções que a profissão julga serem efetivas, éticas e padronizadas – é injustificável (Código de Ética Médica da Associação Médica Americana [Opinião 11.2.2]).[10]

Eis uma nada sutil rotulação odiosa implícita numa comparação indevida!
Quem foi que falou em não atender a um paciente por questões sexuais, religiosas ou raciais? Não se fala em escolher quem atender, fala-se em recusar-se a matar alguém.

Mesmo que não se veja ninguém recusando atender a um paciente por essas causas, o veneno foi injetado na corrente sanguínea do leitor. Os mais abestados já imaginam agora um médico espumando de raiva, negando-se a atender a minoria da vez. Subitamente, por um malandro passe de mágica, o médico que honrava sua vocação em prol da vida humana torna-se um potencial discriminador de membros da comunidade LGBT. Entendeu o nexo de uma coisa com a outra? Se tiver miolos, provavelmente você não entenderá, porque não existe.

Comparar objeção de consciência com objeção contra atendimento a hispânicos não pode ser chamado de outra coisa senão “forçar a barra”, é pura picaretagem intelectual, uma analogia desmedida e extremamente artificial.

Um autor que deseja comparar analogias que justificam a objeção de consciência, cobrando alto rigor, deveria seguir os mesmos padrões exigentes ao tecer suas comparações, certo?

Peço desculpas pela pergunta retórica. É claro que é certo. Esse tipo de insinuação vinda dos autores do artigo da NEJM é pura erística de baixo nível.

Por um momento achei até que os autores do artigo figuravam entre os geniais bocós do Imbecil Coletivo, mas recordo agora que são, na verdade, eminentes autoridades internacionais no campo da bioética. Minhas desculpas ao mundo, pois parece a mim que exportamos um estilo nacional bruto em termos intelectuais.

A seguir, complementando a última parte do trecho destacado acima, os autores mandam a seguinte pérola:

A obrigação de tratar uma mulher com risco de rotura tubaria e hemorragia causada por uma gravidez ectópica, por exemplo, mostra que terminar certas gravidezes é claramente um procedimento médico padrão.[11]

Os autores definem um procedimento médico somente pela sua forma, sem considerar um aspecto básico da realidade humana, sua intenção. Essa forma abstrativa de pensar, separando um ato de sua intencionalidade, isto é, de sua finalidade desejada racionalmente, é algo que não se sustenta.

Toda atividade humana possui aspectos ligados ao conhecimento, à técnica e à prática, isto é, à parte ética.[12] Um ato racional possui causa eficaz (quem fez o ato), causa material (com o que foi feito o ato), causa formal (como é feito o ato) e causa final (para que foi feito o ato). Isso não é nenhuma novidade, são as mais que sabidas quatro causas descritas por Aristóteles há cerca de dois mil e quatrocentos anos.

Ofereço um exemplo que ajudará a esclarecer o leitor.

A reposição de eletrólitos e líquidos num paciente desidratado grave pode ser aplicada da mesma forma num paciente hidratado com insuficiência cardíaca e graves alterações de íons séricos. Num deles a vida do paciente é salva; no outro, o paciente provavelmente morrerá. A intenção e a indicação terapêutica adequada são o cerne da questão.

Uma coisa é abortar uma criança para salvar a vida da mãe, prestes a morrer. Coisa diferente é abortar um feto por qualquer outra razão.

Eis o problema do pensamento abstrato. Foge-se da realidade complexa e concreta com o recurso ao pensamento lógico simplificado.

Qual é a solução mágica dos iluminados bioprogressistas abortistas?

Submeta-se à Cultura da Morte ou deixe a medicina de lado. Isso mesmo, médicos que tem a pachorra de se manterem fiéis ao princípio de não exterminar vida humana devem abandonar suas vocações.

Você acha que nasceu para colaborar com a vinda de novas vidas humanas ao mundo? Você quer ser um obstetra na melhor tradição hipocrática e cristã? Só se consentir em assassinar aqueles que deveriam nascer.

Na distopia cruel dos bioprogressistas, que se coloca contra a liberdade de consciência, você é obrigado a seguir a moralidade do Estado, ditada justamente pelos iluminados bioprogressistas em boa parte das vezes.

Profissionais da saúde que não desejam se submeter a tais limites têm duas escolhas: escolher uma área da medicina, tal como a radiologia, que não irá colocá-los em situações de conflito com sua moralidade pessoal ou, se não existe tal área, deixar a profissão. Apelar para a objeção de consciência é rejeitar a obrigação fundamental dos cuidados com a saúde – o dever primário é assegurar o contínuo bem estar do paciente.[13]

Esse discurso contra a liberdade da consciência humana já tornou-se repetitivo no ambiente da bioética. Julian Savulescu e Gianni Vatimo ecoam esse desejo de ver expelido da medicina aqueles que ousam não se reduzir a meros robôs, eficientes executores de ordens estatais ou tecnocráticas, destituídos de alma ou coração.

O legado moral e a proteção da vida são relegados à lixeira histórica. Provavelmente aqueles ridículos médicos hipocráticos, cristãos ou muçulmanos do passado eram retrógrados dementes que não entendiam a beleza do bem-estar e a necessidade de se matar pacientes e fetos.

Essa destruição ou negação cultural normalmente é utilizada com uma descarada distorção de significados. Destruir a objeção de consciência e a vocação, traindo o dever sagrado de proteger a vida, nas palavras mágicas de Ronit e Ezekiel, é manter-se fiel à integridade profissional!

Implícito nessa declaração está a idéia de que não há integridade profissional per se, há apenas convenção social e submissão à decisão da tecnocracia bioética.

Profissionais da saúde trabalham no interior de uma rede de restrições e obrigações legais, institucionais e profissionais; porém, seu compromisso primário com seus pacientes permanece como a responsabilidade fundamentadora dos cuidados com a saúde. Portanto, coletivamente, a profissão determina seus limites – e não os políticos, juízes ou profissionais isolados. Defender a integridade profissional significa limitar a objeção de consciência em intervenções profissionais disputadas e rejeitar as cláusulas de consciência que atingem os pacientes.[14]

Estamos diante de uma horrenda manipulação dos valores de nossa sociedade. Horrenda, porém inteligente e elegante. Com uma suave manipulação lógica e verbal, matar o paciente é manter-se fiel à profissão. Manter-se fiel à profissão é submeter-se aos procedimentos aceitos pela comunidade atual sem considerar o legado de todas as comunidades profissionais na experiência ao longo de dois milênios.

Ouso dizer que a máscara sedutora da disbioética caiu, e as idéias mais autoritárias e desumanizantes são emitidas sem o menor pudor.

No mundo dos tecnocratas da cultura da morte, se você é inútil, indesejado ou não sente nem fornece prazer, a morte é uma boa saída.

Pode-se muito bem concordar com essa visão distorcida do valor da vida humana e achar que tudo o que escrevo não passa de uma estranha moralidade de um passado distante. Pode-se ignorar, ou até mesmo admirar, todas as tragédias presenciadas quando a medicina traiu sua vocação - há gosto para tudo. Contudo, há que se concordar com o fato de que toda essa nem tão nova assim cultura da morte representa uma mudança civilizacional profundamente radical, que desloca completamente a visão antropológica que a pessoa tem de si.

Qualquer um que possua um pouco que seja de prudência, responsabilidade e realismo perante a natureza humana provavelmente concluirá que estamos brincando com fogo, e que estamos a um pequeno passo de destruir a profissão médica.




[1] Veja o comentário sobre isso no artigo “O Extermínio do Amanhã”, quando falo do abortismo em busca de evidências.

[2] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017, p. 1380. Supporters of conscientious objection in health care explicitly referenced “the right of conscience which is protected in our draft laws” to justify and legitimate it. Yet conscientious objection in health care diverges substantially from conscientious objection to war. We highlight the differences and argue that, in most cases, professional associations should resist sanctioning conscientious objection as an acceptable practice. Unlike conscripted soldiers, health care professionals voluntarily choose their roles and thus become obligated to provide, perform, and refer patients for interventions according to the standards of the profession.

[3] ANGOTTI NETO, Hélio. A Tradição da Medicina. Brasília, DF: Editora Monergismo, 2016.

[4] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017, p. 1380. Conscientious objection to military service has five distinctive characteristics: first, it objects to state-mandated conscription; second, it opposes an unchosen combatant role; third, it requires “all or nothing” (as opposed to selective) objection; fourth, it subjects the sincerity of the objection to external assessment; and fifth, it disciplines the objector by requiring the objector to perform alternative service or undergo imprisonment.

[5] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017, p. 1381. Conscientious objection in health care differs from conscientious objection to military service in five important ways: first, it objects to professional practices, not state-mandated conscription; second, it occurs within the context of a freely chosen profession; third, it allows selective objection to professionally accepted interventions; fourth, it accepts objection without external scrutiny; and fifth, it shields the objector from all repercussions and costs. In addition, health care conscience clauses are one-sided, protecting only those who refuse to treat patients, not those whose conscience compels them to provide medically accepted but politically contested care.9,10 In contrast, proponents of war could enlist before being drafted, a prerogative that continues today with the all-volunteer military.

[6] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017. (…) patients’ well-being is their primary interest. Despite this ethical stance, guidance from professional societies regarding conscientious objection varies considerably, but all tend to accept rather than question conscientious objection in health care.

[7] SMITH, Wesley J. Ekekiel Emanuel Attacks Medical Conscience. The Corner – The One and Only. 7 de Abril de 2017. National Review. Internet, http://www.nationalreview.com/corner/446565/ezekiel-emanuel-attacks-medical-conscience

[8] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017, p. 1381. No one is forced to be a physician, nurse, pharmacist, or other health care professional or to choose a subspecialty within their larger field. It is a voluntary, individual choice. By entering a health care profession, the person assumes a professional obligation to place the well-being and rights of patients at the center of professional practice.

[9] Como afirma um dos precursors da Bioética na América Latina: James Drane. PESSINI, Leo; BARCHIFONTAINE, Christian de Paul de. Bioética na Ibero-América: História e Perspectivas. São Paulo: Centro Universitário São Camilo & Edições Loyola, 2007.

[10] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017. In a professional context, personal religious convictions are secondary. Health care professionals are not conscripts, and in a freely chosen profession, conscientious objection cannot override patient care. No matter how sincerely held, objections to treating particular classes of patients are indefensible — regardless of whether the objections are based on race, gender, religion, nationality, or sexual orientation (AMA Code of Medical Ethics [Opinion 1.1.2]).11 A health care professional cannot provide medical services for a white, heterosexual person and conscientiously object to providing the same services to a Hispanic, Muslim, or LGBT person. Objection to providing patients interventions that are at the core of medical practice — interventions that the profession deems to be effective, ethical, and standard treatments — is unjustifiable (AMA Code of Medical Ethics [Opinion 11.2.2]11).

[11] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017. The obligation to treat a woman who is at risk for tubal rupture and hemorrhaging from an ectopic pregnancy, for example, shows that ending some pregnancies is a standard, undisputed medical procedure.

[12] ADLER, Mortimer Jerome. Aristóteles Para Todos. Uma Introdução Simples a um Pensamento COmplexo. São Paulo, SP: É Realizações, 2010.

[13] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017. Health care professionals who are unwilling to accept these limits have two choices: select an area of medicine, such as radiology, that will not put them in situations that conflict with their personal morality or, if there is no such area, leave the profession. To invoke conscientious objection is to reject the fundamental obligation of health care — the primary duty to ensure patients’ continued well-being.

[14] STAHL, Ronit Y.; EMANUEL, Ezekiel J. Physicians, Not Conscripts – Conscientious Objection in Health Care. The New England Journal of Medicine, vol. 376(14), 2017. Health care professionals work within a matrix of legal, institutional, and professional constraints and obligations, but the primary commitment to patients remains the foundational responsibility of health care. Thus, collectively, the profession — not politicians, judges, or individual practitioners — sets its contours. Defending professional integrity means limiting conscientious objection to professionally disputed interventions and rejecting conscience clauses that target patient populations.

domingo, 9 de abril de 2017

OS DEZ MANDAMENTOS DA ESCRAVIDÃO MORAL

OS DEZ MANDAMENTO DA ESCRAVIDÃO MORAL


O USO DA BIOÉTICA PARA OBRIGAR O EXTERMÍNIO DA VIDA HUMANA


Em Genebra, na Suíça, entre os dias 7 e 9 de junho de 2016, um punhado de quinze filósofos e bioeticistas se reuniu para instituir um consenso de 10 pontos para aconselhar governos e instituições profissionais sobre como lidar com objeção de consciência.[1] Entre os nomes constam nomes já conhecidos, como Alberto Giubilini e Francesca Minerva, que publicaram o infame artigo sobre o Aborto Pós-Nascimento,[2] e Ingmar Perrson e Julian Savulescu, os famosos transumanistas que ambicionam um futuro distópico de maior controle sobre a consciência alheia. É claro que o controle, nesse futuro hipotético de super seres humanos adestrados e maleáveis, será regido pela tecnocracia da qual os iluminados bioeticistas fazem parte.[3]

Segundo tais estudiosos[4], eis os 10 mandamentos de como escravizar a consciência dos médicos:

1. As obrigações primárias dos profissionais da saúde são com seus pacientes e não com suas próprias consciências. Quando o bem-estar (ou o interesse, ou a saúde) do paciente está em jogo, as obrigações primárias dos profissionais da saúde normalmente deveriam ter prioridade sobre suas perspectivas morais ou religiosas.[5] 

Sentir-se obrigado com o paciente é uma forma de estar obrigado pela própria consciência, que nos motiva a nos preocuparmos com o paciente. Esse dualismo entre cuidar da própria consciência ou cuidar do paciente é um jogo de palavras que força sobre nossa percepção um dilema completamente equivocado e abstrato, muito distante da realidade concreta do laço terapêutico entre médicos e pacientes.

Outra imprecisão é o uso da palavra bem estar do paciente. Sem moralidade médica objetiva, que bem estar ou interesse deveria o médico prezar? A coisa toda é de uma imprecisão insuportável.

Como tantas vezes acontece em nossa academia, tudo parece um tenebroso jogo de figuras de linguagem que expressam muito mais sentimentos, espantalhos e alertas de perigo do que verdades reais e concretas.

2. Caso haja conflito entre a consciência do profissional e o desejo do paciente por um serviço médico, legalizado e profissionalmente sancionado, o profissional deve se assegurar de que o paciente receberá o cuidado o quanto antes. Quando ocorrer objeção de consciência, deverá encaminhar o paciente a outro profissional que esteja apto a realizar o procedimento. Em situações de emergência, quando o encaminhamento não for possível, ou quando representar um grande fardo para o paciente ou para o Sistema de saúde, os profissionais devem prover o serviço eles mesmos.[6]

Há de concordar que “grande fardo” é um termo um tanto subjetivo e, portanto, sujeito a abusos e distorções. E encaminhar o paciente a alguém que cometerá um ato imoral guarda em si um aspecto de imoralidade. Imagina um médico que se negue a tomar parte no suicídio assistido encaminhando o paciente ao seu executor, com nome e endereço! Se o Estado ou os iluminados tecnocratas desejam colaborar na morte de seus “súditos”, que providenciem uma lista de executores ou carrascos. O ofício é muito antigo, e é muito mais sincero evidenciar o desejo da elite em prover o extermínio daqueles que deveriam proteger do que corromper toda uma classe profissional destinada à defesa da vida e da dignidade humana.

3. Profissionais do cuidado com a saúde que desejarem fazer objeção de consciência quanto à disponibilização de tratamento médico deveriam explicar a lógica por trás de sua decisão.[7]

Fala-se como se um profissional que fizesse objeção de consciência não devesse explicar sempre sua lógica! Mesmo nas condutas mais simples e pouco controversas o médico sempre deve se explicar ao paciente. Elencar isso como objetivo pode passar a impressão falsa e infame de que pessoas que fazem objeção de consciência são irracionais ou não conseguiriam se explicar. É um insulto sutil.

4. No tocante à objeção de consciência, a situação no Reino Unido e em vários outros países ocidentais é indefensável. Praticantes da assistência à saúde podem negar conscientemente o acesso aos serviços seguros, legalmente disponíveis, socialmente aceitos e prescritos por médicos que são exigidos por seus pacientes por qualquer razão que seja. Isso se deve em parte ao ambiente público no qual o profissional escolhe atuar, onde não há cobrança sobre ele para que se demonstre a razoabilidade e a sinceridade da sua objeção de consciência, o que deveria ser cobrado do profissional.[8]

A acusação de que médicos e demais profissionais da saúde tomam decisões arbitrárias, irracionais e inexplicáveis é, na esmagadora maioria dos casos, completamente falsa. Os autores do manifesto falam como se profissionais da saúde fossem criaturas imbecis e arrogantes, que passam o seu tempo a enganar o próximo e criar desculpas esfarrapadas para não trabalhar. É lamentável que este seja o nível de ausência empática que serve de base para criticar o posicionamento favorável à defesa da vida humana. Ainda mais lamentável é que tal discurso seja feito no cerne da bioética que, teoricamente, foi criada para o diálogo empático.

5. Em tais países, as razões oferecidas por profissionais da saúde para objeção de consciência devem ser verificadas por tribunais, que poderiam atestar sua sinceridade, força e razoabilidade em relação a determinados serviços médicos.[9]

A solução proposta do tribunal da consciência é digna de um Estado Orwelliano, característico dos mais terríveis pesadelos distópicos. É um caminho aberto à perseguição ideológica e religiosa, um excelente instrumento para o controle tirânico do cidadão comum. Que grupos de pessoas instruídas proponham isso abertamente parece a mim um assustador sinal de como pessoas inteligentes e professores podem propor as mais estapafúrdias ideias.

6. Legisladores devem assegurar um número suficiente de profissionais sem objeção de consciência em cada região geográfica, para que os pacientes obtenham os serviços desejados em tempo adequado, mesmo que alguns profissionais apresentem objeção de consciência contras prestar tais serviços. Isso implica em que autoridades locais sejam autorizadas a contratar com base no fato de que certos profissionais não farão objeção de consciência.[10]

Se algum país optar por fazer uma lista de executores com o intuito de exterminar seus habitantes, paciência. Chamar isso de assistência médica ou medicina, por outro lado, é altamente questionável desde os tempos de Hipócrates. Outro ponto assustador é a varredura ideológica geográfica, identificando crenças na população e tabulando pessoas conforme sua concordância ou discordância ideológica com a política da elite governante. É um poderoso instrumento de controle das massas com um monstruoso potencial para causar danos.

7. Profissionais da saúde que se recusam a realizar certos atos por objeção de consciência devem ser obrigados a compensar a sociedade e ao sistema de saúde por sua falha em cumprir suas obrigações profissionais em prover serviços benéficos ao público.[11]

Não bastasse o tribunal de consciência proposto, ainda há a sugestão de trabalho comunitário forçado por alegar objeção de consciência, tratando o médico consciente como um tipo de contraventor ou criminoso. A dicotomia entre servir ao Estado ou servir aos ditames da própria consciência em busca da realização profissional também guarda potencial de forte autoritarismo.

8. Estudantes de medicina não devem ser liberados da aprendizagem de procedimentos básicos que considerem moralmente errados. Mesmo que venham a fazer objeção de consciência, ainda deverá ser obrigatório que façam os procedimentos que geraram a objeção em situações de emergência ou em situações nos quais o encaminhamento é impossível ou implica em um grande fardo sobre os pacientes ou o sistema de saúde.[12]

Obrigar alguém a fazer um ato que considera moralmente errado é uma antiga técnica de manipulação mental que leva à dissonância cognitiva. A participação em um ato imoral leva invariavelmente à racionalização do ato mediante a culpa sentida pelo indivíduo. Para proteger sua integridade psíquica, o recurso encontrado muitas vezes é alterar sua forma de enxergar o mundo e suprimir sua moralidade, adaptando-se à imposição externa.[13] A proposta apela para eventos que, se concretizados, realizarão uma verdadeira lavagem cerebral na população, dobrando todos perante o deus Estado.

9.Profissionais da saúde deverão ser educados a utilizar formas padronizadas de argumentos legais, éticos e profissionais para identificar e fundamentar suas objeções.[14]

À primeira vista, parece uma singela e resignada concessão. Mas impor uma linguagem vai muito além de fornecer meios para se justificar, é a mais útil forma de manipular a realidade subjetiva daquele que utiliza os símbolos verbais propostos. Toda a sequencia de obrigações nada mais é do que um perigoso instrumento de controle travestido de boas intenções bioéticas em relação às pobres pessoas que querem morrer ou abortar seus filhos e são cruelmente impedidas pelos médicos malvados que defendem essa coisa obsoleta chamada vida humana.

10. Profissionais de saúde também devem ser educados para que reflitam sobre a influência de erros cognitivos em suas objeções.[15]

O que esses iluminados querem dizer com a palavra educação e com a proposta de mostrar erros de pensamento é algo provavelmente mais assustador do que reconfortante. Todos esses dez mandamentos cheiram a nada mais do que uma tosca manipulação social e intelectual maquiada com a agradável tinta da tolerância sobre a frágil casca do bom mocismo.

Nossos iluminados engenheiros sociais da Bioética faturam pesado para descobrir novos meios pelos quais nos tornaremos seus escravos. Estou falando de centenas de milhares de dólares para pequenos grupos discutirem o que devemos ser e pensar.[16] Como já dizia Tom Koch, alguns vivem de deliberar sobre o trabalho e a virtude alheia,[17] produzindo pouca coisa de real valor, no fim das contas, se é que não induzem a perigosos erros. Acrescento um velho adágio às deliberações acadêmicas desses iluminados tecnocratas que brincam com os valores e com a liberdade: por que, ao invés de encherem a cabeça alheia de besteiras perigosas, não vão capinar um bom terreno para serem realmente úteis à humanidade?





[1] CONSENSUS STATEMENT ON CONSCIENTIOUS OBJECTION IN HEALTHCARE. Practical Ethics. Ethics in the News. University of Oxford. 29 de Agosto de 2016. Internet, http://blog.practicalethics.ox.ac.uk/2016/08/consensus-statement-on-conscientious-objection-in-healthcare/

[2] Como já tratei em meu livro: ANGOTTI-NETO, Helio. A Morte da Medicina. Campinas: Vide Editorial, 2014.

[3] Como já discutido em artigo publicado no Academia Médica: ANGOTTI NETO, Helio. O Transumanismo e a Revisão do Conceito de Distopia. Academia Médica. 13 de junho de 2016. Internet, https://academiamedica.com.br/distopia-revisitada/

[4] Angela Ballantyne (Otago University), Robert Card (State University of New York, Oswego and University of Rochester Medical Center), Steve Clarke (Charles Sturt University), Katrien Devolder (University of Oxford), Thomas Douglas (University of Oxford), Alberto Giubilini (University of Oxford), Jeanette Kennett (Macquarie University), Sharyn Milnes (Deakin University), Francesca Minerva (University of Ghent), Maurizio Mori (University of Turin), Christian Munthe (University of Gothenburg), Justin Oakley (Monash University), Ingmar Persson (University of Gothenburg), Julian Savulescu (University of Oxford), Dominic Wilkinson (University of Oxford).

[5] Healthcare practitioners’ primary obligations are towards their patients, not towards their own personal conscience. When the patient’s wellbeing (or best interest, or health) is at stake, healthcare practitioners’ professional obligations should normally take priority over their personal moral or religious views.

[6] In the event of a conflict between practitioners’ conscience and a patient’s desire for a legal, professionally sanctioned medical service, healthcare practitioners should always ensure that patients receive timely medical care. When they have a conscientious objection, they ought to refer their patients to another practitioner who is willing to perform the treatment. In emergency situations, when referral is not possible, or when it poses too great a burden on patients or on the healthcare system, health practitioners should perform the treatment themselves.

[7] Healthcare practitioners who wish to conscientiously object to providing medical treatment should be required to explain the rationale for their decision.

[8] The status quo regarding conscientious objection in healthcare in the UK and several other modern Western countries is indefensible. Healthcare practitioners can conscientiously refuse access to legally available, societally accepted, medically indicated and safe services requested by patients in practice for any reason. This is in part due to the cost-free environment in which practitioner choice of service occurs, and in which the practitioner bears no substantive burden of proof. The burden of proof to demonstrate the reasonability and the sincerity of the objection should be on the healthcare practitioners.

[9] Accordingly, in such countries, the reasons healthcare practitioners offer for their conscientious objection could be assessed by tribunals, which could test the sincerity, strength and the reasonability of healthcare practitioners’ moral objections to certain medical services.

[10] Policy makers should ensure that in any geographical region there is a sufficient number of non-conscientious objectors for patients to obtain the medical services they need in a timely manner even if some healthcare practitioners conscientiously object to providing that service. This implies that regional authorities, in order to be able to provide medical services in a timely manner, should be allowed to make hiring decisions on the basis of whether possible employees are willing to perform medical procedures to which other healthcare practitioners have a conscientious objection.

[11] Healthcare practitioners who are exempted from performing certain medical procedures on conscientious grounds should be required to compensate society and the health system for their failure to fulfil their professional obligations by providing public-benefitting services.

[12] Medical students should not be exempted from learning how to perform basic medical procedures they consider to be morally wrong. Even if they become conscientious objectors, they will still be required to perform the procedure to which they object in emergency situations or when referral is not possible or poses too great a burden on patients or on the healthcare system.

[13] BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo. Campinas, SP: Vide Editorial, 2013.

[14] Healthcare practitioners should be educated to use a framework of decision-making incorporating legal, ethical and professional arguments to identify the basis of their objection.

[15] Healthcare practitioners should also be educated to reflect on the influence of cognitive bias in their objections.

[16] Como pode ser checado no portal do “Centre for Applied Philosophy and Public Ethics: An Australian Research Council Special Research Centre.” Sob o título “Research Grants: Current National and International Competitive Research Grants Awarded To Centre Members.” Lá consta a verba de US$333.300,00 destinada ao estudo da consciência e da objeção de consciência nos cuidados com a saúde, cedida pela ARC Discovery Grant para os bioeticistas S. Clarke; J. Kennett e J. Savulescu, entre 2015 e 2017. Internet, http://www.cappe.edu.au/research/research-grants.htm e http://www.cappe.edu.au/research/conscience-and-conscientious-objection-in-health-care.htm

[17] KOCH, Tom. Thieves of Virtue: When Bioethics Stole Virtue.Cambridge, Massachussets; London, England: The MIT Press, 2012.