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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

O SAUDOSO TRIVIUM E A RETÓRICA MÉDICA

A formação de uma intelectualidade real é dever da atual geração
Em sua aula de número 503 do Curso Online de Filosofia[1], Olavo de Carvalho relembra um artigo escrito em 1999, sobre os equívocos de um dos muitos imbecis coletivos daquele momento. Nesse artigo, Olavo explica o be-a-bá do que é o Trivium e o Quadrivium e a sua importância para a formação intelectual.[2]
Trivium é a antiga metodologia que iniciava o neófito na vida intelectual por meio do ensino da Gramática, para depois avançar pela Lógica e alcançar a Retórica.[3]
Nessa aula 503 do curso online semanal, que começou em 2009, Olavo de Carvalho explica que há um atual dever de se colocar contra a falsa intelectualidade que vive de pompa e circunstância e carece de real conteúdo cultural e moral. Segundo ele, cabe à atual geração preencher a lacuna criada pelas hostes de imbecis coletivos que utilizaram por décadas sua inteligência para tornar cada vez mais burro e incapaz o ambiente. Aliás, este contexto de incapacidade é o que há de melhor e mais conveniente para que falsos intelectuais possam transmitir a imagem de erudição e pertinência que tanto gostam de emular. Tudo corria muito bem, obrigado, até o momento em que Olavo lançou seu Imbecil Coletivo nos anos noventa, implodindo a credibilidade dos grandes “luminares” da Academia brasileira e expondo o cenário geral de hipocrisia e inépcia.[4]
Fontes para bons estudos não faltam, mesmo que seja difícil encontrar bons mestres contemporâneos. Logo, não há desculpas para quem sinceramente queira se aprimorar intelectualmente. Por aí estão os grandes mestres de todos os tempos, desde Aristóteles[5] e Quintiliano até os muito mais contemporâneos Mortimer Adler e Chaim Perelman. 
E também há que se estudar a erística, isto é, a arte de argumentar trapaceando por meio de recursos psicológicos. Afinal de contas, vivemos no Brasil, se é que o leitor me entende, e expressiva fração da Academia não passa de macaqueação maliciosa. 

Novas e Antigas Bases para uma Educação Liberal
Hoje, segundo Olavo de Carvalho, a retórica poderia ser estudada como uma ciência da comunicação, unindo o clássico estudo da pessoa, do discurso e da audiência ao estudo das novas informações baseadas em neurociências, por exemplo, formando um rico cenário científico e cultural. Contudo, tal estudo não se faz presente nos currículos brasileiros e, ousaria dizer, tampouco se encontra na enorme maioria dos currículos mundo afora.
E antes mesmo de se aprofundar na retórica, seria necessário adquirir a adequada bagagem cultural para realizar uma boa interpretação textual, em outras palavras, seria necessário deixar o analfabetismo funcional que assola o Brasil para trás.
Tal capacidade interpretativa seria justamente a manipulação dos signos e símbolos, elementos básicos da cultura. Signos seriam todos os elementos representativos da realidade que nos chegam pelos sentidos e são trabalhados pela imaginação. Significados seriam justamente as explicações verbais desses signos, isto é, símbolos que explicam outros símbolos com o intuito de torna-los permeáveis à nossa inteligência. Por fim, para completar a tríade semiótica, existem os referentes, que são justamente aquelas coisas às quais se referem os signos.
Um cientista, um médico ou um escritor destituído de cultura, isto é, desprovido de um rico arsenal simbólico e da capacidade de interpretar tal arsenal, torna-se um idiota, subespécie de analfabeto funcional incapaz de tocar os referentes por meio dos signos presentes na realidade.
Com um rico imaginário povoado de símbolos expressivos capazes de transmitir apreensões verídicas e complexas da realidade, o médico pode ousar compreender o contexto de vida e a história de seus pacientes como pessoas concretas que são. E com tal capacidade, surge de forma qualificada o substrato que poderá ser trabalhado pela boa retórica que, segundo Aristóteles, é a arte de defender o que é justo.
Quando olhamos os currículos médicos e os perfis de egresso atuais – meras cópias das Diretrizes Curriculares, por sua vez produzidas durante o governo do Partido dos Trabalhadores no Brasil para promover um programa de trabalho escravo internacional (Programa Mais Médicos para o Brasil) e repassar dinheiro à ditadura cubana dos Castros –, o que se observa é a justa descrição da necessidade de humanizar a assistência à saúde e promover o ensino de uma comunicação eficaz entre médico e paciente desde a graduação. O grande problema está justamente no como fazer isso.
Quantos professores médicos estudaram não somente a retórica de Aristóteles, mas a Instituição Oratória de Quintiliano e acrescentaram a tudo isso as lições contemporâneas de Perelman e Mortimer Adler? E quem uniu isso tudo ao estudo da Teoria dos Jogos e dos estudos mais recentes de como respondemos a tentativas de manipulação? Quantos professores médicos estudaram a erística descrita por Schopenhauer e os automatismos trabalhados pela Programação Neurolinguística? Ouso dizer que alguns o fizeram, mas não o suficiente para educar de forma minimamente adequada os mais de 30.000 alunos que em breve serão formados por mais de 300 escolas médicas em todo o país.[6]
Apelar para professores da área de humanas tampouco resolve o problema, pois carecem da real vivência junto aos pacientes e seus problemas. Por mais que possam ajudar, não seriam totalmente eficazes em educar uma nova geração de médicos para o ato médico integral. Ademais, uma fração expressiva desses professores não médicos da área de estudos humanísticos encontra-se devotada a projetos ideológicos revolucionários que pouco acrescentam ao bem do paciente, isso quando não são completamente deletérios para a saúde física e mental da humanidade.
E creiam, há sim a necessidade de estudos sérios sobre comunicação e sobre seu uso eficaz e correto, pois como diria Marcos Fábio Quintiliano,
VI. 1. Há também regras próprias para fala e as próprias para quem escreve. A linguagem fundamenta-se num sistema, no tempo, na autoridade e no uso. A analogia e às vezes também a etimologia sustentam o sistema. Certa grandeza antiga e, para dizê-lo assim, uma religiosidade lhe conferem valor.
2. A autoridade costuma ser buscada junto aos oradores e aos historiadores (...): quando na eloquência seguem em vez do sistema, a alternativa dos maiores expoentes, ou ocorre o desvio honesto de acompanhar os grandes mestres.[7]
Isso tudo aponta para o pré-requisito de um bom estudo da retórica: uma aprendizagem profunda da lógica, da dialética e da poética (gramática, conforme os estudiosos do Trivium). Na poética, incluindo as grandes narrativas culturais, estarão presentes os exemplos dos grandes mestres da linguagem e da comunicação.

O Valor de uma Educação Liberal na Medicina
Sem esse arcabouço intelectual, como pode o médico lograr sucesso na compreensão do paciente que está à sua frente pedindo ajuda? Como poderá o médico realmente convencer e educar com qualidade seu paciente, vencendo as barreiras culturais e educacionais? Como poderá promover o bem por meio da linguagem, pois como diria Aristóteles, a retórica é “útil porque a verdade e a justiça são por natureza mais fortes que os seus contrários”.[8]
Nas palavras do filósofo Olavo de Carvalho,
A verdade está nas coisas e fatos. Mesmo não dita, ela nos fala. Já a mentira existe somente na voz humana e pela força da voz humana. Daí a necessidade de gritá-la e repeti-la sob mil formas variadas, revesti-la da autoridade do número, reforçá-la pelo poder do dinheiro e, pelo tom de coisa respeitável, dar-lhe ares de ciência certa.[9]
A verdade dos fatos aliada à uma intelectualidade treinada para sondá-la e um treino discursivo adequado para transmiti-la compõem a essência de um bom discurso retórico, capaz de desmascarar as mais elaboradas falsidades e injustiças.
Se os amargurados relativistas vierem contra argumentar falando mal da retórica, devolve-se a eles a defesa do próprio Aristóteles:
E, se alguém argumentar que o uso injusto desta faculdade da palavra pode causar graves danos, convém lembrar que o mesmo argumento se aplica a todos os bens exceto à virtude, principalmente aos mais úteis, como a força, a saúde, a riqueza e o talento militar; pois, sendo usados justamente, poderão ser muito úteis, e, sendo usados injustamente, poderão causar grande dano.[10]
É claro que a enorme maioria dos médicos aprende a se comunicar na forja da vida, nas inúmeras vivências ao lado de mestres e pacientes. Contudo, tal vivência qualificada e tornada agudamente consciente por meio da cultura, pode intensificar a aprendizagem de uma comunicação realmente eficaz em muito menos tempo, com muito mais qualidade. Eis um papel educacional das Humanidades Médicas que faria muito bem à nossa geração de professores e aprendizes médicos.

Hélio Angotti Neto
27 de janeiro de 2020
Brasília, DF


[1] CARVALHO, Olavo de. Curso Online de Filosofia Aula 504. 25 de janeiro de 2020. Internethttps://www.seminariodefilosofia.org
[2] CARVALHO, Olavo de. “Falsíssimo Veríssimo”. Internethttp://olavodecarvalho.org/falsissimo-verissimo/
[3] JOSEPH, Irmã Miriam. O Trivium. As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica. São Paulo, SP: É Realizações, 2002.
[4] CARVALHO, Olavo de. O Imbecil Coletivo. Atualidades Inculturais Brasileiras. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2018.
[5] ARISTÓTELES. Retórica. São Paulo, SO: WMF Martins Fontes, 2012.
[7] QUINTILIANO. Instituição Oratória. Tomos I a IV. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2015, p. 127.
[8] ARISTÓTELES. Retórica. São Paulo, SO: WMF Martins Fontes, 2012, p. 10.
[9] CARVALHO, Olavo de. Publicado em rede social no dia 25 de janeiro de 2020 (Facebook).
[10] ARISTÓTELES. Op. cit., p. 11

sábado, 7 de julho de 2018

O DESPREZO DO MÉDICO PELA FILOSOFIA

O DESPREZO DO MÉDICO PELA FILOSOFIA


Por que tantos médicos desprezam a filosofia?
Estava em uma aula daquelas de final de semestre, quando a maioria dos alunos aprovados já partira para suas casas. À frente restava apenas a prova de recuperação, na qual haveria matéria de todo o semestre, incluindo um conteúdo de minha responsabilidade sobre a história da filosofia moral e suas repercussões sobre a Ética Médica e sobre a Bioética.
Foi nesse momento que fui interpelado por uma aluna que, com muita sinceridade, disse que não via tanta importância em saber o nome e as ideias daqueles filósofos esquisitos de séculos atrás (ela não usou o termo esquisito, mas que muitos desses filósofos são esquisitos, são). 
Minha resposta foi a de que era mortalmente importante. Também respondi que o desconhecimento de nossa classe profissional acerca do mundo das ideias era uma das causas de nossa alienação e da destruição dos nossos valores mais profundos, destruição esta testemunhada dia após dia. Eis a expressão que eu utilizara: “não fomos jogados na latrina da sociedade à toa”.  
De fato, somos todos governados pelas ideias de filósofos há muito enterrados; a vida dos vivos é regida pelas ideias dos mortos. A inconsciência dessa realidade condena muitos a permanecerem na ignorância e na vida destituída de profundas reflexões, tão necessárias em tempos de crises, por mais dolorosas e assustadoras que sejam.
Contudo, a consciência dessa necessidade de mergulhar nos conhecimentos humanísticos não é tão imediata assim. 
Muitos médicos e alunos de medicina desprezam completamente o esforço filosófico porque consideram-no inútil ou irrelevante. Médicos costumam questionar o que a filosofia teria a oferecer a um empreendimento tão pragmático quanto a arte de curar e aliviar. 
Outros acusam a filosofia, ou pelo menos a sua forma acadêmica tal qual disseminada no Brasil e em diversos países, de ser uma forma de ideologização da medicina ou de outras profissões, ao tentar transformar tudo e todos em meros peões de um jogo político.
Ainda há os que acusam a filosofia de ser um empreendimento para ociosos, atraindo pessoas que não têm coisas melhores para fazer e ocupam a mente com tais nulidades.
Por fim, há aqueles detentores de maior cultura histórica e que acusarão a filosofia de ter parido grandes crimes, horrores e distorções, mesmo dentro de profissões específicas como a medicina. 
Cada ponto apresentado não deixa de ter um pouco de razão, e pretendo discutir todos. Pois, de cada um, pode-se tirar algo de bom, belo, justo e verdadeiro a respeito do empreendimento filosófico que sustenta toda a busca pelas humanidades médicas e fundamenta a discussão contemporânea em Bioética e Ética Médica.



A filosofia é inútil?
Talvez devêssemos começar definindo o que é filosofia e o que não é, ou quem é filósofo e quem não é, como diria Olavo de Carvalho. Contudo, prefiro deixar a definição de filosofia para o final, abordando antes diversas acusações contra a filosofia que nos ajudarão a delimitá-la melhor.
A primeira acusação é, sem dúvida, a de inutilidade. Muitos diriam que a filosofia não cura conjuntivite viral, tampouco opera um apêndice inflamado. Estão certos neste sentido. A filosofia é um empreendimento inútil, sob certa perspectiva. Ademais, essa acusação nem é tão recente assim; é uma das mais antigas afirmações, pelo menos ao analisar um de seus ramos principais, a metafísica.
Com a filosofia eu não prego um quadro na parede, construo uma casa ou posiciono um dreno de tórax no paciente grave. Porém, é junto com a filosofia que surgem as impressões artísticas e as vivências que inspirarão as obras de beleza que serão gravadas em quadros pendurados nos lares ou museus, ou inspirarão as memórias gravadas em livros que definirão e inspirarão os rumos de toda uma civilização.
A filosofia é uma perspectiva de vida ou uma forma de enxergar o mundo, neste último sentido.
É de concepções filosóficas sobre o que é uma boa vida em sociedade que surgem estilos arquitetônicos que ditarão como construir prédios, casas e monumentos.
É de concepções filosóficas que surgirão as formas pelas quais enxergamos o ser humano e compreendemos fenômenos que denominaremos saúde, doença, morte, vida ou cura.

A filosofia é irrelevante?
Entre os estudantes de medicina, é muito comum ouvir o questionamento quanto à relevância dos estudos filosóficos. Qual a importância da filosofia diante da óbvia necessidade e importância de se estudar anatomia humana?
Já o profissional inserido no mercado de trabalho encontra-se ocupado demais em ganhar o pão de cada dia para perder tempo com essa tal de filosofia.
Para quase todas as pessoas há uma concepção de que filosofar é complicar o óbvio, criar problemas onde não há, tornar complexo o que é simples. Diriam que é um tipo de verniz intelectual: bonito, mas não relevante.
É claro que o verniz tem sua relevância! Assim como a filosofia.
Uma boa prática filosófica qualificará as demais práticas humanas. É com filosofia de boa qualidade que se participa com eficiência e consciência dos meios culturais e políticos da sociedade. É com boa filosofia que se evita a transformação das coisas simples em coisas loucas, muitas vezes impulsionadas pela ideologia porca, chamada por alguns pelo mesmo nome do amor à sabedoria, mas tão distante na prática.
Um pensamento tosco pode levar o médico a renegar a vocação de sua profissão e abraçar a cultura da morte, por exemplo. A ausência de formação filosófica pode levar qualquer um à alienação política e cultural que, com o tempo, destruirá sua prática profissional enquanto implode toda a ordem social a seu redor. Sem os melhores instrumentos reflexivos, o pensamento e a ação serão superficiais e ineficazes, cabendo ao indivíduo o papel de marionete nas mãos dos piores e dos incompetentes.
A filosofia é extremamente relevante, eu diria, para todas as pessoas em todas as situações.

A medicina é ideologizada pela filosofia?
A filosofia seria um instrumento ideológico? Muitos ressentem do uso daquilo que chamam de filosofia ao observarem a ideologização tosca da medicina, cada vez mais invadida pelos discursos de guerra de classes, ódio social e radicalismos políticos, ao mesmo tempo em que se ameaça de morte a cosmovisão hipocrática e cristã que fundamentou dois mil anos de boa prática médica.
Temem a medicina fascista e socializada. E com razão!
Médicos já juraram seguir acima de tudo a Revolução (como na União Soviética) ou o Reich (na Alemanha nazista) e os resultados trágicos devem ser lembrados para sempre.
Nesse temor, enxergam o empreendimento filosófico como um perigoso cavalo de Tróia. Porém, se tomarmos filosofia pelo seu sentido socrático, só poderemos evitar a destruição ideológica das profissões ligadas à saúde justamente por meio de uma filosofia adequada, hoje mais necessária do que nunca para combater os sofismas que ameaçam a inteligência humana e seu acesso à realidade. 
A filosofia desenvolverá a capacidade de enxergar através da cortina de fumaça que nos cerca: jogos de palavras e toscas manipulações sedativas. Com a boa filosofia pode-se discernir com qualidade e competência o melhor caminho a seguir e os piores erros a evitar.
É uma filosofia política pujante que permitirá, por exemplo, ao médico e aos demais profissionais da saúde, realizarem seu verdadeiro potencial benéfico para a sociedade.

A filosofia é para aqueles que não têm o que fazer?
É verdade que é necessário um pouco de tempo ocioso para que haja filosofia. Quem não consegue tempo suficiente para uma rotina de estudos, meditação reflexiva, prática e expressão da filosofia não terá sucesso em filosofar.
Muitos usam isso como desculpa para não o fazer. Erram, pois, de regra, gastam enormes quantidades de tempo naquelas baboseiras que somente uma sociedade do espetáculo como a nossa consegue oferecer. Quer tempo para estudar? Desligue a televisão e busque informações somente em veículos confiáveis; é um bom começo. Restrinja o tempo nas redes sociais digitais. Leia. Medite. Escreva. E leia um pouco mais. 
Pessoalmente, creio que a filosofia é justamente para aquelas pessoas extremamente ocupadas. Pessoas para as quais cada minuto é precioso e demanda o máximo de atenção, esforço e carinho pelo que se faz. 
Os momentos de ócio dedicados ao pensamento elevado da filosofia devem ser entremeados pela ação prática e bem pensada no mundo, onde as lições obtidas na profunda reflexão solitária serão exercitadas e gerarão os frutos que comprovarão o acerto nos estudos e reforçarão o caráter do filósofo.
De regra, nosso problema não é falta de tempo ocioso. É como ocupamos nossa excessiva ociosidade contemporânea, é como hierarquizamos nossas atividades cotidianas.

A Filosofia é fonte de problemas.
Eis outra verdade parcial. Há filosofias capazes de destruir a vida humana ou um empreendimento profissional como a medicina.
Já falei um pouco do potencial destrutivo da filosofia ruim ao tratar de ideologia, mas algumas observações ainda cabem.
Uma boa medicina, analisada por meio de uma filosofia adequada, demandará uma cosmovisão bem específica, o que tem sido um dos principais objetivos dos diversos textos sobre a filosofia da medicina que tenho produzido: o esclarecimento da cosmovisão hipocrática e cristã da medicina para que o imaginário profissional seja reconstruído das cinzas que restaram do desmanche civilizacional contemporâneo de nossa cultura.
A medicina precisa de uma boa filosofia para sobreviver. Temos sempre a tendência de hipervalorizar nossos problemas contemporâneos, mas creio que o último século foi realmente o mais perigoso para a cosmovisão médica hipocrática e cristã, no qual visões perigosas atacaram de forma mais pertinaz e de diferentes perspectivas.
Hoje há filosofias comunitaristas, socialistas, egoístas, liberais e transumanistas contra a velha e mal falada visão hipocrática. Cada forma de ver o mundo oferece diferentes perspectivas sobre quem é o ser humano e, consequentemente, sobre qual é o papel da medicina. Nesse oceano de impropérios que nos cerca, uma boa filosofia é essencial para manter o leme rumo ao caminho certo. A filosofia pode ser a fonte de problemas ou a ferramenta ideal para os combater.

O contato com a realidade
Boa parte da filosofia moderna nega ao homem a capacidade de conhecer a realidade como ela é. O indivíduo teria acesso, segundo dita o mainstream da filosofa moderna, somente às suas impressões subjetivas. Por mais elegante que seja anunciar esse ceticismo gnosiológico nos tempos atuais, deve ficar claro que afirmar a incapacidade humana de conhecer a verdade é uma forma grosseira e simplória de pensamento. Também deve ficar claro que esse ceticismo subjetivista é incompatível com a boa medicina.
Imagine um médico que realmente fosse cético e subjetivista nesse sentido filosófico moderno ao estilo de Kant. Agora imagine esse médico auscultando uma bulha cardíaca. Ele estaria percebendo uma sensação própria que não quer realmente dizer que escuta essa bulha cardíaca em si. É um tipo de fenômeno que misteriosamente e inexplicavelmente está ligado a outra subjetividade – a do paciente – e que gera compreensões subjetivas capazes de gerar ações que auxiliarão o paciente. Ou pelo menos o médico em sua subjetividade acha que o diagnóstico de suas próprias sensações alcançou e beneficiou o paciente por meio de sabe-se lá qual providência que aprioristicamente alinhou as sensações subjetivas interpessoais.
É muito solipsismo e muita volta inútil para evitar cair na tão mal falada tese do realismo ingênuo (uma forma de espantalho, no fim das contas). 
Mas como explicar nossa experiência de forma coerente com nosso conhecimento e nossa prática? Como fugir desse idealismo desvairado e completamente incoerente com a boa e cotidiana prática da medicina? 
Defendo que podemos sim ter contato com a realidade e, inclusive, podemos tecer afirmações verdadeiras sobre a realidade em que vivemos. Um médico que realmente defenda postulados ceticistas exagerados ou niilistas não está filosoficamente capacitado para exercer uma boa prática profissional. Todavia, a qual cosmovisão um bom médico deveria aderir?
Afirmo que não há como negar o realismo, não há como fugir de fato da realidade e de nossa capacidade de conhecê-la. Qualquer negação plena dessa realidade ou de nossa capacidade é pura contradição pomposa, é pura pose pseudointelectual. Sobre nossa capacidade irrecusável de apreender a realidade e enunciar símbolos verbais ou escritos acerca dela escreverei ao tratar da Filosofia Concreta, dos Valores, da Ética e da antropologia metafisicamente, ontologicamente e epistemologicamente necessária.[1]
Todavia, antes de prosseguir, é hora de oferecer uma definição para a filosofia, que copio de meu professor, o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho: Filosofia é a busca pela unidade da consciência na unidade do conhecimento e da unidade do conhecimento na unidade de consciência. Acima de tudo, Filosofia é um método de vida e de contemplação amorosa da realidade, uma forma de se colocar na existência dotado de uma consciência desperta, imerso na inteligência do Logos. É realmente buscar a grande coerência da vida, a razão que anima a realidade e, consequentemente, nos anima. Uma vida destituída de verdadeira filosofia – não confunda com erudição filosófica - é uma vida que se animalizou e que se reduziu, que aceitou a condição de uma existência parcial e se negou a tocar na esfera do sentido transcendente.
 A resposta definitiva para o questionamento sobre ser a filosofia irrelevante para a medicina é um estrondoso e necessário não. A filosofia de má qualidade pode até ser deletéria para a medicina, mas irrelevante? Jamais. Já a boa filosofia, por outro lado, não somente é relevante, mas essencial para que não se perca o coração do que se reconhece como boa medicina há mais de dois mil anos, nos mais diversificados contextos da sociedade humana.





[1]O artigo sobre o uso da Filosofia Concreta de Mário Ferreira dos Santos contra o ceticismo gnosiológico moderno e contemporâneo é fruto de uma apresentação do II Seminário Capixaba de Filosofia (SECAFI), que ocorrerá em Vitória, no Espírito Santo, no dia 21 de julho de 2018, e que será publicado em breve.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O BÁSICO DA SEMIÓTICA DE JOHN DEELY

O BÁSICO DA SEMIÓTICA DE JOHN DEELY

Paralelos entre João de Poinsot, John Deely, Olavo de Carvalho e Xavier Zubiri na busca da filosofia realista com instrumentos fenomenológicos.

A leitura do livro introdutório de John Deely é esclarecedora sobre o alcance e as ambições filosóficas da área denominada Semiótica.[1] Segundo John Deely, “no cerne da semiótica está a concepção de que toda a experiência humana, sem exceção, é uma estrutura interpretativa mediada e sustentada por signos.” 

Seguindo uma tradição cujo início é situado em João de São Tomás, ou João Poinsot,[2] Deely demonstra como a teoria semiótica ampara uma metodologia capaz de evitar o solipsismo idealista que infectou a Era Moderna e que muitas vezes a paralisou em termos intelectuais.

Embora a modernidade sempre tenha sua cota de filósofos mais realistas, que seguiram acreditando na capacidade da consciência humana em alcançar o que muitos chamam de alteridade ou transcendência dos fenômenos, é indiscutível que, até então, as filosofias de cunho idealista imperaram na Academia após o advento da modernidade nas figuras de Descartes, Kant, Berkeley e tutti quanti.

Àquele que busca a filosofia de forma consciente, todas as pegadinhas relativistas e idealistas mostram-se um tanto pueris, afirmando a incapacidade de alcançar algo como se os enunciadores de tais incapacidades tivessem alguma nota real daquilo que negam, pois seria obrigatório que tivessem algum contato com aquilo que pretendem negar, para que o negassem de fato. Mas a própria existência dessa negação da capacidade de alcançar a realidade, ou a transcendência dos signos, desmente a proposta de negar tal capacidade. É como o paradoxo do relativista que afirma absolutamente “não ser possível chegar a uma verdade absoluta”.

Tais charadinhas mentais podem impressionar um adolescente despreparado, mas não deveriam abundar no ambiente intelectual como o fizeram nos últimos séculos.  Contudo, nem todos caíram no canto de sereia do relativismo e do idealismo modernos. João Poinsot é corretamente apontado por John Deely como alguém que poderia ter iniciado uma verdadeira revolução em seu tempo se recebesse a atenção merecida por suas elaborações.

Antes tarde do que nunca. João Poinsot começa a receber agora a atenção que merecera receber antes. Tal atraso não deveria assustar o leitor, pois em filosofia muitos autores só terão o devido sucesso e alcançarão a merecida repercussão muitos séculos após suas mortes. Lembrem do exemplo de Aristóteles!

Assim como a fenomenologia de Edmund Husserl, há uma expectativa de se retornar ao real. No caso de Husserl, às coisas mesmas por meio dos fenômenos; no caso de Deely e da Semiótica, aos signos que nos conduzem aos objetos, ambos reais, um deles captável, outro transcendente e indiretamente perceptível. Nesse processo epistemológico de apreensão da coisa em si, é claro que cabe algum relativismo, pois Deely reconhecer com muita propriedade que “a semiótica é um processo de revelação, e todo processo de revelação envolve em sua própria natureza a possibilidade de engano ou traição. Todo método revela algo (...) dependente do signo.”

A concepção de João de Poinsot, nas palavras do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho (Aula 401 do Curso Online de Filosofia), distingue duas categorias de signos que permitem uma reformulação epistemológica: o signo pensamento, capaz de ser apreendido em sua totalidade e que se caracteriza pela maleabilidade em relação a quem o pensa, e o signo-parte, que leva aquele que o apreende a inferir um objeto por trás do signo-parte, o que Deely ressalta ser a transcendência. Outra característica básica do signo-parte é sua resistência frente a quem o apreende, o que resulta na sua indisponibilidade para a plena manipulação pelo pensamento humano. Um signo-parte também apresenta ao homem um círculo de latência, uma rede de possibilidades virtualmente infinita e ontologicamente necessária a seu redor.

Traçando paralelos com a obra de Xavier Zubiri, o signo-parte é como uma “nota” da realidade.[3]

A própria atividade filosófica perde completamente a possibilidade de existir se não aderir a uma forma de realismo epistemológico na aceitação da proposta hermenêutica e semiótica contemporânea. Tome-se, por exemplo, a filosofia analítica.

Para que exista uma verificação de significado ou veracidade de uma proposição, como a filosofia analítica ambiciona, é necessário existir a capacidade de intuir o significado por meio do signo-parte. Nas palavras de John Deely: “Para verificar uma proposição, primeiro é necessário compreendê-la. Porém, se ela pode ser compreendida independentemente de ser verificada, ela deve possuir algum outro “significado” que não seja aquele que depende diretamente da verificação – algum significado, de fato, que torne a verificação possível e pensável em primeiro lugar.” Talvez esse significado inteligível em potencial e inerente ao ser esteja fundamentado no que os antigos chamavam de Logos e que a filosofia de Zubiri apontou como a inteligência presente da realidade.

Deely também emite um alerta contra as pretensões de certas filosofias reducionistas, que prometem extirpar o pensamento humano de trejeitos pretensamente supersticiosos, como a metafísica, pelo menos segundo suas crenças equivocadas. Mal percebem que formulam uma proposição profundamente metafísica ao negar a metafísica.

“Portanto, a teoria de verificação, embora tenha sido exibida como método para eliminar da ciência e da própria filosofia o ‘nonsense’ das preocupações metafísicas, foi na verdade um método para substituir questões filosóficas por compromissos ideológicos disfarçados de filosofia. (...) Implementou uma teoria e uma perspectiva. Neste caso, uma perspectiva dogmática e hostil à tradição filosófica, incapaz de analisar suas próprias fundações sem tornar-se internamente inconsistente; uma triste empreitada, de fato.”

“Portanto, mesmo um método de verificação, como o da dialética, precisa de alguns signos para negar outros signos. Sua ilegitimidade não repousa sobre os signos utilizados, mas sim, em negar outros signos; repousa em reconhecer os signos que levariam o discurso além dos limites arbitrariamente estipulados e que foram implicitamente utilizados em primeiro lugar para estabelecer o próprio limite do discurso.”

A compreensão da imensidão das repercussões da semiótica amparada pelos fundamentos colhidos em João de Poinsot e pela sua compatibilidade com os realistas contemporâneos, nos levará a concluir, em acordo com Olavo de Carvalho, que toda a história das ciências e da filosofia poderia ter sido diferente se tivessem prestado a devida atenção à obra do tomista português, pois, “o total de nossa experiência, de sua mais primitiva origem na sensação até às mais refinadas conquistas da compreensão, é uma rede ou teia de relações entre signos.” O projeto da Semiótica contemporânea ambiciona, portanto, a superação do falso dualismo moderno entre idealismo e realismo e a sustentação de toda a rede de significados.

A própria teoria de Olavo de Carvalho sobre o Círculo de Latência, que acredito ter sido pensada antes de o filósofo brasileiro acessar a obra de Deely e Poinsot, de certa forma amplifica e detalha a “fórmula estabelecida por Poinsot: basta ser um signo virtualmente para significar atualmente”.

O ancoramento realista e transcendental da Semiótica, na visão de Deely, se baseia no fato inescapável de que “o signo depende de algo além de si mesmo. É representativo, porém, apenas de uma forma derivada, com uma capacidade subordinada.” O signo é nossa ponte com o real zubiriano e com o objeto conforme Deely.

“Para ser um signo, é necessário representar algo além de si. Ser um signo é uma forma de se prender ao outro, ao significado, ao objeto que o signo não é, mas pelo qual existe e que representa.”

As aproximações entre Zubiri e Deely também incluem outros aspectos, como o da estimulidade descrita por Xavier Zubiri, diferenciando os humanos dos animais pela capacidade de apreender a realidade, no caso dos humanos, e a mera estimulidade, no caso dos animais. Segundo Deely, falando da zoosemiótica, “animais utilizam os signos sem tomar consciência de que são signos (...), o que significa ‘sem a percepção da relação de significação’”.

As repercussões dessas concepções filosóficas são capazes de atingir praticamente toda a comunicação humana. A Semiótica, na concepção de John Deely, supera o conceito de linguagem restrita ao uso de palavras ou signos convencionais. Aproxima-se da epistemologia e da fenomenologia ao definir linguagem como “o uso de qualquer forma de signo enquanto envolve o conhecimento ou a percepção de uma relação de significação.”

A conclusão do livro Basics of Semiotics não poderia ser diferente, ao concluir que o homem é, na verdade, um “interpretador cujas idéias são signos, tendo o universo em sua totalidade como seu objeto.”

Hélio Angotti Neto
Colatina, 02 de novembro de 2017.




[1] DEELY, John. Basic of Semiotics. Bloomington & Indiana: Indiana University Press, 1990. Os trechos entre aspas deste texto foram todos retirados do livro aqui referenciado.
[2] POINSOT, John; DEELY, John (Interpretative Arrangement). Tractatus de Signis. The Semiotics of John Poinsot. South Bend, Indiana: Saint Augustine Press, 2013.
[3] “Mas a impressão não é somente afecção, mas também alteridade. Em que consiste a alteridade da impressão como meroestímulo? Na afecção meramente estimúlica, torna-se presente a nota apreendida, mas como ‘outra’ que a afecção mesma; torna-se presente sua formalidade própria. Agora, o essencial está em conceituar corretamente esta formalidade de alteridade do estímulo enquanto mero estímulo. É o que chamarei de formalidade de estimulidade. Em que consiste? A nota apreendida como ‘outra’, mas enquanto sua alteridade, consiste apenas em suscitar determinada resposta, constitui o que chamo de signo. A formalidade de estimulidade consiste precisamente em formulidade de signitividade.” ZUBIRI, Xavier. Inteligência e Realidade. São Paulo: É Realizações, 2011.

domingo, 28 de maio de 2017

A RESPONSABILIDADE INTELECTUAL E O JARDIM DAS AFLIÇÕES

Conferência sobre Responsabilidade Intelectual e a obra "O Jardim das Aflições" do filósofo Olavo de Carvalho. Aconteceu no I Seminário Capixaba de Filosofia, no dia 20 de maio em vitória - ES.

https://www.youtube.com/watch?v=4J58pbI2IOg&app=desktop


sexta-feira, 26 de maio de 2017

I SECAFI - CONFERÊNCIA DE ABERTURA - PROFESSOR RICARDO DA COSTA

CONFERÊNCIA DE ABERTURA DO I SECAFI

https://youtu.be/0heDSv4BYA8


I Seminário Capixaba de Filosofia. Conferência de abertura do Professor Ricardo da Costa, grande medievalista brasileiro, analisando a obra O Futuro do Pensamento Brasileiro e situando o Professor Olavo de Carvalho na cultura e na história do Brasil.

domingo, 21 de maio de 2017

I SEMINÁRIO CAPIXABA DE FILOSOFIA - SECAFI

I Seminário Capixaba de Filosofia

O Resgate da Inteligência Brasileira e a Filosofia de Olavo de Carvalho



Dia 20 de maio de 2017. Que dia! Que reflexões! E quantos amigos!

Foi um dia para exclamações. Amigos próximos e distantes, antigos e recentes, que se encontraram para discutir a obra do filósofo Olavo de Carvalho e o resgate intelectual iniciado em terras brasileiras.

Ricardo da Costa, grande medievalista brasileiro e professor titular da Universidade Federal do Espírito Santo, falou sobre a obra “O Futuro do Pensamento Brasileiro”. Em sua apresentação tratou de como Olavo de Carvalho resgatou o modo clássico de ser filósofo em terras brasileiras, unindo o conhecimento à prática. Fomos lembrados de nossa falta de memória e da tragédia que é a ausência de percepção da gravidade do tempo. A distância entre a Academia e a sociedade foi ressaltada no contexto brasileiro atual.

Conferência de abertura, do Professor Ricardo da Costa.



Na apresentação sobre o Jardim das Aflições tive a oportunidade de tratar sobre a manipulação simbólica promovida pelos engenheiros da cultura, verdadeiros agentes pragmáticos de um projeto hegemônico, e sobre a responsabilidade intelectual, que compromete o próprio ser do filósofo na sua busca pela verdade e pelo bem. Leonardo Serafini Penitente ressaltou o conflito entre as duas cidades na visão agostiniana e como isso está colocado na obra magistral de Olavo de Carvalho.

Conferência sobre o Jardim das Aflições.

Francisco Escorsim, comentado por Jelcimar Júnior e Ricardo da Costa, tratou da formação da inteligência e da educação clássica no contexto da obra “Aristóteles em Nova Perspectiva”, tecendo uma curiosa crítica àqueles que receberam a obra de Olavo de Carvalho em modalidade poética sem alcançar a camada de personalidade mais desenvolvida que permitiria a eles receber a filosofia em nível dialético e lógico. Tratou também do preparo da imaginação e do valor da filosofia de Olavo em resgatar a apreensão dos fatos e o preparo de imagens que sustentem as ideias ou que nos tornem capazes de analisá-las.

Conferência sobre os Quatro Discursos Aristotélicos na Formação Cultural.



Leandro Mello Ferreira, comentado por Francisco Escorsim, abordou o método filosófico de Olavo de Carvalho, explicitando passo a passo o caminho percorrido tantas vezes na análise de diversos problemas abordados no Curso Online de Filosofia.  Diferenciou sofistas de filósofos e ressaltou o papel instrumental da filosofia em sua origem clássica na Grécia Antiga ao afirmar a consciência pessoal e a ordem interna da alma do sujeito contra uma ordem social imposta.

Conferência sobre o Método Filosófico, de Leandro Ferreira.

No final, o assunto foi política. Felipe G. Martins tratou dos instrumentos básicos da filosofia política de Olavo de Carvalho e de como analisar o cenário atual e abordar a obra “Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial”. Abordou a tipologia do poder e sua conceituação, os agentes políticos em escala histórica e o atual dilema que vivemos: o conflito entre soberanismo e globalismo.



Silvio Grimaldo expôs seus estudos sobre o movimento revolucionário na história brasileira, apresentando uma surpreendente análise sobre a tumultuada dança de nossas elites em busca da hegemonia, e sobre a conflituosa relação entre socialistas e militares, historicistas e positivistas, todos imbuídos do propósito revolucionário contra a representação legislativa. Em sua análise, as expressões direita e esquerda mostram-se incapazes de explicar a complexidade política de nosso país e a relação de amor e ódio entre os principais agentes históricos na luta pela hegemonia.



Encerrando o evento, Helvécio de Jesus Júnior acrescenta comentários à obra “Os Estados Unidos e a Nova Ordem Mundial” e explica o panorama intelectual das teorias políticas nas relações internacionais, ressaltando a diferença entre agente e filósofo, conforme demonstrado respectivamente por Alexandr Dugin e Olavo de Carvalho.

Link para as Conferências Políticas.



Como eu disse no início, que dia!

Agradeço aos amigos organizadores: Leandro e Milena, Michele Caloni, Gustavo Carneiro de Mendonça, Jelcimar Júnior, Vitor Montenegro e Lysandro Sandoval (nosso digníssimo capitão, mestre de cerimônias e controlador do tempo). Como não agradecer também às suas famílias que os emprestaram para que esse sonho tornado em realidade fosse viável?



Os palestrantes convidados possibilitaram momentos de ganho cultural valioso e inesquecível: Ricardo da Costa, Leonardo Serafini Penitente (ao lado de sua esposa, a querida amiga Sabrina Klein), Felipe G. Martins, Francisco Escorsim e Silvio Grimaldo. Esposas, crianças e familiares que ficaram em casa – incluindo minha esposa Joana e meus filhos Arthur e Heitor – tornam possível que sonhemos em aprender sempre e nos oferecem o suporte indispensável e o ânimo para buscar um Brasil melhor.



Aos amigos que prestigiaram o evento e dividem conosco a busca pela inteligência, um saudoso abraço, na espera de um breve reencontro: Bruno Garschagen, Aluísio Souza, João Carlos Nepomuceno, Bernardo Sperandio, Patrícia Deps, Luciano Vilaschi, Enzo Dalfior, Rafael Gonçalves Mendes, Matheus Noronha Sturari, Vitor Mathees Souza, André Bins, Edésio Reichert, Marlon Lelis, Leonardo Trabach, Katiúscia Galon Cosme, Rodrigo Tonon Bergantini, Gustavo Vulpi, Mirian Moreira, Marcelo Guerra Reis, Thiago L. David, Lucas Lira, Wallace Alves Martins e tantos outros que muito injustamente deixei de citar. Como explicar a cada um as esperanças depositadas em suas pessoas?



Ano que vem teremos mais reflexões, mais filosofia de Olavo de Carvalho e, em especial, a filosofia de Mário Ferreira dos Santos.