Mostrando postagens com marcador Sugestão de Leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sugestão de Leitura. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de abril de 2020

EM TEMPOS DE BIOPOLÍTICA, GLOBALISMO E GEOPOLÍTICA

EM TEMPOS DE BIOPOLÍTICA, GLOBALISMO E GEOPOLÍTICA

A recente pandemia, conforme a Organização Mundial de Saúde decretou em 2020 por causa do Coronavírus, realmente trouxe fatos importantes que devem ser analisados e que impactarão sobre nossa realidade de forma significativa.
Pela primeira vez na história da humanidade, bilhões de pessoas acompanharam em tempo real o alastramento da doença, caso a caso. Todos fomos expostos a uma enorme carga de informação e especulações com enormes potenciais tanto positivos quanto negativos. 
Do lado positivo, sem dúvida, a possibilidade de acompanhar curvas epidêmicas e compará-las em todo o mundo, enriquecendo em muito a ciência epidemiológica. Do lado negativo, a enorme ansiedade que isso gera e todo o impacto social e econômico decorrente.
Quanto ao alastramento da doença, foi auxiliado pela intensa globalização, que abriu fronteiras e mercados por todos os lados, aprofundando laços de interdependência entre os países e o deslocamento de grandes massas humanas em pouquíssimo tempo.
Essa interdependência e essa fluidez de fronteiras geraram situações interessantes no contexto da pandemia. Uma delas é, por exemplo, a concentração da produção global de máscaras cirúrgicas na China, justamente onde se iniciou a pandemia.
Mundo afora, há diversos oligopólios globais, gerando especializações centradas em algumas nações. Na hipótese de fechamento de fronteiras, há um sério risco de desabastecimento do mercado interno de diversas nações dependentes. Para um mundo globalizado, eis que foi desenvolvida uma solução globalista.
Isso gera uma preocupação em relação à plena abertura dos mercados e uma nova tendência ao protecionismo, que pode ser interessante no caso de bens essenciais à subsistência e à segurança de todo um povo.
A dependência de uma nação, em termos estratégicos, da produção de outra nação significa algo muito claro: submissão, seja ao governo que produz o bem para exportação, seja ao grupo que lidera a produção, que pode apresentar caráter não governamental. De ambas as formas, há uma série de possíveis fragilidades, ainda mais em tempos de conflito e desconfiança, como aqueles presenciados durante a pandemia da Doença do Coronavírus (COVID-19).
Não se pode desprezar os ganhos da globalização. Informação rápida, facilidade na aquisição de mercadorias antes indisponíveis, flexibilização das fronteiras e aumento do sentimento cosmopolita por todo o globo. Mas há que se diferenciar duas situações.
A globalização propriamente dita do globalismo.
O globalismo é uma forma de administrar a realidade globalizada em termos políticos, econômicos e culturais. Sua grande ênfase é o poder concentrado em entidades supranacionais, é como controlar o próximo por cima de suas fronteiras. Há um elemento de substituição de uma elite governante de caráter nacional, muitas vezes alocada pelo próprio povo de uma nação, por uma elite tecnocrática que rompe questões como nacionalidade e patriotismo. 
Essa elite internacional atua em diversos países e funciona como um poderoso elemento geopolítico que não pode ser ignorado. 
Um exemplo seria o de um pequeno país no qual se instala um enorme complexo produtor pertencente a um dos membros dessa elite internacional. Uma vez dependente do comércio internacional, este pequeno país pode praticamente ser colocado em profunda recessão econômica e grave crise política caso tal complexo seja removido ou fechado.
A resposta dada à pandemia nesse delicado contexto de globalização permeada de globalismo, com seus mercados abertos em nível internacional, gerou uma consciência aguda acerca das limitações do modelo de caráter internacionalista.
Novamente muitos questionam as vantagens e desvantagens do nacionalismo, diferenciando a postura cautelosa e protetora da cultura e dos interesses nacionais – o nacionalismo propriamente dito – daquela postura agressiva de conquista e imposição cultural, denominada de imperialismo por autores como Yoram Hazony, autor da obra As Virtudes do Nacionalismo.
As repercussões desse grande tubo de ensaio em que se tornou a pandemia serão percebidas no campo das Relações Internacionais, da Economia, da Saúde, da Política e do Direito só para começar. As repercussões culturais ainda são incalculáveis.
Vivemos, na verdade, um cenário parcialmente previsto pelo Filósofo Olavo de Carvalho no início do século XXI, que recomendara ao então presidente do Brasil, Itamar Franco, a realização de um Congresso Mundial sobre o Nacionalismo. A sugestão então ignorada agora se faz urgente, como também é urgente a redefinição dos mercados e das fronteiras diante das atuais mutações políticas, científicas, econômicas e culturais.

domingo, 19 de maio de 2019

REGRAS DA EXPRESSÃO - LAVELLE

REGRAS DA EXPRESSÃO – LOUIS LAVELLE


“Não se deve rejeitar nem desprezar a aparência, que é também a manifestação ou a expressão. Pois há solidariedade entre a aparência e o que ela mostra.

“Exige-se que a aparência seja fiel, o que já nos obriga a uma disciplina estrita; pois no esforço que fazemos para torná-la fiel está a própria ideia que buscamos circunscrever, ou seja, formar. E é admirável que aqui a palavra “definição” não pareça designar nada mais que a proposição pela qual eu formulo o sentido da ideia por meio de palavras, mas que é também o ato pelo qual tomo posse dele e o crio dentro de mim. 

“Uma ideia tem necessidade de se realizar no exterior para poder sê-lo no interior, porque do contrário ela vacila e se extingue. Ela precisa tomar forma para ser, e é esta forma que a faz ser. Há que dizer precisamente que ela é informe quando não consegue dar-se uma forma.

“Mas é preciso que essa fidelidade pela qual se busca obter a conformidade, ou seja, a identidade entre a ideia e a forma, ou seja, essa fidelidade pela qual se busca dar um corpo à ideia que também lhe dá a existência e a vida, é preciso que ela se transforme para nós em beleza. Pois a exigência da beleza na forma é o testemunho na própria ideia desse valor secreto que a torna digna ao mesmo tempo de ser pensada, querida e amada.”

***

Orwell, em seu romance 1984, falava a respeito de só se poder realmente pensar sobre aquilo que se podia falar. Sua sociedade imaginária (muito semelhante a certas sociedades bem reais movidas por ideologias como o socialismo), controlava o pensamento de seus habitantes por meio do estrito controle da terminologia empregada e pela manipulação da história. Lavelle concordaria com George Orwell,, ao que tudo indica, pois reconhece que um pensamento sem forma permanece em grande parte como um potencial a ser despertado plenamente, como um prisioneiro no fundo da alegórica caverna de Platão, imerso em trevas olhando as sombras, embora apto a um dia sair ao ar livre e contemplar o sol.

E quem nunca passou pela sutil experiência de tentar explicar algo e terminar por saber ainda mais a respeito daquilo que explicou após terminar a exposição? Quem nunca aprendeu algo completamente novo ao enunciar em voz alta seus pensamentos a outrem? A forma expressiva, em harmonia com a ideia, forma um conjunto ainda mais rico na concretude de sua manifestação, embora abra mão do potencial prévio de expressão. Eis uma relação interessante entre a forma cristalizada e vazia e o conteúdo potencial informe e silencioso da ideia ainda não enunciada. Uma expressividade esteticamente bela e eficaz anuncia o conteúdo sem lhe tolher certo potencial de expansão e inovação.

***

“Não devemos buscar tornar-nos semelhantes a um espelho que achata as coisas e termina por nos cegar. É aquele que traz no espírito os maiores pensamentos que percebe o real com mais esplendor e relevo.”

domingo, 31 de março de 2019

O DEBATE SOBRE O ABORTO - UMA LEITURA OBRIGATÓRIA PARA NOSSOS DIAS.

Uma grande necessidade para esse debate nos dias atuais é compreender as regras da argumentação.
No entusiasmado debate do qual participei, alguns estratagemas erísticos se repetiram ad nauseam, entre eles:
1 - Argumentum ad Verecundiam - O trabalho X está publicado no periódico internacional Y... Quem disse foi a OMS...
2 - Argumentum ad Hominem - Meu lugar de fala... Você não é mulher e não pode falar sobre isso...
3 - Opções forçadas - Mas você quer prender 7 milhões de mulheres (???) ou legalizar o aborto?
4 - Rotulações odiosas - Mas o que vocês querem afinal? Voltar aos dias de repressão do patriarcado?
Para qualquer estudioso da Teoria da Argumentação, incluindo retórica e erística, está muito claro que tudo o que foi exposto acima é completamente irracional e inválido num debate sério, mas há que se compreender que não costumamos ter boa educação no Brasil.
Muitos lançam tais argumentos com a maior naturalidade, pois cresceram em um ambiente no qual toda essa manipulação discursiva psicológica é natural. Contudo, em um país com o mínimo de cultura e educação, a utilização de qualquer um desses estratagemas tão caros à discussão brasileira seria uma grave falha, capaz de desautorizar seu emissor.
Para aqueles que desejam compreender melhor como conversar (acredite, existe uma técnica para isso), recomendo começar o estudo pelo magnífico livro Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão, escrito por Schopenhauer e comentado pelo Olavo de Carvalho
Outra obra imprescindível para conhecer melhor os argumentos acerca do aborto é o livro A Ética do Aborto, do Kaczor, escrito de forma a incluir argumentos de ambos os lados com muito respeito e extrema competência. Pode ser encontrado neste link.


quinta-feira, 7 de março de 2019

PERGUNTA E RESPOSTA - DICAS PARA O ESTUDO DA FILOSOFIA CLÁSSICA

Poderia me indicar algum livro para iniciação em filosofia greco-romana (basicamente Sócrates, Platão e Aristóteles), que não seja da Marilena Chauí e afins?


Recomendo começar pelo Apologia de Sócrates, na tradução de Carlos Alberto da Costa Nunes pela Editora da Universidade Federal do Pará. Seria uma amostra inicial da filosofia de Sócrates e Platão.

Daí, poderia prosseguir com a leitura dos seguintes livros introdutórios sobre Aristóteles:

-Aristóteles para Todos: Uma Introdução Simples para um Pensamento Complexo, de Mortimer Adler;

-Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos, de Olavo de Carvalho.

Sobre a origem da filosofia, recomendaria assistir e ler os primeiros episódios da série do Olavo de Carvalho: História Essencial da Filosofia:

-O Projeto Socrático– Aula 02;

-Sócrates e Platão– Aula 03;

-Aristóteles– Aula 04.

Depois disso, eu voltaria para os originais:

-Fédon, de Platão;

-A República, de Platão;

-Mênon, de Platão;

-Retórica, de Aristóteles;

-Política, de Aristóteles.

Por fim, eu releria Apologia de Sócrates.

Depois disso, o ideal seria prosseguir com os originais até completar toda a obra de Platão e de Aristóteles enquanto se lê algumas obras que ajudarão a montar o contexto da Grécia Antiga e o atual contexto das obras de Platão e Aristóteles, tais como Paidéia, de Werner Jaeger,Plato, de Paul Friedlander e os livros de História da Filosofia do Giovanni Reale e Frederick Copleston. Para aprofundar ainda mais, não há como escapar da leitura de clássicos da Grécia Antiga, e daí deve-se ler Homero e Sófocles enquanto se lê o primeiro volume deHistória da Literatura Ocidentaldo Otto Maria Carpeaux.

Seguir por esse caminho me ajudou muito. Recebi tesouros culturais que me servem até mesmo para a vida pessoal, para a prática da medicina e para todas as minhas atividades intelectuais.

segunda-feira, 4 de março de 2019

A MANIPULAÇÃO NA EDUCAÇÃO

EXCERTO DA OBRA DE ALFONSO LÓPEZ-QUINTÁS
A TOLERÂNCIA E A MANIPULAÇÃO


6. A MANIPULAÇÃO DOS EDUCADORES (p. 121-124)

Os tiranos procuram por todos os meios manter as pessoas num nível cultural baixo, para que seu poder de discernimento seja o menor possível, o que as torna facilmente manipuláveis. B. Hearing atribui essa atitude aos ditadores: “Em sociedades e Estados autoritários todos o processo de educação é orientado para obter cidadãos dóceis e fáceis de manipular, evitando-se ou reprimindo tudo o que possa suscitar um espírito crítico”.

Também nos regimes democráticos, aquele que deseja vencer sem convencer costuma conceber planos e métodos de ensino com os quais não se crie o poder do discernimento, a sensibilidade para os grandes valores, o entusiasmo criativo, o desejo de realizar tarefas relevantes. Sob o pretexto de “desdramatizar” os problemas, banaliza-se a vida humana. (...)

O manipulador cultural proclama seu interesse pela cultura, mas trata-se de uma cultura que tende a dominar, não a criar unidade. Daí o estímulo às ciências em detrimento das humanidades, e, pior ainda, o interesse por orientar a potência criadora do ser humano, sobretudo dos jovens, para modos infraculturais de atividade, infraculturais por não serem criativos.

Esse tipo de manipulação educativaopera em vinculação encoberta com a manipulação ideológica. Como se sabe, o escritor italiano Antonio Gramsci elaborou toda uma tática para atingir o poder político mediante o domínio cultural, que, por sua vez, será alcançado mediante um processo no qual as ideias e os sentimentos dos intelectuais são assumidos pelo povo e convertem-se numa fonte de energia revolucionária. “Quando se consegue”, diz ele, “introduzir uma nova moral adequada a uma nova concepção do mundo, termina-se por introduzir também essa concepção, isto é, determina-se uma reforma filosófica total.” (...)

Ensinar o povo a pensar com rigor é, efetivamente, elevada tarefa, que exige vivência profunda e que as questões básicas sejam apresentadas com força imaginativa, de modo que as pessoas igualmente se compenetrem dessas questões e as compreendam por dentro. Ora, esse trabalho não deve ser realizado com a finalidade de adquirir poder e domínio sobre o povo, mas de conferir-lhe verdadeira liberdade interior. Jamais a educação deve transformar-se, sob nenhum pretexto, por mais elevado que pareça, em recurso estratégico para conseguir um objetivo. Deve ser impulsão da personalidade de cada ser humano, que é um fim em si mesmo e não um meio.

Nunca antes foi tão válida a seguinte observação de Gabriel Marcel, um dos pensadores contemporâneos mais preocupados com o destino da humanidade: “O que hoje provavelmente mais falta faz ao mundo são educadores. Do meu ponto de vista, esse problema dos educadores é o mais importante, e é nisso que a reflexão filosófica deve dar sua contribuição.”


É urgente aplicar ao trabalho formativo os resultados de uma atenta investigação filosófica, para evitar que o processo educacional seja colocado a serviço dos demagogos, como costuma acontecer, segundo B. Haering: “A educação é o mercado público em que encontramos as mais diferentes ideologias, bem como aqueles que depositam suas maiores esperanças em manipular os outros”. 

Alfonso López QUINTÁS.

A Tolerância e a Manipulação. Campinas, SP: É Realizações, 2018

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

LEITURAS DE 2018

Leituras de 2018


FILOSOFIA
1 - Filosofia Verde– Roger Scruton
2 – A República– Platão
3 – Cosmovisão: A História de um Conceito – David Naugle
4 – Filosofias da Afirmação e da Negação– Mário Ferreira dos Santos
5 – O Trabalho Intelectual– Jean Guitton
7 – Filosofia Concreta dos Valores – Mário Ferreira dos Santos
8 – Dao De Jing. O Livro do Tao – Lao Zi.
9 – Fools, Frauds and Firebrands. Thinkers of the New Left – Roger Scruton 
10 – As Leis– Platão
11 – A Arte de Viver– Epitecto
12 – Medical Philosophy. Conceptual Issues in Medicine – Mario Bunge
13 – Origem e Epílogo da Filosofia– José Ortega y Gasset
14 – Textos Básicos de Ética. De Platão a Foucault – Danilo Marcondes
15 – Fundamentals of Ethics – John Finnis
16 – As Armadilhas da Lingugem – Danilo Marcondes 

MEDICINA GERAL E CIÊNCIAS
1 - Manual Politicamente Incorreto da Ciência – Tom Bethell
2 – Sociologia da Medicina – Gilberto Freyre

BIOÉTICA E HUMANIDADES MÉDICAS
1 – Diretivas Antecipadas de Vontade – Rui Nunes
2 – A Short History of Ethics. A History of Moral Philosophy from the Homeric Age to the Twentieth Century – Alasdair MacIntyre 
3 – Contra o Aborto – Francisco Razzo
4 – Fundamentos da Logoterapia na Clínica Psiquiátrica e Psicoterapêutica – Roberto Rodrigues
5 – Por Que Ética É Mais Importante Que Religião. Dalai Lama e Franz Alt.
6 – Comentários ao Código de Ética Médica. Resolução CFM 1.931, de 17 de setembro de 2009 – Eduardo Dantas e Marcos Coltri
7 – Methods in Bioethics. The Way We Reason Now. – John D. Arras
8 – Arte Médica – Hélio Angotti Neto 
9 – Ética – Adolfo Sánchez Vázquez
10 – The Philosophy of Medicine Reborn: A Pellegrino Reader – Edmund D. Pellegrino
11 – Disbioética. Volume II: Novas Reflexões sobre os rumos de uma ética estranha. – Hélio Angotti Neto.
12 – Disbioética Volume III: O Extermínio do Amanhã – Hélio Angotti Neto 
13 – Para o Bem do Paciente. A Restauração da Beneficência nos Cuidados da Saúde – Edmund D. Pellegrino & David C. Thomasma.
14 – Bioética Global – Van Rensselaer Potter
15 – O que você precisa saber sobre o Aborto – George Mazza
                             
POLÍTICA E HISTÓRIA
1 - O Diabo na História: Comunismo, Fascismo e Algumas Lições do Século XX – Vladimir Tismaneanu
2 – O Tolo & seu Inimigo - Jeffrey Nyquist
3 – Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex
4 - Impressões da Idade Média – Ricardo da Costa
5 – Freud – Rousas John Rushdoony
6 – A questão da Culpa: A Alemanha e o nazismo – Karl Jaspers
7 – Os Histéricos no Poder – Olavo de Carvalho
8 – Churchill e a Ciência por trás do Discurso – Ricardo Sondermann
9 – A Ciência da Política: Uma Introdução – Adriano Gianturco
10 – Educação: Livre e Obrigatória – Murray N. Rothbard
11 – Do Partido das Sombras ao Governo Clandestino – David Horowitz e John Perazzo
12 – Guerra de Narrativas. A Crise Política e a Luta pelo Controle do Imaginário – Luciano Trigo.
13 – Direitos Máximos, Deveres Mínimos. O Festival de Privilégios que Assola o Brasil – Bruno Garschagen
14 – O Estado e a Revolução – Vladímir Ilitch Lênin
15 – Política para não ser Idiota – Mario Sergio Cortella & Renato Janine Ribeiro

TEOLOGIA
1 - A Sabedoria da Antiga Cosmologia – Wolfgang Smith
2 – O Nascimento do Rei: Um Livro sobre o Natal – Andrew Sandlin
3 – Cristianismo Público. Evangelho e Lei – Andrew Sandlin
4 – Em toda a extensão do Cosmos – Abraham Kuyper
5 – Cristianismo sem Cristo – Michael Horton
6 – A Presença Real e os Milagres Eucarísticos – Monsenhor de Ségur
7 – Bíblia – Novo Testamento: Os Quatro Evangelhos – Frederico Lourenço
8 – Movimento da Liberdade: os 500 anos da reforma – Michael Reeves
9 – Deus é contra os homossexuais? – Sam Alberry
10 – O Catecismo de Pierre Viret – Pierre Viret
11 – O quê e por quê? Uma introdução ao cristianismo – Douglas Jones
12 – A Desgraça do Ateísmo na Economia – P. Andrew Sandlin
13 – O Combate Central da Reforma. A Fé Confessante – Jean-Marc Berthoud
14 – Calvino, Genebra & a Propagação da Reforma na França do Século XVI – Jean-Marc Berthoud
15 – Guerra de Cosmovisões – Editor Gary Vaterlaus e vários autores.
16 – A Vida Segundo o Evangelho – Michael Horton
17 – A Filosofia Cristã da Alimentação – Peter Bringe
18 – A Arte de Profetizar – William Perkins
19 - Perspectivas Bíblicas sobre Negócios. Como a cosmovisão cristã molda nossos fundamentos econômicos. – Philip Clements et al.
20 – A Grande Batalha Escatológica – Leandro Lima
21 – Uma Religião sem Deus: Os Direitos Humanos e a Palavra de Deus – Jean-Marc Berthoud.
22 – Amnésia Cultural. Três ensaios sobre a teologia dos dois reinos – Brian Mattson
23 – Adoração Reformada. A Adoração Segundo as Escrituras. – Terry L. Johnson

LITERATURA
1 – A Hora da Estrela – Clarice Lispector
2 – Até que Tenhamos Rostos. A Releitura de um Mito – C. S. Lewis
3 – Uma Confissão – Liev Tolstói
4 – Notas da Xícara Maluca – N D Wilson
5 – Arte Poética – Horácio
6 – O que aprendi em Nárnia – Douglas Wilson
7 – A Descoberta do Outro – Gustavo Corção
8 – Com a Maturidade fica-se mais jovem – Herman Hesse
9 – Poética – Aristóteles 
10 – O Messias vem à Terra Média. Imagens do Tríplice Ofício de Cristo em O Senhor dos Anéis. – Philip Ryken
11 – A Literatura como Remédio – Dante Gallian
12 – Sobre a Estupidez – Robert Musil 

PSICOLOGIA, EDUCAÇÃO, LIDERANÇA E GESTÃO
1 – Estratégia. Harvard Business Essentials – Richard Luecke
2 – 12 Rules for Life – Jordan Peterson
3 – Inevitável. As 12 forças tecnológicas que mudarão nosso mundo – Kevin Kelly
4 – Gerenciando Mudança e Transição. Harvard Business Essentials – Mike Beer
5 – Treine o seu Cérebro para Provas – Augusto Cury
6 – A Neurobiologia do Aprendizado na Prática. Ana Paula Rabello Chaves
7 – Evasivas Admiráveis. Como a Psicologia Subverte a Moralidade – Theodore Dalrymple
8 – 20 Regras de Ouro para Educar Filhos e Alunos – Augusto Cury
9 – Formação em Medicina no Brasil: Cenários de prática, graduação, residência médica, especialização e revalidação de diplomas – Conselho Federal de Medicina.
10 – De Magistro– Santo Agostinho e São Tomás de Aquino
11 – A Educação da Vontade– Jules Payot
12 – Ética e Vergonha na Cara! – Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho
13 – Ensino Híbrido. Personalização e Tecnologia na Educação – Lilian Bacich, Adolfo Tanzi Neto e Fernando de Mello Trevisani.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

A LITERATURA COMO REMÉDIO, de Dante Gallian

A LITERATURA COMO REMÉDIO
Os Clássicos e a Saúde da Alma

Entrei em contato com o Professor Dante Gallian em 2013, no Congresso Internacional de Humanidades Médicas realizado na Universidade Federal de São Paulo. O Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina acabara de começar, e lá eu apresentava meus primeiros resultados e minha fundamentação teórica, e aprendia um pouco da experiência de outros professores na nobre tentativa de humanização da saúde. Foi com alegria que recebi um exemplar de seu livro, que reconta sua trajetória e expõe seus ideais. Livro este que me foi presenteado por uma amiga em uma reunião justamente dedicada ao estudo em conjunto da Alta Cultura literária e da filosofia! Não poderia haver melhor presente.

O livro inicia com a reconstrução da história sobre como surgiu o Laboratório de Humanidades Médicas (LABHUM), e de como ideais se transformaram e se sistematizaram em pesquisas que, aos poucos, ganharam merecido reconhecimento internacional. O LABHUM, dedicado primariamente aos alunos de medicina da UNIFESP, gerou uma iniciativa denominada de Laboratório de Leitura (LabLei), que se estendeu para a comunidade e para o meio corporativo, e se ramificou, inclusive, em grupos de leitura domiciliar.

O uso humanístico da literatura para formar um ser humano integral é fundamentado no capítulo 2 do livro de Gallian: A Literatura como Remédio. O papel formativo da literatura é relembrado e enfatizado de forma ousada, ecoando uma antiga crítica ao tecnicismo cientificista e ao reducionismo da educação.

Curiosamente, entretanto, aquilo que hoje é visto como algo de importância relativa e complementar (espécie de verniz cultural ou erudição) foi, em todas as culturas humanas, das mais primitivas às mais sofisticadas, o elemento estruturador por excelência.[1]

As narrativas, componente do discurso poético tão bem descrito por Olavo de Carvalho em sua obra Aristóteles em Nova Perspectiva,[2]nos fornecem o “efeito pedagógico do exemplo”, conforme Jaeger,[3]e encarnam, muitas vezes, os mitos fundadores de toda uma civilização.[4]

Coerentemente com esta função de determinação da identidade e do ethosda comunidade, as narrativas desempenhavam também um papel essencial no processo de formação de seus indivíduos.[5]

Nesse contexto formativo, disponibilizar a leitura dos clássicos realmente assume um papel estruturador e terapêutico em uma sociedade amontoada de indivíduos cada vez mais solitários e culturalmente alienados, embora cada vez mais espremidos em grandes centros urbanos. As narrativas permitem a compreensão do próximo e a expressividade, promovendo o fenômeno de catarse, pois “desde os tempos homéricos, que ‘a arte tem um poder ilimitado de conversão espiritual’; um extraordinário poder humanizador”.[6]

Para isso, Gallian ressalta que o que se espera não é a leitura ressequida e sistematizada dos que se dizem críticos literários, mas uma leitura aberta, disposta a embarcar na viagem para a qual nos chama o autor de cada clássico, uma leitura pautada pelo que Samuel Taylor Coleridge chamava de Suspension of Disbelief.

No capítulo III, Gallian explica em detalhes o funcionamento do LabLei, incluindo o Itinerário de Discussão – que visita a obra escolhida em etapas – e uma síntese ao final de um ciclo denominada Histórias de Convivência, na qual o participante poderá realizar o “balanço, a síntese de toda a experiência laboratorial vivenciada”.[7]

Com excertos oferecidos pelos participantes, Gallian oferece ao leitor os resultados que podem ser esperados por aqueles que mergulham na leitura em grupo dos clássicos no capítulo final: (1) a experiência da leitura torna-se prazerosa – é despertada – e sofre importante potencialização e, com isso, aumenta-se o poder de compreensão do leitor; (2) o horizonte cultural e intelectual é amplificado, fomentando o desenvolvimento de habilidades; (3) questões essenciais da existência humana são confrontadas, o que gera repercussões na formação pessoal e na vivência ética em sociedade; (4) a humanização de si e a consequente abertura empática para o próximo; (5) e um efeito catártico e terapêutico.

Dante Gallian está de parabéns, pois compreendeu que a literatura tem seu valor para todos. Seu empreendimento cultural, iniciado em uma tradicionalíssima escola de medicina, encontra-se entre aquelas preciosas iniciativas que compreenderam que “em todas as profissões, um conhecimento da literatura geral é de grande importância para um amplo intercâmbio com a humanidade.”[8]

Hélio Angotti Neto

***


 Hélio Angotti Neto é médico formado pela Universidade Federal do Espírito Santo com Residência Médica em Oftalmologia e Doutorado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atua como Professor e Coordenador do Curso de Medicina do Centro Universitário do Espírito Santo. É Presidente do Capítulo de História da Medicina da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (Triênio 2017-2020), membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Delegado do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo em Colatina (2018-2023). Foi Global Scholar do Center for Bioethics and Human Dignityda Trinity International Universityem 2016 (Illinois, USA) e é Diretor Editorial da Mirabilia Medicinae, publicação em Humanidades Médicas sediada no Institut d’Estudis Medievalsda Universidad Autónoma de Barcelona. Publicou os livros: A Morte da Medicina; A Tradição da Medicina; Disbioética Volume 1: Reflexões acerca de uma estranha ética; Disbioética Volume 2: Novas Reflexões Sobre uma Ética Estranha; Disbioética Volume 3: O Extermínio do Amanhã; Arte Médica: De Hipócrates a Cristo; além de diversos capítulos de livros e artigos em Oftalmologia, Bioética, Política e Humanidades Médicas. Criador e Coordenador do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina. É Presbítero da 3ª Igreja Presbiteriana de Colatina. Casado com Joana e pai de Arthur, Heitor e André.


[1]GALLIAN, Dante. A Literatura como Remédio. Os Clássicos e a Saúde da Alma. São Paulo, SP: Martin Claret, 2017, p. 59-60.
[2]CARVALHO, Olavo de. Aristóteles em Nova Perspectiva. Introdução à Teoria dos Quatro Discursos. Campinas, SP: Vide Editorial, 2014.
[3]GALLIAN, op. cit., p. 63.
[4]PETERSON, Jordan. Maps of Meaning. The Architecture of Belief. New York & London: Routledge, 1999.
[5]GALLIAN, op. cit., p. 61.
[6]Ibid., p. 64.
[7]Ibid., p. 134.
[8]YALE, Universidade de. A Educação Superior e o Resgate Intelectual. O Relatório de Yale de 1828. Campinas, SP: Vide Editorial, 2016.

segunda-feira, 26 de março de 2018

OFICINA - APRENDIZAGEM POTENCIALIZADA

APRENDIZAGEM POTENCIALIZADA




Esta oficina tem como objetivo potencializar as capacidades do aluno em estudar e aprender com base na neuropedagogia e em legados culturais de experiências pedagógicas acumuladas ao longo dos séculos. O aluno aprenderá mais sobre sua motivação para o estudo e aprenderá como organizar sua rotina de trabalho de uma forma eficaz.

Oficina de 8 horas – Manhã e Tarde

Número de Participantes: Até 20 alunos


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

MANHÃ – BASES DA APRENDIZAGEM E AUTOCONHECIMENTO

Diagnóstico situacional e Autoconhecimento. O valor da vontade e da atenção para a inteligência. Propósitos e Orientação de vida. Modos de Atenção. Controle do Foco e do Tempo. O Sono. A Alimentação. Memória de Trabalho e Memória Profunda. Como estudar? Revisão Noturna e Apontamento de Prioridades. Estudo de Cima para Baixo e de Baixo para Cima. Formação do Imaginário. Ilusões de Competência. A Pirâmide de Aprendizagem. Juntando os Pontos.


TARDE – VIDA DE ESTUDOS E PLANEJAMENTO DA ROTINA

Diagnóstico de Engajamento no Estudo. Sessões de Estudo Concentrado e Rompimento da Trava (Einstellung). A importância do caderno de notas. Revisão Ativa do Conteúdo. Procrastinação, sempre um mal? O Universo de Conhecimentos. A importância de um mentor e de um bom grupo de amigos. O Valor de ser testado. O Valor de ser criticado. Como fazer provas. Humildade e Aprendizagem. O Valor do Autoconhecimento e o Mapeamento da Ignorância. Orientações para Leituras e tipos de Leitura. Suspension of Disbelief. Aprender a Escrever. Planejamento da Rotina de Estudos.


Hélio Angotti Neto é médico pela Universidade Federal do Espírito Santo com residência em oftalmologia pela Universidade de São Paulo, onde obteve Doutorado em Medicina. É Diretor Editorial da Revista Mirabilia Medicinæ, sediada no Instituto de Estudos Medievais da Universidade Autônoma de Barcelona e coordena o Curso de Medicina do Centro Universitário do Espírito Santo. É Presidente do Capítulo de História de Medicina da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (triênio 2017-2020) e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Mora no Espírito Santo com sua esposa Joana e seus dois filhos, Arthur e Heitor, e é Presbítero na 3ª Igreja Presbiteriana de Colatina.