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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

NA CONTRAMÃO DA BIOÉTICA CONTEMPORÂNEA


Em um daqueles grupos de aplicativos de smartphone sobre Cuidados Paliativos com 580 membros, Luciana Dadalto, uma advogada estudiosa da bioética, lança a seguinte sentença sobre mim logo após um médico compartilhar um texto que eu escrevera há alguns meses sobre a normativa do Conselho Federal de Medicina que regulamenta o direito de recusa terapêutica do paciente e o de objeção de consciência do médico:
"Na contramão da bioética contemporânea. O Hélio é bioeticista hipocrático, que fundamenta todas as suas opiniões no paternalismo, além de ter um forte viés religioso."

Como ela referiu-se a mim em público, cabe uma breve exposição do que eu mesmo sei sobre minha pessoa e sobre minha obra no campo da bioética, aproveitando a pérola que foi essa concisa e concentrada sequência de pseudoargumentação erística que foi lançada.

Ponto 1 – Na contramão da bioética contemporânea
É preciso deixar bem claro, logo aqui no início, que não há “uma” bioética contemporânea. Há diversas linhagens, diversas metodologias e diversos entendimentos de cada linhagem e metodologia empregada. Há bioéticas secularistas e há bioéticas religiosas, só para se ter um exemplo.
Já tive a oportunidade de traçar raízes filosóficas de diversas linhagens contemporâneas da bioética em alguns de meus escritos. No caso das bioéticas de caráter cristão (há várias dentro desse grupo) há raízes que vão além do próprio Cristianismo e regridem aos tempos pitagóricos, segundo alguns historiadores como Ludwig Edelstein, que afirma ser justamente nos pitagóricos que os médicos hipocráticos, precursores dos médicos cristãos, foram fincar suas origens ideológicas.
No caso da bioética utilitarista, há raízes hedonistas de linhagem epicurista, raízes materialistas de origem em Demócrito e raízes evolucionistas de origem em Lucrécio, só para citar algumas fontes. Dessas fontes antiquíssimas também deriva o ideário que forneceu solo para o crescimento do Transumanismo, importante ramo da bioética que vê com otimismo a tecnologia e a capacidade de o ser humano transcender a si mesmo.
Há ligações por toda parte, raízes profundas que carreiam as mesmas ideias de sempre, travestidas de novas máscaras sob novas tecnologias, antigos anseios e crenças da humanidade que reemergem em diferentes momentos da história.
Eu não sei exatamente de qual bioética contemporânea Luciana Dadalto afirma que eu estou na contramão. O que posso afirmar é que estou contra elementos bioéticos que propalam a eutanásia, o suicídio assistido e o aborto, com certeza. Se essa é a essência do que Luciana afirma ser contemporâneo, podem dizer sim que estou na contramão. Ainda sou daqueles que considera ser papel de um executor ou torturador o de matar alguém, e não de um médico.
Agora, se bioética contemporânea for outra coisa, já fica difícil responder.
Aliás, eis um dos aspectos marcantes do hipocratismo na bioética: a defesa da vida humana. Sobre o tão mal falado paternalismo hipocrático, falo adiante.
Por fim, dizer que estou contra a bioética contemporânea equivaleria a lançar mão de um argumentum ad populum, no qual é considerado errado ou desacreditado quem avança contra o consenso ou a opinião “popular” do momento. Quantidade de apoiadores não é critério de verdade, de beleza, de justiça ou de utilidade, haja visto o que aconteceu com Sócrates e Cristo, a eleição de Hitler como Chanceler na Alemanha do século passado ou o apoio acadêmico às ideias assassinas do comunismo. Dizer que minha opinião está na contramão de seja lá o que for a “bioética contemporânea” é criar uma falsa oposição por meio de um pseudoargumento que nem ad populum pode chegar a ser, no fim das contas, já que a base de comparação do que seja popular está indefinida.

Ponto 2 – Bioeticista hipocrático
Se hipocrático remeter ao respeito pela vida humana e à dedicação em protegê-la, ficaria muito honrado em ser sim um médico hipocrático. Quanto ao termo bioeticista, depende de quem interpreta.
Explico. Sou médico com especialização em oftalmologia e sou Doutor em Ciências. Estudo Filosofia e Bioética há cerca de vinte anos. No sentido socrático, ouso sim afirmar que sou um filósofo. No sentido acadêmico, não sou filósofo e tampouco sou bioeticista.
Todavia, se bioeticista é quem age, medita e escreve sobre Humanidades Médicas e Bioética, poderiam dizer sim por aí que o sou. Minha reflexão deriva de duas décadas de convívio com médicos, pacientes e suas famílias. Vivo a relação médico-paciente e dela retiro as experiências concretas e reais que me ajudam a enraizar minha reflexão filosófica na realidade.
Se alguém desejasse perguntar a mim como gostaria de ser denominado, não hesitaria: sou um médico cristão e hipocrático. Eu vivo a ética médica a cada momento em que acolho um paciente e em que sou convidado a participar de uma nova vida.
O único problema na terminologia adotada para me rotular é justamente o grande espantalho hipocrático que criaram por aí. Do que Luciana acredita que hipocrático seja, não tenho ideia, mas do que vejo por aí na Academia noto uma quase que completa ignorância dos originais hipocráticos. Sobre as falsas acusações que pesam contra o hipocratismo na saúde já escrevi em diversos artigos e em diversos livros (série Disbioética, A Morte da Medicina, A Tradição da Medicina, Arte Médica e Bioética: Vida, Valor e Verdade) e recomendo ao leitor que, caso tenha interesse, procure lá para saber com detalhes o que penso.
Quase tudo o que li sobre Hipócrates no ambiente editorial da bioética foi escrito por pessoas que aparentemente nunca leram os principais textos hipocráticos em sua integralidade, ou que deixaram de fazer a contextualização adequada com outras obras do mesmo período ou com trechos da mesma obra. É uma forma de analfabetismo funcional que repete fórmulas falsas e desgastadas e repassa uma velha mentira adiante, criada em sua origem por alguém burro, preguiçoso ou de má-fé.
Portanto, quando alguém que se diz bioeticista fala algo de Hipócrates, recomendo muita cautela. Na dúvida, leia os originais e tire suas próprias conclusões. Eu li e posso dizer que a ética presente nos textos hipocráticos não possui um paternalismo forte e, pelo contrário, respeita aspectos éticos e morais ainda vigentes e ainda considerados excelentes.
Considerando o contexto no qual se usa a expressão “bioeticista hipocrático”, sugere-se a aplicação de um rótulo odioso, além do tradicional e injusto espantalho que ronda o nome de Hipócrates no meio acadêmico da bioética.

Ponto 3 – Fundamenta todas as suas opiniões no paternalismo
Sobre onde fundamento minhas opiniões, sugiro novamente o acesso a minha obra escrita. Deixo bem clara a minha fundamentação na visão que Edmund Pellegrino tem do Bem do Paciente e também utilizo aportes filosóficos diversos, além dos cristãos. Está tudo lá.
Neste ponto discordo do juízo emitido sobre minha pessoa. O paternalismo não é uma virtude, um valor ou um princípio no qual alguém possa basear sua conduta ética em saúde, é uma forma pragmática de classificar uma ação em relação à autonomia do paciente e em relação à capacidade decisória deste e de seu médico. Luciana faria bem em meditar sobre minha obra se quiser afirmar de forma tão grandiosa que eu fundamento todas as minhas opiniões no paternalismo. Se leu, receio não ter ela compreendido o que escrevi, e acho sinceramente que sou melhor juiz acerca de minhas próprias opiniões e seus fundamentos do que ela.
De forma análoga, dizer que fundamento todas as minhas opiniões no paternalismo é algo tão estúpido quanto alguém afirmar da Luciana que ela fundamenta todas as opiniões dela com base no lucro e no mercado das ações movidas contra médicos. Isso poderia ser classificado como uma forma extremamente deturpada de ampliação indevida, isto é, tomar o todo por uma pequena parte que, além de tudo, foi distorcida e mal utilizada. No fim, é um fenômeno que julga o todo concreto da realidade por meio de abstrações falsas ou incompletas, algo típico da burrice modernista que tanto critiquei em minha breve história da ética no livro Bioética: Vida, Valor e Verdade.

Ponto 4 – Ter forte viés religioso
Sim, tenho viés cristão. Outros terão um viés ateu, outros islâmico, budista, Hare Krishna ou agnóstico. Uns mais coerentes, outros menos. Da perspectiva filosófica, todos temos uma religião, algo que nos liga a um sentido, mesmo que tal sentido seja a afirmação de que o sentido mesmo não existe, como ocorre no niilismo. É impossível não subscrever uma cosmovisão, uma forma de religião que pauta nossa perspectiva de mundo, de compreensão da realidade.
A visão secularista utilitarista da bioética é tão religiosa neste sentido quanto a visão ortodoxa, a católica ou a de alguns dos ramos do protestantismo cristão.
A questão não é ter forte viés religioso ou não, a questão é ser coerente e admitir que todos possuem uma série de pressupostos implícitos. Grande parte do esforço dialético e lógico da reflexão filosófica moral é justamente escavar tais pressupostos e trazê-los à tona para a melhor compreensão do que se afirma.
Logo, tenho um viés religioso, como todos têm, mesmo que não o admitam.
A conduta que considero idiota no sentido técnico (pesquise a etimologia de idiotes e compreenda as suas implicações) é a de que se tem uma visão imparcial, isto é, não comprometida com uma visão de mundo específica, enquanto se julga a perspectiva alheia como um pobre e prejudicado recorte da realidade. Diante da realidade, todas as nossas visões são abstrações mais ou menos completas, mais ou menos verdadeiras.
Se Luciana afirmou que tenho viés religioso como constatação simples, ela está certíssima. Se houve tentativa de menosprezar minha perspectiva ao rotular minha posição como religiosa, desqualificando minha opinião no grupo de discussão, lamento muito por ela e pelo preconceito burro que tal uso da expressão replica.
Reafirmo que tenho sim um viés religioso, pois busco continuamente me religar ao sentido da realidade. Só gostaria que o viés fosse realmente forte, pois sou muito menos forte em termos de convicção religiosa do que gostaria de ser, e a caminhada adiante em busca de virtude ainda é longa, para não dizer infinita.
O possível uso do rótulo “religioso” para desqualificar minha opinião equivaleria ao manjadíssimo argumentum ad hominem, no qual se tenta destruir um argumento com base nas características pessoais de quem o lançou.
Luciana Dadalto fez uma proeza, nisto acredito que todos poderíamos concordar. Ela foi capaz de condensar vários estratagemas erísticos nas poucas linhas de um aplicativo de mensagens. Para quem quiser saber mais sobre erística, recomendo a obra de Schopenhauer: Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão, um verdadeiro manual da trapaça discursiva por meio da manipulação psicológica. Não afirmaria que tal proeza seja fruto, porém, do uso de uma inteligência prodigiosa, pois quase toda a Academia brasileira recorre a esses recursos maliciosos de forma quase automática.
Infelizmente, isso é um típico exemplo do que é expressiva parte da Academia brasileira: uma cacofonia de insultos cínicos e golpes maliciosos de linguagem ao invés de argumentação sólida e evidências reais. E, infelizmente, não estou nem um pouco surpreso com a referência dispensada à minha pessoa, tampouco esperava algo melhor do que isso.

30 de dezembro de 2019

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

RECUSA TERAPÊUTICA E OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA NA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

Foi publicada em 16 de setembro de 2019, na Seção I do Diário Oficial da União, uma resolução do Conselho Federal de Medicina dedicada a estabelecer normas éticas para a recusa terapêutica por pacientes e objeção de consciência pelos médicos na relação médico-paciente.

Essas duas situações tocam profundamente nos princípios que regem a ética profissional ligada à saúde e, em especial, à ética médica, portadora de um antigo legado de valorização da vida humana em um contexto de excelência e beneficência.

A parte inicial da resolução trata da fundamentação legal do dispositivo, rememorando importantes conceitos como o da dignidade humana, a necessidade de consentimento do paciente salvo em casos de risco iminente de morte ou incapacidade decisória, as normativas éticas já estabelecidas para a medicina, o uso de diretivas antecipadas de vontade (dispostas na Resolução CFM 1.995/2012) e o papel de normatização e fiscalização do Conselho Federal de Medicina.

Embora o mau uso da expressão dignidade humana tenha sido motivo para que alguns bioeticistas se posicionassem contra tal noção, sua importância cultural e ética é inquestionável. Seja em sua forma religiosa, ligada à percepção da imagem de Deus no homem, seja em sua forma filosófica kantiana, elaborada em tempos mais recentes, que considera cada ser humano um fim em si mesmo, a noção de que cada vida humana possui dignidade é central para o esforço terapêutico da medicina e para um cuidado realmente humanizado com a pessoa. Na história da ética médica, segundo alguns historiadores como Ludwig Edelstein, tal conceito foi herdado dos pitagóricos pelos hipocráticos, que enxergavam em cada vida humana uma fagulha de divindade merecedora de respeito e proteção, assim como enxergavam em sua própria vida uma forma de sacerdócio, um comprometimento total do ser com os ideais mais elevados.

Ignorar a dignidade de cada ser humano e o papel sacerdotal do profissional é abrir portas para grandes erros do passado e do presente, como já foi feito por ideologias sangrentas como o comunismo e o nazismo, ou como ocorre quando algum ser humano é submetido a pesquisas antiéticas ou acontece a mercantilização vulgar da medicina.

É pela dignidade da vida humana que o médico compreende ser seu dever salvar alguém do risco iminente de morte, mesmo quando não autorizado expressamente a fazê-lo. É pela dignidade da vida humana que o médico busca reduzir ao máximo o impacto negativo da doença ou de sua própria terapia, seguindo o princípio da não-maleficência, o antigo primum non nocere

É por causa da dignidade de cada vida humana que, desde tempos hipocráticos, há um dever em tratar de forma respeitosa homens e mulheres, de todas as classes sociais, sem abusar da autoridade implícita da profissão. É por causa da dignidade humana que nobres médicos de regra ainda se colocam contra os horrores da eugenia e a favor da proteção dos membros mais frágeis e vulneráveis de nossa sociedade.

Com base no bem maior do paciente, é necessário considerar sua integridade e respeitar sua autonomia para decidir. Isso se reflete logo no primeiro artigo da resolução, que coloca a recusa terapêutica como direito do paciente a ser respeitado pelo médico. Mas tal decisão deve ser informada, um dos princípios essenciais da prática médica, para que o paciente realmente possa decidir com base na realidade de sua situação e com noções realmente adequadas sobre sua saúde.

O fato de informar o paciente requer sua lucidez aliada a um statusde capacidade decisória. Se o paciente for adulto, estiver lúcido e orientado no tempo e no espaço, e compreender o que está acontecendo consigo, ele estará em condições de decidir contra o tratamento, mesmo que isso o prejudique de alguma forma. Isso não impede que o médico lhe ofereça uma alternativa, ou um tratamento paliativo, como informa o segundo artigo da resolução. 

A ressalva, apontada no artigo 3º, ocorre quando o paciente não se encontra em um estado adequado para o exercício de sua autonomia. Entra aí o conceito de Escala Móvel, no qual doenças graves com risco à vida requerem maior grau de lucidez e autonomia por parte do paciente para que seja considerada efetiva a sua recusa terapêutica.

Caso o paciente seja menor de idade ou não apresente condições mentais de decidir, o médico deverá acionar as autoridades competentes, como a Polícia, o Conselho Tutelar ou o Ministério Público.

Entra em jogo também o princípio da Justiça, que visa ao bem comum, e o princípio amplo de beneficência, que visa o bem de terceiros ou, pelo menos, o impedimento de que algum mal seja feito a outrem. No caso de doença transmissível, risco à saúde de terceiros ou risco de contaminação que possa impactar a população, o médico deverá tomar as medidas necessárias para salvaguardar os demais além de seu paciente, tomando as devidas medidas necessárias para promover seu bem, mesmo que contra sua vontade ou, ao menos, proteger de alguma forma os demais.

O segundo parágrafo do quinto artigo aborda em especial o caso das gestantes, no qual é dever do médico e da mãe proteger o feto. Se uma decisão de recusa terapêutica da mãe prejudicar o feto, ocorre o que na resolução se denomina abuso de autoridade, devendo o médico intervir para promover o bem de ambos.

Caso a recusa terapêutica seja consumada, considerando que isso não deixa de ser uma quebra do princípio de beneficência terapêutica – ou biomédica – em prol de uma concentração moral no princípio de autonomia, o médico deve tomar as devidas providências para se resguardar profissionalmente. O fato deve ser anotado e assinado pelo paciente no prontuário e, caso haja risco de morte, contar com duas testemunhas, conforme dita o artigo 12. Quando não for possível um registro escrito por parte do paciente, recursos de áudio e vídeo podem ser utilizados desde que anexados digitalmente ao prontuário.

Embora o artigo 13 deixe claro que não tipifica infração ética de qualquer natureza o acolhimento da recusa terapêutica pelo médico, desde que tudo seja feito conforme essa resolução, é claro que há situações em que o próprio paciente ou seus familiares resolvem processar na esfera cível ou penal o médico, mediante a percepção de que este errou de alguma forma. É um risco inerente à profissão médica e não há como garantir que isso não ocorra.

Como o profissional médico de regra possui um forte apego à proteção de seus pacientes e, em nossa sociedade, ainda costuma valorizar a vida humana ao preservar parte do legado hipocrático, não é difícil de imaginar situações nas quais o profissional se recuse a aceitar a decisão do paciente não se tratar adequadamente. Eis a necessidade do dispositivo de objeção de consciência para o profissional.

Em casos de risco iminente de morte, é claro que o médico está eticamente autorizado – aliás, obrigado – a intervir com o intuito de salvar o paciente. Contudo, quando não houver risco imediato e grave, a resolução protege o direito de o paciente negar o tratamento proposto. Caso o médico discorde frontalmente da recusa terapêutica de seu paciente, deverá registrar sua posição no prontuário e comunicar o fato ao Diretor Técnico do local de seu trabalho ou ao Conselho Regional de Medicina, caso o atendimento tenha ocorrido em seu consultório particular.

A objeção de consciência do médico culminará em sua remoção do caso. O paciente deverá ser acompanhado por outro médico que concorde com a recusa terapêutica e faça as devidas adaptações no tratamento dispensado. Em uma situação na qual outro médico não esteja disponível e haja risco de agravo à saúde do paciente, o médico que alegou objeção de consciência deverá prestar auxílio pelo tempo necessário.

Em toda essa resolução, ficam muito claras algumas das virtudes e princípios exercidos pelo médico desde os tempos pré-cristãos.

A possibilidade de recusa remete ao respeito e à lealdade dedicados ao paciente, que é o centro da relação terapêutica. Porém, lealdade não é uma subserviência arbitrária, pois, assim como o paciente, o médico também é uma criatura moral, ele é herdeiro de um código ético específico, de uma longa tradição hipocrática de beneficência mediada por diversos princípios e virtudes morais apreendidas de grandes modelos profissionais que marcaram as eras.

Cada ser humano merece exercer sua autonomia com dignidade, desde que não oblitere a liberdade alheia ou cause o mal a terceiros. Também não se deve dispor de bens inegociáveis como a vida e a liberdade. Tanto a vida quanto a liberdade são meios essenciais para a existência digna. Esse equilíbrio de respeito à autonomia, proteção à vida e dedicação profissional por meio do comprometimento pessoal em busca de excelência em prol do paciente é perceptível nessa resolução, transcrita integralmente ao fim deste artigo.

Também não é novidade nenhuma o fato de que pessoas se negam ao tratamento. Há relatos históricos que demonstram recusa terapêutica desde tempos antigos, mesmo nos escritos hipocráticos, como descrevi em meu livro Arte Médica, no qual abordo as características profissionais que perpassam as eras e discuto o mito do forte paternalismo hipocrático.

Ao reconhecer a autonomia tanto do paciente quanto do médico, respeitando o direito de objeção de consciência e mantendo a proteção à vida humana em todas as suas manifestações como ponto inegociável da profissão médica, essa resolução se insere na nobre tradição da medicina e promove uma necessária atualização de tais situações clínicas, presentes há séculos na prática médica.

Hélio Angotti Neto
18 de setembro de 2019
Brasília, DF - Brasil






RESOLUÇÃO CFM Nº 2.232/2019
Publicada no D.O.U. de 16 de setembro de 2019, Seção I, p. 113-4

Estabelece normas éticas para a recusa terapêutica por pacientes e objeção de consciência na relação médico-paciente.

O CONSELHO FEDERAL  DE MEDICINA,  no  uso das  atribuições  conferidas pela  Lei nº3.268, de 30 de setembro de 1957, alterada pela Lei nº11.000, de 15 de dezembro de 2004,  e regulamentada  pelo  Decreto nº44.045,  de  19 de  julho  de  1958,  e pela  Lei nº12.842, de 10 de julho de 2013,

CONSIDERANDO que a  Constituição  Federal (CF)  elegeu  a dignidade  da  pessoa humana como umdos fundamentos da República;

CONSIDERANDO o Código Penal (Decreto-Lei nº2.848, de 7 de dezembro de 1940), em especial o  inciso  I  do  § 3º  do  art. 146,  que  exclui a  tipicidade  da conduta  nos  casos de intervenção  médica  sem o  consentimento  do paciente,  se justificada  por iminente  perigo de morte;

CONSIDERANDO o disposto  no  Código Civil  (Lei  nº10.406, de  10  de janeiro  de  2012) em relação à capacidade civil, à autonomia do paciente e ao abuso de direito;

CONSIDERANDO o Estatuto  da Criança  e  do Adolescente  (Lei  nº8.069, de  13  de julho de 1990);

CONSIDERANDO que a Lei  nº10.216,  de 6  de  abril de  2001,  assegura direitos  e proteção  a pessoas  com  transtorno mental  e  autoriza sua  internação  e tratamento involuntários ou compulsórios;

CONSIDERANDO o normatizado pelo Código de Ética Médica em relação aos direitos e deveres dos médicos e a autonomia dos pacientes;

CONSIDERANDO a Resolução  CFM nº1.995/2012,  que  dispõe sobre  as  diretivas antecipadas de vontade;

CONSIDERANDO que os  Conselhos  de Medicina  são,  ao mesmo  tempo,  julgadores e disciplinadores da classe médica, cabendo a eles zelar e trabalhar, com todos os meios a seu  alcance,  pelo perfeito  desempenho  ético da  medicina,  pelo prestígio  e  pelo bom conceito da profissão e dos que a exercem legalmente; e

CONSIDERANDO o decidido na sessão plenária de 17 de julho de 2019,

RESOLVE:

Art. 1ºA  recusa  terapêutica é,  nos  termos da  legislação  vigente e  na  forma desta Resolução,  um  direito do  paciente  a ser  respeitado  pelo médico,  desde  que esse  o informe dos riscos e das consequências previsíveis de sua decisão.

Art.  2º É  assegurado ao  paciente maior de  idade, capaz,  lúcido,  orientado e  consciente, no momento da decisão, o direito de recusa à terapêutica proposta em tratamento eletivo, de acordo com a legislação vigente. 

Parágrafo único. O médico, diante da recusa terapêutica do paciente, pode propor outro tratamento quando disponível.

Art.  3º Em  situações  de risco  relevante  à saúde,  o  médico não  deve  aceitar a  recusa terapêutica de paciente menor de idade ou de adulto que não esteja no pleno uso de suas faculdades  mentais, independentemente  de  estarem representados  ou  assistidos por terceiros.

Art.  4º Em  caso de  discordância  insuperável entre  o  médico e  o  representante legal, assistente  legal  ou familiares  do  paciente menor  ou  incapaz quanto  à  terapêutica proposta,  o médico  deve  comunicar o  fato  às autoridades  competentes  (Ministério Público, Polícia, Conselho Tutelar etc.), visando o melhor interesse do paciente.

Art. 5º A recusa terapêutica não deve ser aceita pelo médico quando caracterizar abuso de direito.

§ 1º Caracteriza abuso de direito:

I –A recusa terapêutica que coloque em risco a saúde de terceiros.

II –A recusa  terapêutica  ao tratamento  de  doença transmissível  ou  de qualquer  outra condição semelhante que exponha a população a risco de contaminação.

§ 2º A recusa terapêutica manifestada por gestante deve ser analisada na perspectiva do binômio  mãe/feto, podendo  o  ato de  vontade  da mãe  caracterizar  abuso de  direito  dela em relação ao feto.

Art.   6º O   médico   assistente  em   estabelecimento   de  saúde,   ao   rejeitar  a   recusa terapêutica  do paciente,  na  forma prevista  nos  artigos 3º  e  4º desta  Resolução,  deverá registrar  o fato  no  prontuário e  comunicá-lo  ao diretor  técnico  para que  este  tome as providências  necessárias  perante as  autoridades  competentes, visando  assegurar  o tratamento proposto.

Art. 7ºÉ  direito  do médico  a  objeção de  consciência  diante da  recusa  terapêutica do paciente.

Art. 8ºObjeção de consciência é o direito do médico de se abster do atendimento diante da recusa terapêutica  do paciente,  não  realizando atos médicos  que,  embora permitidos por lei, sejam contrários aos ditames de sua consciência.

Art.  9º A  interrupção  da relação  do  médico com  o  paciente por  objeção  de consciência impõe  ao  médico o  dever  de comunicar  o  fato ao  diretor  técnico do  estabelecimento  de saúde, visando  garantir  a continuidade  da  assistência por  outro  médico, dentro  de  suas competências.

Parágrafo  único. Em   caso  de   assistência   prestada  em   consultório, fora   de estabelecimento de saúde, o médico deve registrar no prontuário a interrupção da relação com o paciente por objeção de consciência, dando ciência a ele, por escrito, e podendo, a seu critério, comunicar o fato ao Conselho Regional de Medicina.

Art.  10. Na  ausência  de outro  médico, em  casos de  urgência  e emergência  e  quando a recusa terapêutica trouxer danos previsíveis à saúde do paciente, a relação com ele não pode ser interrompida por objeção de consciência, devendo o médico adotar o tratamento indicado, independentemente da recusa terapêutica do paciente.

Art.  11. Em  situações  de urgência  e  emergência que  caracterizarem  iminente perigo  de morte,  o médico  deve  adotar todas  as  medidas necessárias  e  reconhecidas para preservar a vida do paciente, independentemente da recusa terapêutica.

Art.  12. A  recusa terapêutica  regulamentada  nesta Resolução  deve  ser prestada, preferencialmente, por escrito e perante duas testemunhas quando a falta do tratamento recusado expuser o paciente a perigo de morte.

Parágrafo único. São admitidos outros meios de registro da recusa terapêutica quando o paciente  não puder  prestá-la  por escrito,  desde  que o  meio  empregado, incluindo tecnologia  com  áudio e  vídeo,  permita sua  preservação  e inserção  no  respectivo prontuário.

Art.   13. Não   tipifica   infração  ética de   qualquer   natureza,  inclusive   omissiva,   o acolhimento,  pelo médico,  da  recusa terapêutica  prestada  na forma  prevista  nesta Resolução.

Art.  14. Revoga-se a Resolução  CFM  nº1.021/1980, publicada  no  D.O.U. de  22  de outubro de 1980, seção I, parte II.

Art. 15. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, DF, 17 de julho de 2019.

CARLOS VITAL TAVARES CORRÊA LIMA
Presidente

HENRIQUE BATISTA E SILVA
Secretário-geral

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Was Hippocratic Medicine Authoritarian?

Was Hippocratic Medicine Authoritarian?
Author: Hélio Angotti Neto
KEYWORDS: Hippocrates, Medical Ethics, History of Medicine, Paternalism, Authoritarianism, Physician-Patient Relationship.


I. Introduction
Hippocratic Medicine became a taboo in our times. The Hippocratic tradition, rich and complex as it can be, receive accusations of irresponsibility toward social issues. In addition, physicians that worked or, allegedly, work under such an inspiration are seen as paternalists and authoritarians by many authors, professors, and even common folk. This article searches for an answer for the following questions: (1) Did the Hippocratic physicians of old were really paternalists in the strong sense of the term (all knowing and authoritarians, undermining the autonomy of the patient and their families)? (2) If not, how they practiced medicine considering their patients, their families and their colleagues?

II. Hippocrates and the authoritarian origins of medicine
The contemporary vision of Hippocratic ethical tradition is one of authoritarianism, paternalism, forceful beneficence and disrespectful stance, with an arrogance that cannot stand the autonomy of the patient. To some critics, the ancient model remained until very recently, perpetuating paternalism in some kind similar to a Dark Age of medical ethics, now enlightened by modern bioethics.
In a publication of the Regional Medical Council of São Paulo (Siqueira 2005, p.14) we can read:
(…) traditional medical ethics, as conceived in the Hippocratic model, has a strong paternalist appeal (…). Only in the sixties, medical ethical codes started to acknowledge the infirm as an autonomous agent.
Even in the probably most important book of bioethics in the world (Beauchamp & Childress 2013, p.1), they present the Hippocratic tradition as:
(…) not well equipped to address problems such as informed consent, privacy, access to health care, communal and public health responsibilities, and research involving humans subjects as these appeared in the modern context, and its paternalistic orientation  provoked resistance from advocates of patient’s rights.
The judgement of what was good for the patient, according to many critics, was an exclusivity of the physician, who reduced the patient to a complete vulnerable and dependent state (Cascais 2006, p. 1011). Only the physician retained the scientific knowledge; therefore, only he decided, without any concern for the patient’s will or participation (Ligiera 2005, p. 410-427).
This conception of an inadequate old medicine when someone evokes Hippocrates is commonplace in contemporary Academy. In the New England Journal of Medicine (Kapp 1999, p. 821), one can read that:
Gone are the days of medical paternalism, when arrogant health care professionals misused their power to force particular treatments on dependent patients who blindly trusted them.
This excerpt, from one of the most important medical journals in the world, is given as common knowledge, without any original text to justify it, and is referred directly by other authors (Silva & Nunes 2015, p.475) as proof for what they say in other article, as shown in the following excerpt:
Authority and responsibility, once an exclusive domain of the physician in medicine, are now shared with the patient, who is given, as a mentally and emotionally capable individual, the freedom to choose from several options. The risks and benefits related to those options should be explained in advance.
What, perhaps, was something accepted in the Academy with some valid justification is now reproduced inside the Academy itself without none, except for the repetition of many precious opinions.
Even if the justification for this authoritarian image of traditional medicine was adequate, the reproduction of such conclusion without adequate sources can turn common knowledge into prejudice. We fear that such can be the case with the Hippocratic moral tradition in medicine.
Resuming all the accusations:
(1)  Traditional Hippocratic physicians took for themselves all the authority and responsibility over the patient, disregarding patient’s autonomy to choose;
(2)  Physicians were arrogant and imposed their treatments on their patients;
(3)  Patients blindly trusted their physicians.
Searching in the Hippocratic originals, we will see if we can consider valid each one of these accusations. 
If the answer is positive - the accusations are valid and, therefore, just -, academic literature concerning Hippocrates is mostly right, and, perhaps, the accusations of romantic idealization directed to some defenders of Hippocratic tradition is adequate.
If the answer is negative, and the original texts of Hippocrates and philosophers of his time could deny the accusations, we can assume that a great historic injustice has been committed against traditional Hippocratic medicine. 
In addition, to assume that traditional Hippocratic medicine is not textually and systematically authoritarian is not the same as assuming that no physician was authoritarian, and vice-versa.
Considering the word “paternalist”, I will prefer, instead, the use of “authoritarian”, for the previous word carries a strong emotional rejection and can arise many wrong prejudices that will only confuse the exposition, and risk an incorrect interpretation, disregarding the many subtleties of the concept, varying from a strong to an weak form. The word “paternalism”, probably since the publication of the “Authoritarian Personality” (Adorno et al. 1950), became something almost as terrible as Nazi or sexist, and it could rightly be interpreted as a Hateful Labeling, a traditional eristic stratagem, according to Schopenhauer (2003). To use authoritarian, we want to approach paternalism in the strongest sense possible, as we seen in many accusations nowadays. 

III. The answer of the Hippocratic corpus and other classic texts
Accusation (1): Traditional Hippocratic physicians took for themselves all the authority and responsibility over the patient, disregarding patient’s autonomy to choose.
Many excerpts from the Hippocratic tradition completely deny this accusation.
I. Life is short, the Art long, opportunity fleeting, experiment treacherous, and judgment difficult. The physician must be ready, not only to do his duty himself, but also to secure the co-operation of the patient, of the attendants and of externals (Hippocrates & Heracleitus 1931).[1]
The first aphorism explicitly shows that the physician must search for the co-operation of other people, including the patient and his family. The good was not a duty only for the physician. It was something that should be accomplished by everyone surrounding the patient, and the patient himself.
LXIX. Such is my advice to the great mass of mankind, who of necessity live a haphazard life without the chance of neglecting everything to concentrate on taking care of their health. (Hippocrates & Heracleitus 1931).[2]
This passage shows that the Hippocratic writings were primarily educational instruments. Some of the Hippocratic authors expected that their writings could reach many hands and educate the “great mass of humanity”. To share knowledge hardly is compatible with an authoritarian accumulation of responsibility and power. Neither is compatible the understanding that the patient should co-operate: “The physician is the servant of the art. The patient must co-operate with the physician in combating the disease” (Hippocrates 1923a).[3]
This excerpt from Epidemics Ialso emphasizes the importance that the patient has in the therapeutic act, sharing responsibility with the Hippocratic doctor:“Do not hesitate to inquire of laymen, if thereby there seems likely to result any improvement in treatment” (Hippocrates 1923a).[4]
In the work Precepts, teamwork is remembered in the following situation:
VIII. So much for such recommendations. For remission and aggravation of a disease require respectively less or more medical assistance. A physician does not violate etiquette even if, being in difficulties on occasion over a patient and in the dark through inexperience, he should urge the calling in of others, in order to learn by consultation the truth about the case, and in order that there may be fellow-workers to afford abundant help. For when a diseased condition is stubborn and the evil grows, in the perplexity of the moment most things go wrong (Hippocrates 1923a).[5]
This clear prescription of humility and teamwork for the physician do not resemble an authoritarian, all-knowing, professional. In fact, it shows only a physician truly devoted to the patient’s good, ready to call for help if needed, be such help from other physicians, from the patient, or from their families. A very “contemporary” demand on medicine, indeed.
The disposition to educate the patient is clearly demonstrated. Why teach someone if not to expect an active role of the patient in the therapeutic act?
IX. A wise man should consider that health is the greatest of human blessings, and learn how by his own thought to derive benefit in his illnesses. (Hippocrates & Heracleitus 1931).[6]
The physician was rightly acknowledged as an authority in healthcare matters. The wise man urged everyone to heed physicians’ counsels. In the following passage, Plato shows that choosing to whom one should listen is a common happening:
7. Socrates. Come then, what used we to say about this? If a man is an athlete and makes that his business, does he pay attention to every man’s praise and blame and opinion or to those of one man only who is a physician or a trainer?
Crito. To those of one man only (Plato 1914).[7]
To choose a physician is not an imposition. It appears to be the most reasonable thing to do. However, the possibility of acting in an irrational way is not excluded. It is the patient who chooses, it is him who invites the physician to enter his house, under the vow of silence.
soc. And whether their mentor be poor or rich will make no difference to the Athenians when they deliberate for the health of the citizens; all that they require of their counsellor is that he be a physician (Plato 1927).[8]
The excerpt above, from Alcibiades I, shows that the ruling citizens of the Poliscalled physicians to listen to their counsels. Again, the physician act as an invited counselor, as the one who shows the way to achieve better health. The possibility of denying what the physician counsels is present, thus, the initiative of the patient or collectivity is present somehow.

Accusation (2): Physicians were arrogant and imposed their treatments on their patients.
One image comes to mind when I read some commentaries from nowadays bioethicists: an imposing and almost violent doctor forcing bad tasting medicine down the throats of helpless patients. This is a strong image, but false, at least when we appeal to ancient descriptions of medical-patient relationships. 
Someone can argue that the selection of Hippocratic works only is not sufficient, and more testimonies are necessary. However, even when those descriptions come from other sources than the Hippocratic writings, the aspects that were observed in Hippocratic texts are still present. In the work of Plato we can read:
str. Suppose a physician who has right knowledge of his profession does not persuade, but forces, his patient, whether man, woman, or child, to do the better thing, though it be contrary to the written precepts, what will such violence be called? The last name in the world to call it would be “unscientific and baneful error,” as the phrase is, would it not? And the patient so forced might rightly say anything else rather than that he had been treated in a baneful or unscientific way by the physicians who used force upon him.
y. soc. Very true (Plato 1925b).[9]
It may be surprising for some to see the expression violence linked to the disrespectful act against patient’s autonomy at that ancient period, but it is described as such in the work The statesmanfrom Plato. To describe this act of imposing treatment as violence presupposes the choice of the therapy by the patient before it starts as a parameter, it presupposes patient’s agreement. 

Accusation (3): Patients blindly trusted their physicians.
Patients appear to have a very active role in the medical-patient relationship, deciding if they would allow or not the physician to do his work, and even sometimes, distrusting the physician and denying treatment, which is something very far from  a blind-trusting patient. In the famous dialogue Gorgias, Plato describes a physician requiring help to persuade a patient.
Gorg. Ah yes, if you knew all, Socrates,—how it comprises in itself practically all powers at once! And I will tell you a striking proof of this: many and many a time have I gone with my brother or other doctors to visit one of their patients, and found him unwilling either to take medicine or submit to the surgeon’s knife or cautery; and when the doctor failed to persuade him I succeeded, by no other art than that of rhetoric (Plato 1925a).[10]
This passage of Gorgias reveals that patients could deny their physicians prescriptions, and shows a physician very different from the imposing figure described sometimes. The physician appears to ask compliance from the patient, knowing that he is an invited person, and has only the authority that the patient gives to him.
XII. On entering bear in mind your manner of sitting, reserve, arrangement of dress, decisive utterance, brevity of speech, composure, bedside manners, care, replies to objections, calm self-control to meet the troubles that occur, rebuke of disturbance, readiness to do what has to be done. In addition to these things be careful of your first preparation. Failing this, make no further mistake in the matters wherefrom instructions are given for readiness (Hippocrates 1923b).[11]
In this Hippocratic text, the physician deals with the possibility of objection from the patient. Again, an image very different from the accusation of docile patients, blindly trusting in their doctors.

IV. Conclusions and Discussion
There are many other references to the relation between physicians and patients or laypeople present in the works of ancient Greece physicians and philosophers, but for now, we believe these samples can answer our main questions.
(1) Did the Hippocratic physicians of old were authoritarian? 
After revising many ancient texts close to the time of Hippocrates, one cannot affirm that physicians were authoritarian because they followed Hippocratic morality. Therefore, the contemporary references to the authoritarianism – or very strong paternalism - of Hippocratic medicine should be better analyzed, and the true historical root of the authority problem ought to be searched. This conclusion does not affirm that no physician of old was authoritarian. Even today, in times of patient autonomy rising over other principles of action, one may encounter an authoritarian physician who has nothing of Hippocratic per se
(2) If not, how they practiced medicine considering their patients, their families and their colleagues?
Considering these original texts - a small but representative sample -, one can conclude that Hippocratic physicians were generally used to: (a) expect some collaboration from the patients and their families; (b) divide responsibility with other physicians and even layman, according to the situation; (c) try to convince their patients of the adequate treatment; (d) educate layman using written texts and, probably, oral learning; and (e) depend on their patients consent.
This historic frame differs much from the authoritarian figure evoked by many contemporary bioethicists and researches. Although the majority of the Academy appears to disavow traditional Hippocratic ethics, some researchers judge better the essential aspects of this tradition, and reach more equilibrated conclusions.
The great humanist physician, Pedro Laín Entralgo, for example, recognizes in his classic work “La Medicina Hipocrática” that the objectives of the Hippocratic physician included education of the patient, among many others.
As an expert in medicine and in the knowledge of human nature, the Hippocratic physician feels himself obligated to teach the profane. Primarily, to allow that this one, enlightened by the physician, could live in a more salutary way when healthy and could better help the physician when diseased.
 Second, because the physician’s experience could be greater and deeper if his patients received certain information about diseases and their treatments. 
Finally, because the formation of the learned man, thepaideia, demands the learning from those who truly knew, and the physician is, among all, the most qualified knower of the man’s physiology. The Hippocratic writer wants to intervene in the education of his people, especially of those citizens who, because of their social status in the polis, had the duty to possess culture” (Lain-Entralgo 1970).[12]
Actual researches, like Fabrice Joterrand, also examine the Hippocratic tradition with less prejudice, concluding that the Hippocratic Oath, for example, is a particularistic vision of the universal aspects of medical morality, and that can be used, even today, with some caution (Joterrand 2005).
Beier and Ianotti conclude, in a much adequate way, after analyzing many Hippocratic writings, that:
The Hippocratism is considered, not a few times, strongly paternalist, in the medical-patient relationship. However, after the close study of many passages in some Hippocratic works, one must admit the possibility that such paternalism was not strong, but moderate” (Beier & Ianotti 2010).[13]
It may be that the modern physician’s authoritarian character perceived by many patients, scholars and even physicians themselves is a product of Illuminist ideology, with its mechanicism and naturalism, in which the physician assumes the cold and powerful role of a technocrat. However, this hypothesis is to be discussed in another opportunity.
Concluding, the Hippocratic medical tradition cannot be termed as authoritarian – or strongly paternalist -, as many scholars affirm today. The Bioethics discourse may be influenced by some ideological biasin its judgement of past moral traditions, and Academy must review the way it refers to Hippocratic tradition if it wants to remain true to history and written legacies from the past. We should at least acknowledge the complexity and richness of the Hippocratic tradition and its developments in western civilization, avoiding simple generalizations that can undermine our capacity to understand our cultural roots. 
In a remarkable conference at the UNESCO International Symposium “Forms and Dynamics of Exclusion”, in Paris, 1997, the Brazilian philosopher Olavo de Carvalho remembered us that:
To reengage the dialogue with the past is to reconquer de sense of human unity. To try to reintegrate into humankind this or that group that remains today among the excluded and discriminated without revoking before the discrimination against all humanity that preceded us would be an insanity (Carvalho 1997).[14]
If we do not understand our past and find the universal connections that link human experiences along the centuries, we would hardly be prepared to face our present and our future.

Bibliography
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Hélio Angotti Neto is a Medical Doctor graduated at the Federal University of Espírito Santo, and has a Medical Residency in Ophthalmology and a PhD in Sciences from the Faculty of Medicine of the University of São Paulo. He acts as Professor and Coordinator of the Medicine Course of the University Center of Espírito Santo. He is President of the Chapter of History of Medicine of the Brazilian Society of Clinical Medicine (Triennium 2017-2020), member of the Brazilian Council of Ophthalmology and Delegate of the Regional Council of Medicine in the city of Colatina, at Espírito Santo, Brazil (2018-2023). He was a Global Scholar of the Center for Bioethics and Human Dignity of Trinity International University in 2016 (Illinois, USA) and is the Editorial Director of Mirabilia Medicinae, a publication in Medical Humanities hosted by the Institut d'Estudis Medievals of the Autonomous University of Barcelona. He published several books: The Death of Medicine; The Tradition of Medicine; Dysbioethics Volume 1: Reflections on a strange ethics; Dysbioethics Volume 2: New Reflections on a Strange Ethics; Dysbioethics Volume 3: The Extermination of Tomorrow; Medical Art: From Hippocrates to Christ; besides several chapters of books and articles in Ophthalmology, Bioethics, Politics and Medical Humanities. Creator and Coordinator of the Seminar of Philosophy Applied on Medicine. He is Presbyter of the 3rd Presbyterian Church of Colatina. Married to Joan and father to Arthur, Hector and Andrew.

[1]I. Ὁβίοςβραχύςἡδὲτέχνημακρήὁδὲ καιρὸςὀξύςἡδὲπεῖρασφαλερήἡδὲκρίσιςχαλεπήδεῖδὲοὐμόνονἑωυτὸνπαρέχειντὰδέονταποιέονταἀλλὰκαὶτὸννοσέοντα καὶτοὺςπαρεόνταςκαὶτὰἔξωθεν. Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 98-99.
[2]LXIX. Ταῦταμὲνπαραινέωτῷπλήθειτῶνἀνθρώπωνὁκόσοισινἐξἀνάγκηςεἰκῆτὸνβίονδιατελεῖνἐστίμηδ᾿ὑπάρχειαὐτοῖσιτῶνἄλλωνἀμελήσασιτῆςὑγιείηςἐπιμελεῖσθαι·Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 366-367.
[3]ἡτέχνηδιὰτριῶντὸνόσημακαὶὁνοσέωνκαὶὁἰητρός·ὁἰητρὸςὑπηρέτηςτῆςτέχνης·ὑπεναντιοῦσθαιτῷνοσήματιτὸννοσέοντα μετὰτοῦἰητροῦ.Hippocrates. Ancient Medicine. Airs, Waters, Places. Epidemics 1 and 3. The Oath. Precepts. Nutriment. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 147. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 146-147.
[4]μὴὀκνεῖνδὲπαρὰ ἰδιωτέωνἱστορεῖνἤντιδοκῇσυνοίσεινἐςκαιρὸνθεραπείης.Hippocrates. Ancient Medicine. Airs, Waters, Places. Epidemics 1 and 3. The Oath. Precepts. Nutriment. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 147. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 312-313.
[5]VIII. Περὶσημασίηςτοιαύτηςἅλιςἔστω·ἄνεσιςγὰρκαὶἐπίτασιςνοσέοντοςἐπινέμησινἰητρικὴνκέχρηνταιοὐκἀσχήμων δέοὐδ᾿ἤντιςἰητρὸςστενοχωρέωντῷπαρεόντι ἐπίτινινοσέοντικαὶἐπισκοτεόμενοςτῇἀπειρίῃκελεύῃκαὶἑτέρουςἐσάγεινεἵνεκατοῦἐκκοινολογίηςἱστορῆσαιτὰπερὶτὸννοσέοντακαὶσυνεργοὺςγενέσθαιἐςεὐπορίηνβοηθήσιοςἐνγὰρκακοπαθείηςπαρεδρίῃἐπιτείνοντοςτοῦπάθεοςδι᾿10ἀπορίηντὰπλεῖσταἐκκλίνουσιτῷπαρέοντι. Hippocrates. Ancient Medicine. Airs, Waters, Places. Epidemics 1 and 3. The Oath. Precepts. Nutriment. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 147. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 312-313.
[6]IX. Ἄνδραδὲ χρήὅς ἐστισυνετόςλογισάμενονὅτιτοῖσινἀνθρώποισιπλείστουἄξιόνἐστινὑγιείηἐπίστασθαιἐκ τῆςἑωυτοῦγνώμηςἐντῇσινούσοισινὠφελεῖσθαι. Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 58-59.
[7]7. ΣΩΚΡΑΤΗΣΦέρεδήπῶςαὖτὰτοιαῦτα Bἐλέγετογυμναζόμενοςἀνὴρκαὶτοῦτοπράττωνπότερονπαντὸςἀνδρὸςἐπαίνῳκαὶψόγῳκαὶδόξῃτὸννοῦνπροσέχειἢἑνὸςμόνουἐκείνουὃςἄντυγχάνῃἰατρὸςἢπαιδοτρίβηςὤν;
ΚΡΙΤΩΝἙνὸςμόνου.
Plato. Euthyphro. Apology. Crito. Phaedo. Phaedrus. Translated by Harold North Fowler. Loeb Classical Library 36. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1914, p. 162-165.
[8]ΣΩἈλλ᾿ἐάντεπένηςἐάντεπλούσιοςᾖὁπαραινῶνοὐδὲνδιοίσειἈθηναίοιςὅτανπερὶτῶν ἐντῇπόλειβουλεύωνταιπῶςἂνὑγιαίνοιενἀλλὰζητοῦσινἰατρὸνεἶναιτὸνσύμβουλον.Plato. Charmides. Alcibiades I and II. Hipparchus. The Lovers. Theages. Minos. Epinomis. Translated by W. R. M. Lamb. Loeb Classical Library 201. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1927, p. 110-111.
[9]ΞΕἌντιςἄραμὴπείθωντὸνἰατρευόμενονἔχωνδὲὀρθῶςτὴντέχνηνπαρὰτὰγεγραμμένατὸβέλτιονἀναγκάζῃδρᾶνπαῖδαἤτιναἄνδραἢκαὶγυναῖκατίτοὔνοματῆςβίαςἔσταιταύτηςἆρ᾿οὐπᾶνμᾶλλονἢτὸπαρὰτὴντέχνηνλεγόμενονἁμάρτημαCτὸνοσῶδεςκαὶπάνταὀρθῶςεἰπεῖνἔστιπρότεροντῷβιασθέντιπερὶτὸτοιοῦτονπλὴνὅτινοσώδηκαὶἄτεχναπέπονθενὑπὸτῶνβιασαμένωνἰατρῶν;
ΝΕΣΩἈληθέσταταλέγεις.
Plato. Statesman. Philebus. Ion. Translated by Harold North Fowler, W. R. M. Lamb. Loeb Classical Library 164. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1925, p. 140-141.
[10]ΓΟΡΓΕἰπάνταγεεἰδείηςΣώκρατεςὅτιὡςἔποςεἰπεῖνἁπάσαςτὰςδυνάμειςσυλλαβοῦσαὑφ᾿ Bαὑτῇἔχειμέγαδέσοιτεκμήριονἐρῶ·πολλάκιςγὰρἤδηἔγωγεμετὰτοῦἀδελφοῦκαὶμετὰτῶνἄλλωνἰατρῶνεἰσελθὼνπαράτινατῶνκαμνόντωνοὐχὶἐθέλονταφάρμακονπιεῖντεμεῖνκαῦσαιπαρασχεῖντῷἰατρῷοὐδυναμένουτοῦἰατροῦπεῖσαιἐγὼἔπεισαοὐκἄλλῃτέχνῃτῇῥητορικῇ. Plato. Lysis. Symposium. Gorgias. Translated by W. R. M. Lamb. Loeb Classical Library 166. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1925, p. 290-291.
[11]XII. Ἐνδὲτῇἐσόδῳμεμνῆσθαικαὶκαθέδρηςκαὶκαταστολῆςπεριστολῆςἀνακυριώσιοςβραχυλογίηςἀταρακτοποιησίηςπροσεδρίηςἐπιμελείηςἀντιλέξιοςπρὸςτὰἀπαντώμεναπρὸςτοὺςὄχλουςτοὺςἐπιγινομένουςεὐσταθείηςτῆςἐνἑωυτῷπρὸςτοὺςθορύβουςἐπιπλήξιοςπρὸςτὰςὑπουργίαςἑτοιμασίηςἐπὶτούτοισιμέμνησοπαρασκευῆςτῆςπρώτης·εἰδὲμήτὰκατ᾿ἄλλαἀδιάπτωτονἐξὧνπαραγγέλλεταιἐς ἑτοιμασίην.Hippocrates. Prognostic. Regimen in Acute Diseases. The Sacred Disease. The Art. Breaths. Law. Decorum. Physician (Ch. 1). Dentition. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 148. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 294-295.
[12]Como experto en medicina y en el conocimiento de la naturaliza humana, el médico hipocrático se siente en el deber de enseñar al profano (idiotes, dèmótés). Ante todo, para que éste, así ilustrado, viva de un modo más salubre cuando está sano y colabore mejor con el médico cuando llegue a enfermar.
En segundo lugar, porque la experiência del médico podrá ser más amplia y profunda si sus pacientes han recibido cierta información acerca de las enfermedades y su tratamiento.
Y por fin, porque la formación del hombre culto, la paideia, exige aprender de los que real y verdaderamente saben, y el médico es, entre todos ellos, el más calificado conocedor de la physiología del hombre. El tratadista hipocrático quiere intervenir en la educación de su pueblo, y muy especialmente en la de los ciudadanos que por su situación social en la polis tienen el deber de la cultura.
Lain-Entralgo, P. La Medicina Hipocrática. Madrid, Sp: Ediciones de la Revista del Occidente, 1970, p. 367.
[13]Não poucas vezes, considera-se que o hipocratismo se assenta sobre um paternalismo forte na relação médico-paciente. Entretanto, o estudo atento de passagens diversas em alguns dos livros do CH, levam a possibilidade de se admitir que esse paternalismo não era forte, mas moderado. Beier M; Ianotti GC. Paternalism and the hippocratic oath. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, Recife, 10 (Supl. 2): S383-S389 dez, 2010.
[14]Reencontrar o diálogo com o passado é reconquistar o sentido da unidade da espécie humana, e seria loucura pretender reintegrar na humanidade este ou aquele grupo que estejam hoje entre os excluídos e os discriminados, sem antes revogar a discriminação de toda a humanidade que nos precedeu. “Les plus exclus des exclus: Le Silence des morts comme modèle des vivants defendus de parler”, Conferece at the UNESCO International Symposium “Forms and Dynamics of Exclusion, Paris, June 22-26, 1997. In: Olavo de Carvalho, O Futuro do Pensamento Brasileiro: Estudos sobre o nosso lugar no mundo, 2a. edição, Rio de Janeiro, Faculdade da Cidade Editora, 1997, pp. 82-111. Internethttp://www.olavodecarvalho.org/textos/mais_excluidos.htm#nota1