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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

RUMOS DA ÉTICA MÉDICA

RUMOS DA ÉTICA MÉDICA BRASILEIRA

Tive a oportunidade de falar um pouco sobre o Juramento de Hipócrates, a Ética Médica, a Bioética e a identidade de um bom médico no Congresso Brasileiro de Clínica Médica em Belo Horizonte, no dia 06 de outubro de 2017.
A plateia presenta continha aproximadamente oitenta estudantes de medicina de diversas instituições[1]e médicos de diversos lugares do Brasil. 
Foi muito bom rever também alguns que foram alunos e hoje são colegas formados, como o Jackson, que participou do primeiro ciclo do SEFAM em 2012, e alunos que mudaram para outras instituições de ensino no decorrer da carreira acadêmica. Belo Horizonte ficou com a cara de Colatina ao ver também tantos alunos do UNESC participando do evento, interagindo nas palestras e exibindo trabalhos.
As perguntas durante a palestra foram bem instigantes, e poderiam render diversas outras apresentações. Além das curiosidades típicas do Juramento de Hipócrates e de seu contexto antigo e contemporâneo, colegas e alunos perguntaram a respeito do papel da Bioética na identidade atual do médico e a respeito dos atuais desvios éticos na medicina; perguntaram sobre Van Potter e o surgimento da Bioética e sobre como humanizar a medicina. 
Foram lembradas as situações humilhantes e desnecessárias que tantas vezes ocorrem na medicina ao invés do elo de respeito e profunda amizade entre mestres e aprendizes que se observa na ética tradicional e discutimos o que é ser corporativista e elitista no bom sentido.
Falamos sobre a preocupante experiência com a eutanásia, o aborto e o suicídio assistido nos países baixos, e como o Conselho Federal de Medicina já tentou aprovar certas medidas ligadas à Cultura da Morte nada populares anteriormente.
Os aspectos mais básicos da ética hipocrática foram ressaltados, e alguns espantalhos, como o paternalismo hipocrático, foram discutidos e contextualizados.
O ponto em que todos concordaram, provavelmente, foi o da percepção que dias difíceis chegaram para a medicina de qualidade no Brasil. Dias de submissão profissional a planos políticos e dias de massificação e perigosa mediocrização da profissão.
O tempo à frente não é fácil, vivemos os piores dos dias, e vivemos os melhores dos dias, em diferentes perspectivas. Há uma crise instalada e outra a caminho, que poderá mudar irremediavelmente a identidade do médico brasileiro e remexer a nossa qualidade profissional. 
Nesse cenário desafiador, antigos lembretes devem ser resgatados. Martin Luther King Jr. disse com muita propriedade que o problema não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. Também disse que no final, não nos lembraremos das palavras de nossos inimigos, mas do silêncio de nossos amigos. Somos chamados à coragem justamente nesses tempos de grande crise, e somos desafiados a resgatar o que há de melhor na identidade da nobre profissão médica.
Que os médicos ousem dedicar-se a manter acesa a chama da profissão médica e a transmitir aos mais novos o que de melhor recebemos de nossos predecessores. Que médicos exemplares dividam sua prática não somente com os pacientes, mas com a nova geração que precisa de bons exemplos. Negligenciar essa necessidade é trair os altos ideais profissionais que, por milênios, fizeram a medicina ser uma amada e respeitada profissão.
Que nós não possamos ser exemplos do conhecido poema de William Butler Yeats: “The best lack all conviction, while the worst are full of passionate intensity”. Sejamos os melhores, e sejamos intensos em nossa busca pela excelência e pelo bem do próximo.
Hélio Angotti Neto.
07 de outubro de 2017, Colatina – ES.


[1]Havia alunos da UVV, UNIFESO, Multivix, UNICSAL, UFAL, UEL, UFOB, FASA, UEPA, UNIPAM, UNOESTE, UFJF-GV, UFJVM e do UNESC.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A MEDICINA PÓS HIPOCRÁTICA


Tive a honra de prefaciar esta obra que, com certeza, trará novos ares para a Bioética brasileira.

"A pesquisa de Hugh Flemming, ao lado de sua formação fundamentada na leitura dos clássicos e na teologia, permitiu traçar um panorama histórico e moral que cruza as eras da história de nossa civilização. Ao mesmo tempo, permitiu que sua abordagem tocasse no cerne de uma guerra cultural que atravessa milênios, e que hoje vem à tona e escancara sua face nas diferentes modalidades de barbarismo niilista. Barbarismo que tantas vezes rendeu sofrimentos e extermínios, incluindo a eugenia e o abortismo, muitas vezes impulsionados pelo ímpeto prometeico de revolta contra Deus."



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

BERNARD LONERGAN: SÍMBOLOS E SIGNIFICAÇÃO

Para compreender o que significa o Juramento de Hipócrates enquanto Símbolo.

Bernard Lonergan: Símbolos e Significados.


"Os símbolos não obedecem às leis da lógica, mas da imagem e do sentimento. No lugar da classe lógica, o símbolo utiliza uma figura representativa. No lugar da univocidade, coloca uma abundância de significados múltiplos. Ele não prova, mas sobrepuja com uma variedade de imagens que convergem em significado; não se dobra à lei do terceiro excluído, mas admite a coincidentia oppositorum - do amor e do ódio, da coragem e do medo, etc.; não nega, mas supera aquilo que rejeita, reunindo tudo a que ele se opõe; não se move em um único caminho ou plano, mas condensa em um aunidade excêntrica todos os seus interesses atuais."

LONERGAN, Bernard. Método em Teologia. São Paulo: É Realizações, 2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

BENEFICÊNCIA MÉDICA - 2º PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA

Princípio II. O Melhor para o Paciente 



II - O alvo de toda a atenção do médico  é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.

Este princípio faz eco ao antigo preceito hipocrático constante no Juramento: “conforme minha capacidade e discernimento, cumprirei este juramento e compromisso escrito”.[1]

Colocar toda a atenção do médico na saúde do ser humano equivale a dizer que o paciente tem a primazia na relação terapêutica, merecendo o máximo zelo e o melhor da capacidade profissional.[2] Dizer ser humano ao invés de paciente eleva o princípio à preocupação com o ambiente ao redor do indivíduo que procura o serviço médico.[3]

O grande princípio de ação que se destaca e motiva o zelo e o sincero esforço profissional é, sem dúvida nenhuma, a beneficência. E também é a beneficência que levará o médico a buscar uma vida de virtudes, de aprimoramento pessoal em prol do próximo.[4] É da beneficência que virão magnanimidade, abnegação, lealdade e a solidariedade extensível à sociedade. Tais são compromissos fundamentais dos médicos no passado e no presente, assim como a beneficência, junto à não maleficência, é o grande princípio inspirador da arte.[5]

A falta de zelo (vigilância) e o mau uso da capacidade profissional incorrerão muitas vezes na tríade que caracteriza o erro médico: imprudência, imperícia e negligência, esta última fortemente eivada de caráter moral negativo.

Um exemplo às vezes insuspeito é o simples ato de não preencher o prontuário com capricho, detalhamento e letras legíveis. De uma aparentemente simples falta de zelo advém um possível erro por alguém que toma uma decisão errada com base no prontuário mal preenchido. Todo o processo se iniciou naquele primeiro ato que derivou da falta de zelo.[6]

Em relação ao papel social do médico, desde a antiguidade clássica há indícios de sua participação no que hoje chamaríamos de saúde pública:

Sócrates: E sejam seus mentores ricos ou pobres, isso não fará diferença aos atenienses quando deliberarem acerca da saúde dos cidadãos; tudo o que eles exigirão de seus conselheiros é que eles sejam um médico.[7]

Ainda considerando a questão social, cabia ao médico compartilhar seu conhecimento e educar o paciente, o que incluía a educação das massas, objetivos claramente apreendidos pelo conteúdo da obra hipocrática.
Em “Regime”, livro III:

LXVIII. Primeiramente, agora devo escrever para a grande maioria dos homens sobre os meios para ajudar no uso da comida comum e da bebida, os exercícios que são absolutamente necessários, a caminhada e as viagens por mar requeridas para coletar os meios de subsistência. Escrevo para as pessoas que fazem uso do regime de forma irregular, sofrendo o calor contrariamente ao que é benéfico e o frio contrariamente ao que lhes é útil.[8]
Em “Da Dieta Salutar:

IX. Um homem sábio deve considerar que a saúde é a maior das bênçãos humanas, e aprender por si mesmo como obter benefício em suas doenças. [9]

Em “Afecções”:

1. Qualquer homem inteligente deve possuir o conhecimento essencial para ajudar a si mesmo quando doente, considerando a saúde como do mais alto valor para os seres humanos. Deve também ser capaz de entender e julgar o que dizem os médicos e o que administram em seu corpo, sendo versados em tais assuntos em grau adequado ao leigo. [10]

O médico que pratica a boa medicina sempre considerou o paciente seu parceiro na busca pela saúde[11] e compreendeu a necessidade de se comunicar com eficácia para o bem de todos a seu redor, como se vê na obra “Medicina Antiga”:

É particularmente necessário, na minha opinião, para o que discute esta arte, falar de coisas familiares às pessoas comuns. Pois o assunto de discussão é simplesmente e somente os sofrimentos dessas mesmas pessoas comuns. Que pessoas comuns aprendam sozinhas como os seus próprios sofrimentos surgem e cessam, e as razões pelas quais eles pioram ou melhoram, não é uma tarefa fácil. Porém, quando estas coisas são reveladas e demostradas por outros, tornam-se de mais simples compreensão.[12]

O médico deve ser o guardião do próximo e da sociedade. Sua posição de mantenedor da saúde e seus conhecimentos lhe outorgam grande responsabilidade, movida pelo melhor dos motivos, o bem do próximo, a ser manifestado pelo exercício da maior das virtudes: a caridade.




[1] RIBEIRO Jr., Wilson A. Juramento. In: CAIRUS, Henrique F., RIBEIRO Jr., Wilson A. Textos Hipocráticos: o Doente, o Médico e a Doença. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2005, p. 151-167.

[2] DANTAS, Eduardo; COLTRI, Marcos. Comentários ao Código de Ética Médica: Resolução CFM nº 1.917 de setembro de 2009. 2ª Edição atualizada até julho de 2012. São Paulo: GZ Editora, 2012, p. 12-13.

[3] FRANÇA, Genival Veloso de. Comentários ao Código de Ética Médica 5ª Edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 17.

[4] Sobre virtudes médicas e beneficência, sugiro consultar as obras de Edmund Pellegrino: PELLEGRINO, Edmund; THOMASMA, David C. For the Patient’s Good: The Restoration of Beneficence in Health Care. New York: Oxford University Press, 1988. PELLEGRINO, Edmund; THOMASMA, David C. The Virtues in Medical Practice. New York: Oxford University Press, 1993. PELLEGRINO, Edmund; THOMASMA, David C. The Christian Virtues in Medical Practice. Washington, DC: Georgetown University Press, 1996.

[5] MIRANDA-Sá Júnior, Luiz Salvador. Uma Introdução à Medicina Volume II: O que é medicina e o que não é. Brasília, DF: Conselho Federal de Medicina, 2016, p. 56-57. GRACIA, Diego. Fundamentos de Bioética. Madrid: Triacastela, 2008, p. 71.

[6] DANTAS, Eduardo; COLTRI, Marcos. Op. cit., p. 12-13.

[7] PLATO. Charmides. Alcibiades I and II. Hipparchus. The Lovers. Theages. Minos. Epinomis. Translated by W. R. M. Lamb. Loeb Classical Library 201. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1927, p. 110-111.

[8] Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 368-369.

[9] Hippocrates, Heracleitus. Nature of Man. Regimen in Health. Humours. Aphorisms. Regimen 1-3. Dreams. Heracleitus: On the Universe. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 150. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1931, p. 58-59.

[10] Hippocrates. Affections. Diseases 1. Diseases 2. Translated by Paul Potter. Loeb Classical Library 472. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1988, p. 6-9.

[11] Hippocrates. Ancient Medicine. Airs, Waters, Places. Epidemics 1 and 3. The Oath. Precepts. Nutriment. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 147. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 164-165.

[12] Hippocrates. Ancient Medicine. Airs, Waters, Places. Epidemics 1 and 3. The Oath. Precepts. Nutriment. Translated by W. H. S. Jones. Loeb Classical Library 147. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1923, p. 14-17.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O JURAMENTO DE HIPÓCRATES ORIGINAL

O JURAMENTO DE HIPÓCRATES

Para adquirir cópia física da obra, visite o site da Editora Monergismo

[1a] Juro por Apolo médico, Asclépio, Hígia, Panacéia e todos os deuses e deusas, e os tomo por testemunhas que, conforme minha capacidade e discernimento, cumprirei este juramento e compromisso escrito:

[1a] Ὄμνυμι Ἀπόλλωνα ἰητρὸν καὶ Ἀσκληπιὸν καὶ Ὑγείαν καὶ Πανάκειαν καὶ θεοὺς πάντας τε καὶ πάσας, ἵστορας ποιεύμενος, ἐπιτελέα ποιήσειν κατὰ δύναμιν καὶ κρίσιν ἐμὴν ὅρκον τόνδε καὶ συγγραφὴν τήνδε·

[1b] considerar igual a meus pais aquele que me ensinou esta arte, compartilhar com ele meus recursos e se necessário prover o que lhe faltar; considerar seus filhos meus irmãos, e aos do sexo masculino ensinarei esta arte sem remuneração ou compromisso escrito, se desejarem aprendê-la; compartilhar os preceitos, ensinamentos orais e todas as demais instruções com os meus filhos, os filhos daquele que me ensinou, os discípulos que assumiram compromisso por escrito e prestaram juramento conforme a lei médica, e com ninguém mais;

[1b] ἡγήσεσθαι μὲν τὸν διδάξαντά με τὴν τέχνην ταύτην ἴσα γενέτῃσιν ἐμοῖς, καὶ βίου κοινώσεσθαι, καὶ χρεῶν χρηΐζοντι μετάδοσιν ποιήσεσθαι, καὶ γένος τὸ ἐξ αὐτοῦ ἀδελφοῖς ἴσον ἐπικρινεῖν ἄρρεσι, καὶ διδάξειν τὴν τέχνην ταύτην, ἢν χρηΐζωσι μανθάνειν, ἄνευ μισθοῦ καὶ συγγραφῆς, παραγγελίης τε καὶ ἀκροήσιος καὶ τῆς λοίπης ἁπάσης μαθήσιος μετάδοσιν ποιήσεσθαι υἱοῖς τε ἐμοῖς καὶ τοῖς τοῦ ἐμὲ διδάξαντος, καὶ μαθητῇσι συγγεγραμμένοις τε καὶ ὡρκισμένοις νόμῳ ἰητρικῷ, ἄλλῳ δὲ οὐδενί.

[2] utilizarei a dieta para benefício dos que sofrem, conforme minha capacidade e discernimento, e além disso repelirei o mal e a injustiça;

[2] διαιτήμασί τε χρήσομαι ἐπ᾿ ὠφελείῃ καμνόντων κατὰ δύναμιν καὶ κρίσιν ἐμήν, ἐπὶ δηλήσει δὲ καὶ ἀδικίῃ εἴρξειν.

[3] não darei, a quem pedir, nenhuma droga mortal, nem recomendarei essa decisão; do mesmo modo, não darei a mulher alguma pessário para abortar;

[3] οὐ δώσω δὲ οὐδὲ φάρμακον οὐδενὶ αἰτηθεὶς θανάσιμον, οὐδὲ ὑφηγήσομαι συμβουλίην τοιήνδε· ὁμοίως δὲ οὐδὲ γυναικὶ πεσσὸν φθόριον δώσω.

[4] com pureza e santidade conservarei minha vida e minha arte;

[4] ἁγνῶς δὲ καὶ ὁσίως διατηρήσω βίον τὸν ἐμὸν καὶ τέχνην τὴν ἐμήν.

[5] não operarei ninguém que tenha a doença da pedra, mas cederei o lugar aos homens que fazem essa prática;

[5] οὐ τεμέω δὲ οὐδὲ μὴν λιθιῶντας, ἐκχωρήσω δὲ ἐργάτῃσιν ἀνδράσι πρήξιος τῆσδε.

[6] em quantas casas eu entrar, entrarei para benefício dos que sofrem, evitando toda injustiça voluntária e outra forma de corrupção, e também atos libidinosos no corpo de mulheres e homens, livres ou escravos;

[6] ἐς οἰκίας δὲ ὁκόσας ἂν ἐσίω, ἐσελεύσομαι ἐπ᾿ ὠφελείῃ καμνόντων, ἐκτὸς ἐὼν πάσης ἀδικίης ἑκουσίης καὶ φθορίης, τῆς τε ἄλλης καὶ ἀφροδισίων ἔργων ἐπί τε γυναικείων σωμάτων καὶ ἀνδρῴων, ἐλευθέρων τε καὶ δούλων.

[7] o que vir e ouvir, durante o tratamento, sobre a vida dos homens, sem relação com o tratamento, e que não for necessário divulgar, calarei, considerando tais coisas segredo.

[7] ἃ δ᾿ ἂν ἐν θεραπείῃ ἢ ἴδω ἢ ἀκούσω, ἢ καὶ ἄνευ θεραπείης κατὰ βίον ἀνθρώπων, ἃ μὴ χρή ποτε ἐκλαλεῖσθαι ἔξω, σιγήσομαι, ἄρρητα ἡγεύμενος εἶναι τὰ τοιαῦτα.

[8] Se cumprir e não violar este juramento, que eu possa desfrutar minha vida e minha arte afamado junto a todos os homens, para sempre; mas se eu o transgredir e não o cumprir, que o contrário aconteça.


[8] ὅρκον μὲν οὖν μοι τόνδε ἐπιτελέα ποιέοντι, καὶ μὴ συγχέοντι, εἴη ἐπαύρασθαι καὶ βίου καὶ τέχνης δοξαζομένῳ παρὰ πᾶσιν ἀνθρώποις ἐς τὸν αἰεὶ χρόνον· παραβαίνοντι δὲ καὶ ἐπιορκέοντι, τἀναντία τούτων.

Conheça mais acerca do Juramento de Hipócrates e de suas interpretações no livro "A Tradição da Medicina".



quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A TRADIÇÃO DA MEDICINA

A Tradição da Medicina


Prefácio: Eduardo Cabette
Revisão: Rogério Portella
Edição e Capa: Felipe Sabino
Coleção: Academia Monergista

Já disponível pela Amazon! Em breve, na versão impressa.

Este livro esclarece de forma exemplar a ligação indelével entre medicina e moral. Trata-se de reconhecer que a arte médica não pode jamais se reduzir à técnica e que o bom médico não é apenas o que domina os conhecimentos científicos e técnicos, mas o conhecedor e praticante da arte do bom e do justo. Em uma das últimas passagens da obra, Angotti assim se manifesta, proporcionando como que um resumo da mensagem que pretende difundir:
O que o médico deve fazer diante de tudo o que foi exposto? O primeiro passo é praticar a boa medicina. Amar o paciente, ser caridoso, ter compaixão. O segundo passo é estudar profundamente, não só para tratar o paciente de forma técnica, mas também para se tornar um grande humanista. É necessário estudar medicina, filosofia, história, ciências sociais em geral etc. Na concepção do grande médico humanista José de Letamendi e Manjarrés: “O médico que só sabe medicina, nem medicina sabe”. Essa frase de Letamendi precisa ser apreendida pela classe médica.



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O CORAÇÃO DE UM VERDADEIRO MÉDICO

Eis a palestra originalmente proferida no Retiro Anual de Humanidades Médicas da Baylor University em fevereiro de 2016. O conteúdo foi encurtado para quarenta minutos de duração (na forma original tinha mais de duas horas), porém a mensagem essencial permaneceu.

Foi proferida no dia 29 de julho de 2016 no IV Seminário de Humanidades Médicas do UNESC, organizado pela Liga Acadêmica de Humanidades Médicas sediada em Coaltina - ES.





sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quer fazer algo chocante? Defenda a Vida Humana.


O Politicamente Correto e os tecnocratas da medicina utilitarista e transumanista se esforçam ao máximo para difamar, distorcer e inibir a cultura hipocrática e cristã ligada à medicina.

Pintam a moral tradicional da medicina como algo autoritário e desrespeitoso, mas o verdadeiro alvo é outro bem diferente: a valorização incondicional da vida humana.
Quer melhor razão do que esta para conhecer mais acerca do Hipocratismo Médico?
Defender a vida humana raramente foi algo tão chocante e "revolucionário" quanto nos dias de hoje!

MEDICINA HIPOCRÁTICA CRISTÃ?

MEDICINA HIPOCRÁTICA?


Qual o significado de ser um médico hipocrático cristão? Talvez a forma mais direta de explicar a alguém seja: significa que não vou te assassinar.

No Canadá, chegamos a uma situação onde os médicos que negam-se a matar seus pacientes poderão prestar contas de sua rebeldia e terão que declarar explicitamente sua discordância em matar a serviço do Estado.

No mundo inteiro, bioeticistas de estirpe relativista, hedonista e utilitarista levantam-se contra o direito de objeção de consciência do médico que se recusa a abortar.

Não se iludam, a Medicina está no olho do furacão da guerra cultural.

No meio de tudo isso, como resumir a moralidade da medicina hipocrática e cristã? Quais suas características?

Princípios elencados por uma das várias sociedades que se chamam hipocráticas são os seguintes:

1. Reconhecer que uma esfera transcendente é capaz de afetar em muito a forma de praticarmos medicina;

2. Entender o fato de que a medicina é uma atividade intrinsecamente moral, e não somente uma atividade técnica. Ajudamos aos pacientes a entenderem o que eles "devem" fazer;

3. Crer na santidade da vida desde a concepção até à morte natural;

4. Proteger a integridade médica ao permitir que profissionais evitem procedimentos médicos que contrariem suas crenças mais íntimas e essenciais.

Muitos questionariam um ou todos os itens acima, mas é preciso lembrar que médicos são seres humanos dotados de personalidade e valores como qualquer outro, jamais robôs a serviço de uma tecnocracia ou de uma burocracia estatal.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

SUGESTÃO DE LEITURA: A VIDA DE UM EX-ABORTISTA

THE HAND OF GOD

Bernard Nathanson




"Tornou-se chique nos círculos dos bioeticistas bien-pensants que se denigra o Juramento (de Hipócrates). Pontua-se com escárnio suas falhas como, por exemplo, a omissão a qualquer referência ao consentimento informado do paciente. Mesmo assim, num mundo selvagem e primitivo como era a Ilha de Cós no ano 450 antes de Cristo, a expressão de compaixão, de respeito ao mestre e de respeito à vida em si foi e ainda permanece um monumento à beleza da alma humana e à dignidade da pessoa humana. Tais monumentos não deveriam ser abandonados com tanta pressa."

NATHANSON, Bernard. The hand of God: A Journey from Death to Life by the Abortion Doctor Who Changed His Mind. Washington. DC: Regnery Publishing Inc., 1996, p. 53-54.


Original:

"It has become fashionable in the circles of the bien-pensants bioethicists to denigrate the Oath: to point with derision at its failures - for examples, the omission of any reference to informed consent of the patient. Nevertheless, in a world as savage and primitive as was the island of Cos in the year 450 B.C., the expression of compassion, of respect for one's teachers, for life itself was and remains a monument to the beauty of the human soul and the dignity of the human person. Such monuments should not be hastily abandoned."

terça-feira, 21 de junho de 2016

The Legacy of Medicine; A Tradição da Medicina.

A TRADIÇÃO DA MEDICINA - THE LEGACY OF MEDICINE

Trecho do livro a ser lançado em breve. Excerpt from the book to be published


"Os ideais defendidos ao longo do Juramento não podem ser atacados com base na existência de tantos médicos que os ignoram. É como defender que não se ame nada nem a ninguém porque muitos tolos não sabem amar. São tais ideais que nutrem o espírito da Medicina e a passagem de sua nobre tradição através das gerações. O Juramento de Hipócrates é um símbolo precioso de uma tradição a ser guardada e respeitada."

"The existence of so many Doctors who ignore the Hippocratic Oath is not a reason for atacking the ideals comprehended in the Oath. It would be just the same as the denial of love's reality because there are those who cannot love anyone. The ideals from the Oath are the ones which nurture the spirit of Medicine and protect such tradition through generations. The Hippocratic Oath is a precious symbol of an ancient tradition which should be remembered and respected."

Hélio Angotti Neto



sábado, 11 de junho de 2016

The Bioethical Subversion / A Subversão Bioética - John Keown




"Traditional common morality, as its name suggests, comprises ethical principles common to civilized cultures. The notion that there are certain objective principles which societies must respect if they are to qualify as civilized, has been expressed in the West in the Hippocratic Oath, in Judeo-Christian morality, the prohibition against killing the innocent, and the common law... [But] much of modern bioethics is clearly subversive of this tradition of common morality. Rather than promoting respect for universal human values and rights, it systematically seeks to subvert them. In modern bioethics, nothing is, in itself, either valuable or inviolable, except utility."

"A moralidade comum tradicional, como seu nome sugere, compreende princípios éticos comuns às culturas civilizadas. A noção de que há certos princípios objetivos, os quais devem ser respeitados pelas sociedades qualificáveis como civilizadas, tem sido expressada por meio do Juramento de Hipócrates, da moralidade Judaico-Cristã, da proibição contra o assassinato do inocente e da lei comum... [Mas] boa parte da bioética moderna é claramente subversiva em relação a essa tradição de moralidade comum. Ao invés de promover o respeito pelos valores e direitos humanos universais, a bioética moderna busca subvertê-los sistematicamente. Na bioética moderna, nada é, em si mesmo, valioso ou inviolável, a não ser a utilidade."

Entrevista cedida a Wesley Smith reproduzida em: SMITH, Wesley J. Culture of Death: The Assault on Medical Ethics in America. San Francisco: Encounter Books, 2000.


John Keown, DPhil, PhD, DCL

Senior Research Scholar
Dr. Keown is the Rose F. Kennedy Professor of Christian Ethics at the Kennedy Institute of Ethics. Having graduated in law from Cambridge, he took a doctorate at Oxford, after which he was called to the Bar of England and Wales. He soon became the first holder of a newly-created lectureship in the law and ethics of medicine at Cambridge, where he was elected to a Fellowship at Queens' College and, later, a Senior Research Fellowship at Churchill College.
Dr. Keown has published widely in the law and ethics of medicine, specializing on issues at the beginning and end of life. His research has been cited by distinguished bodies worldwide, including the United States Supreme Court, the Law Lords, the Court of Appeal, the House of Commons, the House of Lords Select Committee on Medical Ethics, and the Australian Senate, before which he was invited to testify. In 2011 he testified as an expert witness for the Attorney-General of Canada in a leading case concerning Canada's law against euthanasia. He has served as a member of the Ethics Committee of the British Medical Association and has been regularly consulted, not least by politicians and the media, on legal and ethical aspects of medicine. His latest article 'A Right to Voluntary Euthanasia? Confusion in Canada in Carter' was recently published in the Notre Dame Journal of Law, Ethics and Public Policy (2014).
Dr. Keown has written a play based on one of the classic cases in bioethics: the trial of Dr. Leonard Arthur for the attempted murder of a newborn baby with Down's syndrome. He has also developed an interest in the ethics of war. His 2009 paper in the Journal of Catholic Social Thought was the first to consider whether America's War for Independence satisfied the criteria laid down by the 'just war' tradition.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Iniciativa Global de Educação em Bioética

Global Bioethics Education Initiative



No final de maio parto para Illinois com o objetivo de passar um mês estudando, pesquisando e apresentando temas ligados à Bioética na Universidade Internacional Trinity. Fui escolhido para integrar a Iniciativa Global de Educação em Bioética do Centro para a Bioética e para a Dignidade Humana.

Anteriormente, foram escolhidos pesquisadores de diversos locais: Polônia, Filipinas, Índia, Camarões, Finlândia e Austrália.



Meu tema principal de pesquisa será o Juramento de Hipócrates e sua interpretação literária, simbólica e moral. 

Lá terei a oportunidade de pesquisar, além do Juramento, outros temas ligados a minhas pesquisas: Bioética Comparativa (estudos em bioética judaica, cristã, transumanista, islâmica, etc) e a obra de Edmund Pellegrino. 

Participarei também da Conferência Anual do CBHD, apresentando meu trabalho sobre o Juramento.



No Brasil, o trabalho de alguns membros do CBHD foi trazido pela Editora Cultura Cristã, que publicou a série sobre Bioética. Atualmente, o CBHD está atuando fortemente na questão da venda de pedaços de bebês e fetos pela multinacional abortista Planned Parenthood.


Será uma excelente oportunidade de ampliar contatos internacionais, aprofundar os conhecimentos e as práticas em Bioética e trazer novidades para o SEFAM aqui no Brasil. 



quinta-feira, 5 de novembro de 2015

THE HEART OF A TRUE PHYSICIAN

Religião, Virtude e Medicina: meditações na Carta aos Romanos para Médicos

A convite do Programa de Humanidades Médicas estarei em fevereiro na Universidade de Baylor no Texas, Estados Unidos, tratando da essência do que é ser médico.

Saiba mais sobre o Programa de Humanidades Médicas da Baylor em: http://www.baylor.edu/medical_humanities/ 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

SEFAM Módulo IV - Aula 04: O que é "Humanidades Médicas" e o Ensino das Virtudes



Nesta aula do SEFAM foram discutidos vários temas, incluindo Tanatologia, Universais, Metafísica, Estética, Epistemologia e Teologia. De todo o conteúdo apresentamos o segmento que tratou da definição de Humanidades Médicas e de como utilizar tal área de estudo na formação do médico.