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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A MEDICINA COMUNISTA

A Medicina Comunista


O Horror e a Repressão de uma Medicina que se Transformou em Arma Estatal


O Estado - enquanto organização de pessoas que naturalmente tende à própria perpetuação e ao aumento do seu poder e de suas funções - pode transformar-se num perigoso elemento de totalitarismo numa sociedade. O Estado também pode instrumentalizar todas as instituições e grupos da sociedade para o propósito final de crescer cada vez mais, drenando tudo e todos.

Já a medicina, que detém grande autoridade científica e social, pode ser um eficaz instrumento de controle e manipulação da sociedade, para o bem ou para o mal. O médico tem o poder para remover alguém do trabalho, aposentá-lo, abrir seu corpo causando um dano controlado chamado cirurgia, declarar alguém morto e, talvez o mais assombroso, nomear uma doença e determinar parcialmente o futuro de um paciente. Talvez este último seja o mais sutil e poderoso elemento da profissão médica.

Quando estamos diante de uma doença claramente identificável, como um carcinoma basocelular na pele de um paciente, não há muito que duvidar. Pode chamá-lo por outro nome, pode tratá-lo de diferentes formas, mas a evolução e as repercussões físicas são bem objetivas e previsíveis. O problema começa quando estamos diante da doença psiquiátrica. Há, obviamente, um espaço muito maior para elementos subjetivos de comportamento que podem alterar radicalmente o prognóstico do paciente, e é justamente aí que um grande perigo pode surgir.

A mistura é explosiva. De um lado, um Estado ocupado por perigosos psicopatas[1], sedentos de poder e controle. Do outro, a medicina, capaz de gerar gigantesca influência na sociedade. Una tudo isso a um governo do tipo revolucionário e totalitário[2] e voilá! A máquina de moer carne humana está pronta. E qualquer um que se oponha poderá ser denominado louco ou doente. A racionalidade por trás de tudo isso é cruel: “nós temos a perfeição encarnada no sistema, qualquer um que avance contra nós é louco e perigoso.”

Nenhum regime encarnou tão bem o ideal do totalitarismo político e espiritual – no sentido de domínio sobre a mente do sujeito – do que o Comunismo em suas diversas encarnações.

Os maiores crimes contra a vida humana podem simplesmente ser cobertos pela desculpa de que pessoas precisam de tratamento psiquiátrico. Ainda hoje alguns manifestantes e oposicionistas dos regimes de esquerda (Rússia, China e tantos outros) desaparecem da sociedade quando adentram um hospital psiquiátrico para que sejam “tratados”. É uma solução muito cômoda, porque muitas explicações seriam necessárias se simplesmente matassem o indivíduo, certo?[3]

Conforme o que o próprio Nikita Khrushchev disse em 1959:

“Um crime é um desvio dos padrões geralmente reconhecidos de comportamento, frequentemente causado por problemas mentais. É possível que existam doenças, problemas mentais, entre certas pessoas da sociedade comunista? É evidente que sim. Se é assim, logo existirão ofensas características de pessoas com mentes anormais... Para aqueles que comecem a erigir oposição ao Comunismo de tal forma, nós podemos dizer que... claramente seu estado mental não é normal.”[4]
Não é surpresa o intenso trabalho vindo de terras socialistas e comunistas a leste investido na pesquisa dos processos psicológicos e psiquiátricos, muitos buscando a chave de como manipular o comportamento humano. O bom e velho Pavlov, e toda uma hoste de pesquisadores da psicologia social e da manipulação não me deixam mentir.

Aliado ao uso da medicina psiquiátrica para fins totalitários, basta misturar a manipulação da cultura conforme os ditames de Antônio Gramsci e de toda a Escola de Frankfurt[5] e teremos o caminho para a escravidão perfeitamente pavimentado.

E novamente voltamos ao problema da medicina que perdeu sua identidade. Uma vez que a proteção da vida e da integridade do paciente movida por um compromisso inegociável com a beneficência for trocada por qualquer outra coisa ou qualquer outra fidelidade, está encerrada a medicina tradicional hipocrática e cristã.

Ao invés de direcionar-se ao paciente como objetivo concreto e imediato da prática médica, o juramento médico soviético, por exemplo, se direcionava à abstrata humanidade e à sociedade, demonstrando o predomínio do utilitarismo social contra a beneficência direta ao ser humano. Ao invés de apelar para uma lei universal, apela-se à moralidade comunista – isso é assustador para qualquer um que tenha lido o mínimo de história soviética – e à obediência ao Estado. Sem dúvida nenhuma é o juramento que todos os Estados com tendência totalitarista gostariam de impor aos seus médicos.[6]

Voltando aos dias de hoje, longe no tempo e na geografia, não estranho nem um pouco a insistente atenção dada aos médicos e à educação – ou deseducação – pelos governos da esquerda radical no Brasil. O constante desmanche da autoridade médica, substituída é claro pela autoridade ideológica radical que ocupa o vácuo deixado, e o trabalho de hegemonia cultural sempre presente nas universidades e escolas, onde temos ideólogos manipuladores aliados aos piores índices educacionais internacionais, deixam bem claro a tendência entrópica de nossa elite.

A progressiva substituição do perfil médico brasileiro, saindo de uma classe profissional altamente científica e técnica, com padrões de qualidade reconhecidos internacionalmente, porém quase que completamente destituída de formação política, para uma classe subserviente ao Estado, menos qualificada e muito mais ideologizada, claramente remete a uma intensa medida de engenharia social. Pessoalmente, considero os dois modelos errados e distantes da identidade tradicional da medicina, que deve ansiar por excelência em termos científicos, técnicos e morais, incluindo a política.

Junto com a destruição da identidade médica, atos frontalmente contrários à vida humana - e à opinião majoritária do provo brasileiro, diga-se de passagem - são cotidianamente instituídos. Prega-se o abortamento voluntário e a eutanásia, por exemplo, e a vida humana deixa de ser sagrada.

Cartaz educativo sobre o aborto seguro na União Soviética.

Realmente sagrado deve ser o Estado - esse Leviatã insaciável - e a vontade de nossa elite política esquerdista, certo?

Não. Certo é o compromisso mais que milenar de nossa Medicina com a vida humana e com o ser humano concreto, de carne e osso, que todos os dias senta-se à frente de seu médico e pede auxílio, socorro e compreensão. Certo é defender a vida humana, pressuposto de qualquer atividade médica. Certo é defender nossa própria identidade moral contra os enxertos desumanos que ideologias monstruosas tentam empurrar à força sobre a sociedade.

A boa medicina, de raiz cultural hipocrática e cristã, tem sua própria escala de valores a ser defendida.



[1] LOBACEWSKI, Andrew. Ponerologia Política. Campinas: VIDE Editorial, 2015.

[2] Na concepção de Olavo de Carvalho, revolução é a concentração de poder mediante a promessa de um futuro melhor, justificando a inversão moral, isto é, desculpando atos imorais para se alcançar um distante fim desejável.

[3] VAN NOREN, Robert. Ending political abuse of psychiatry: where we are at and what needs to be done. BJPsych Bulletin (2016), 40, 30-33, doi: 10.1192/pb.bp.114.049494

[4] Ibid.; KNAPP, M. Mental Health Policy and Practice Across Europe: The Future Direction of Mental Health Care. McGraw-Hill, 2007.

[5] CARVALHO, Olavo de. A Nova Era e a Revolução Cultural. Campinas: VIDe Editorial, 2015.

[6] Association of American Physicians and Surgeons. Comparison between Oath of Hippocrates and Other Oaths. Internet, http://www.aapsonline.org/ethics/oathcomp.htm

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Filosofia Política em Saúde no Congresso Brasileiro de Educação Médica, 2015

Filosofia Política em Saúde no Congresso Brasileiro de Educação Médica, 2015


No 53º Congresso Brasileiro de Educação Médica, o Centro Universitário do Espírito Santo e o Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina estarão presentes na programação com o tema: Filosofia Política em Saúde.

O Grupo de Estudo ocorrerá no dia 09 de novembro na sala 06, das 16:15 às 18:15, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro.


PROGRAMAÇÃO

Tipologia do poder em geral e do poder do profissional da saúde. 
Evolução histórica do poder no Ocidente conforme Bertrand de Jouvenel. 
Política e Filosofia Clássica: Platão e Aristóteles. Política Medieval: Agostinho, João da Salisbúria e Tomás de Aquino. 
Política de guerra em Sun Tzu  
Política moderna maquiavélica. 
Política revolucionária. 
Política Conservadora e Liberal. 
A Mentira, o  Segredo e o Ódio como instrumentos políticos. 
A erística de Schopenhauer. 
A manipulação psicológica na influência social. 
Redes em conflitos na guerra cultural. 
Consequencialismo em 3 escalas conforme Allenby e Sarewitz. 
Temor, humildade e responsabilidade em Hans Jonas. 
Valores em Guerra. 
O Exercício do Poder Cultural. 
O Exercício do Poder Econômico. 
O Exercício do Poder Político. 
Medicina em Sociedade.

Metodologia
Exposição Dialogada e Sugestões Bibliográficas

O tempo de apresentação será muito breve, mas o objetivo principal é apresentar um panorama das grandes possibilidades de estudo e ação dentro da esfera política quando o assunto envolve saúde e sociedade. Confira a página do congresso: http://www.cobem.com.br/2015/programacao/

Para os que desejarem uma oficina mais aprofundada, os mesmos temas serão discutidos de forma mais aprofundada na Oficina de Formação Política para Profissionais da Saúde, no doa 19 de novembro (quinta-feira) no III Seminário de Humanidades Médicas do UNESC e I Seminário de Humanidades Médicas da UFEs, em Vitória, ES.

Mais informações em breve!


Preletor: Prof. Dr. Hélio Angotti Neto

Coordenador do Curso de Medicina do UNESC (Centro Universitário do Espírito Santo); Coordenador do SEFAM; Membro do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC; Diretor Editorial da Mirabilia Medicinae; Editor Associado da Revista Internacional de Humanidades Médicas. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Conselho Regional de Medicina do ES, do Center for Bioethics and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e da Academia Brasileira de Oftalmologia.




quarta-feira, 24 de junho de 2015

O PROBLEMA DA AUSÊNCIA DE FORMAÇÃO POLÍTICA ENTRE MÉDICOS

O Problema da Ausência de Formação Política Entre Médicos


A Medicina encontra-se acometida de um grave problema: os médicos - e demais profissionais da saúde - carecem da formação política adequada. Isso gera a inevitável perda da eficácia de suas práticas em sociedade e o seu progressivo aviltamento diante da opinião pública.

Com formação política não digo conhecimentos de Ciência Política, mas sim, conhecimentos teóricos e práticos de estratégia, ação política e exercício do poder, técnicas dominadas com maestria por revolucionários e agitadores da esquerda radical ou da fabiana[1], e quase nunca utilizadas para algo de bom. Técnicas completamente desconhecidas pela enorme maioria dos médicos.

No Brasil não é prudente a ingenuidade diante dos lobos. Como as sábias palavras das Escrituras advertem há milênios: sejamos símplices como os pombos, porém prudentes como a serpente[2]. E como não ser prudente diante do revoltoso mar da política que tantas vezes faz submergir nações? Quem dirá pobres médicos latino-americanos?

Um sábio brasileiro afirma que os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal-intencionados[3], e quando colocamos nessa cadeia alimentar os médicos - partindo do princípio de que boa parte deles atua beneficamente para o próximo - a perda da efetividade política e, portanto, da efetividade geral da Medicina em sociedade não é algo a ser menosprezado. As consequências podem ser funestas.

Tal deformação, ou falta de formação política, afeta não somente médicos e seus pacientes, cujo sofrimento pode deixar de encontrar conforto eficaz, mas também afeta as famílias daqueles que padecem de algum mal e, consequentemente, toda a sociedade, reféns que são da má política.

Nos médicos observa-se diariamente o esgotamento, o desestímulo profissional e o abandono da carreira. Tais consequências inevitavelmente atrapalharão os resultados da prática médica, aumentando os riscos à saúde assim como, por exemplo, a má administração derivada de uma política inadequada faz ao deixar de fornecer ambientes próprios para o atendimento dos pacientes.

E, por fim, quem mais sofre é o paciente, o mais frágil elo da corrente, acometido pela doença e vulnerável, à mercê de uma situação malconduzida.

Ao observar o quadro geral da formação humanística e política do médico no Brasil, algo totalmente ineficiente ou ausente, o cenário torna-se assustador. Milhões de vidas e carreiras profissionais são afetadas ou até mesmo destruídas.

E diante desse cenário desanimador, quais são as medidas adotadas?

As lideranças políticas e estratégicas dos médicos, sejam seus sindicatos, sejam os Conselhos, tomam medidas políticas muitas vezes fragmentadas e fadadas ao fracasso desde o início[4]. Além do mais, a ação política não identifica o cenário político com a adequada visão; ou, se possui ciência da realidade, finge ineficácia e perplexidade diante dos movimentos políticos. Movimentos estes que tantas vezes colaboram para a destruição da saúde do brasileiro e para o aumento exponencial da corrupção e do assassinato moral de toda a classe médica no Brasil, verdadeiro Judas espancado.

A medida ideal é a atuação estratégica de fortes lideranças treinadas e capacitadas para o jogo político, orientadas por valores caros à prática médica e necessários à sociedade. E para que tal liderança exista há forte necessidade de tornar a ação política consciente e eficaz, concretizada por pessoas de grande valor e forte disposição.

Como tornar real tal consciência e tal exercício de poder benéfico? A solução aqui proposta é fornecer ferramentas analíticas para ler a sociedade de forma correta, para enxergar intencionalidades e estratégias de aliados e oponentes e para traçar planos de ação com competência rumo a ideais mais nobres.

Grupos de tais líderes seriam uma verdadeira benção para nosso país e, principalmente, para nossos doentes e profissionais da saúde, que ousariam sonhar com um ambiente menos hostil e insalubre para a busca da saúde.

Áreas do conhecimento importantes para esta empreitada incluem Filosofia, Estratégia, Comunicação, Logística, História, Relações Internacionais, Psicologia, Medicina Baseada em Evidências, Literatura, Retórica etc. As fontes incluem incontáveis artigos, livros e depoimentos de grandes líderes e estrategistas. Nenhum conhecimento ou ideologia podem ser estranhos ao se deparar com a realidade, ainda mais com a realidade que envolve o humano de forma tão íntima como saúde o faz.

Aviso claramente que não me aproximo do tema como um cientista político ou especialista em análises estratégicas, mas como um médico aplicado aos estudos e ansioso por ver tempos melhores para a cultura e para a política do Brasil, fatores que deveriam ser fontes de amparo e segurança, mas que em nosso Brasil se tornaram mananciais de temor e revolta.

E convido ao debate e ao estudo os colegas.

Em breve começarão as oficinas de Formação Política para Profissionais da Saúde e, quem sabe, um curso continuado de análises filosóficas, políticas e estratégicas em saúde pela internet.

Prof. Dr. Hélio Angotti Neto
Coordenador do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina (http://www.medicinaefilosofia.blogspot.com.br/)
Membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, da Academia Brasileira de Oftalmologia, da Associação Brasileira de Educação Médica, do Center for Bioethics and Human Dignity e do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC, onde atua também como Coordenador e Professor do Curso de Medicina.






[1] A esquerda fabiana, ao contrário da radical, prega uma lenta e insidiosa marcha rumo ao socialismo, normalmente utilizando-se dos mecanismos da democracia e evitando uma luta armada sempre que possível.

[2] Nas palavras do Cristo: “Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas”. Mateus 10.16. SPROUL, RC (Editor Geral). Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999.

[3] Cf. PUGGINA, Percival. Pombas e Gaviões: Uma indispensável leitura sobre política, porque os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal-intencionados. Porto Alegre: AGE Editora, 2010.

[4] Muitas das decisões e negociações são feitas dentro do panorama intelectual e linguístico da esquerda que deseja controlar a classe médica e instrumentalizá-la em seus planos de hegemonia. A questão não é ceder à esquerda ou à direita, mas sim, estabelecer um diálogo com capacidade própria, sem depender de muletas e travas pré-concebidas pelo oponente.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

SUGESTÃO DE LEITURA: O PRINCÍPIO DE HUMANIDADE PARTE I

O Princípio de Humanidade. Parte I: O que está acontecendo?


Por sugestão do Professor Eduardo Cabette, iniciei a leitura do livro "O Princípio de Humanidade", de Jean-Claude Gillebaud.

Considerando a importância do escrito e os múltiplos insights que este oferece ao leitor atento que esteja inserido na área de estudo conhecida por Bioética, farei uma reflexão passo a passo da leitura, destacando pontos de grande valor ao lado de algumas reflexões próprias e convidando aquele que me lê para que leia também o livro.

O capítulo 1 abre a obra com a grande pergunta: O que nos acontece?

O autor matou a grande charada da pergunta. Embora não tenha sido o primeiro a desvendar a esfinge, já que C. S. Lewis – entre outros - já alertava que a última derrota sofrida pela humanidade seria a derrubada da própria natureza do ser humano, Gillebaud contextualiza a resposta com preciosas evidências do trágico século XX e acerta na mosca, a humanidade do homem está sob ameaça de extinção.

Neste momento de grande mutação que vivemos, de globalização de mercados, avanços na genética e tecnologia abundante virtualizando a realidade do ser humano, adquirimos cada vez mais a capacidade de recriar a natureza e, enfim, recriar o criador de tais avanços.

O autor lembra do evento marcante do século passado que nos legou uma preciosa lição: o extermínio de seres humanos de forma sistemática por ideologias totalitárias. Sejam comunistas, sejam nazistas, o pressuposto que nutria sua sanha assassina basicamente era um: O ser humano perdera sua dignidade ou seu estatuto de humanidade. Não merecia deferência, tornara-se objeto, combustível para nutrir o avanço de grandes e idolatrados leviatãs eternamente sedentos do sangue dos vivos.

Gillebaud lembra que o nazismo é citado à exaustão como exemplo da tragédia humana do século XX. Alain Besançon também lembra da hipermnésia no que diz respeito ao nazismo, embora ofereça uma crítica ao esquecimento da citação de crimes comunistas no seu breve, mas importantíssimo livro, “A Infelicidade do Século”.

Mesmo que muitos torçam o nariz para a memória dos crimes nazistas ou comunistas e sua repetida menção, é elemento de nossa identidade civilizacional. Tal memória do mal é símbolo do quão fundo descemos, de nossos pecados culturais que nos jogaram dentro do abismo mais profundo da perda da noção do que é a Dignidade Humana. O esquecimento de tais fatos – reforço: FATOS – constitui o triste retrato do que somos e de onde viemos. 

Ao lado das glórias da Cristandade, do Imago Dei que eleva o dignificado ser humano às alturas divinas, apesar de suas mazelas, está a tenebrosa perda da humanidade, da dignidade, está o esquecimento de quem somos.

Hoje intelectuais internacionalmente reconhecidos como Steven Pinker e a professora Ruth Macklin desprezam a noção de dignidade humana. Compreendo a ambos. Se esquecemos o ápice humano na longa tradição cultural do ocidente – e do oriente, por que não? – não há razão forte para enxergar no ser humano mais do que um amontoado de átomos que se chocam, grudam e desgrudam conforme o acaso, sem fim, sem inteligência, sem propósito, nada mais.

Viktor Frankl acusara tudo isso. Ele, um judeu prisioneiro dos campos de concentração, sobrevivente, psiquiatra, psicólogo e filósofo, afirmou com muita razão que a culpa dos terríveis genocídios era daqueles intelectuais que não poucas vezes foram laureados com prêmios e reconhecimento internacional.

Hoje lemos um desses intelectuais - ceticistas, relativistas e cretinos - e suspiramos, encantados com sua prosa, sua sagacidade que vira e revira a realidade. Amanhã as palavras se concretizarão em atos,e destruirão os que antes suspiravam.

O problema está identificado. É a destruição de um princípio do qual muitos outros derivam: O Princípio de Humanidade. Esta é a ameaça.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

SUGESTÃO DE LEITURA: PARE DE ACREDITAR NO GOVERNO


Terminei a leitura do divertido - e preocupante - livro do cachoeirense Bruno Garschagen.
Nas páginas de "Pare de Acreditar no Governo: por que os brasileiros não confiam no governo e amam o estado" temos um panorama histórico, cultural e político de nossa conturbada história e de nossa vergonhosa subserviência aos nossos tiranos.
Com um olhar dotado de fina ironia, o autor percorre as desventuras em série que marcaram a escalada do poder estatal nessa terra marcada pelo que há de pior em termos de positivismo e marxismo.
Bruno segue uma longa tradição daqueles que amam a liberdade e acusam o perigo do poder tirânico. É um amante da liberdade ao estilo de Étienne de la Boétie dotado da capacidade de crítica e análise histórica de um Bertrand de Jouvenel que a capital secreta do mundo legou ao povo capixaba. É prata da casa, sem dúvida.
Compre e leia, nunca é tarde. E digo mais, darei para o meu filho ler assim que ele começar a estudar história do Brasil, ao lado do "Discurso da Servidão Voluntária".

A IDEOLOGIA SOCIALISTA E O CRISTIANISMO

Imprescindível é falar de cultura e ideologia...


quarta-feira, 25 de março de 2015

Saúde em Cuba: O Outro Lado da História


Saiu no "The Lancet", um dos mais renomados periódicos de Medicina do mundo. Abaixo uma tradução pessoal:

"No passado o Lancet tem publicado Editoriais e Comentários em apoio à situação da Saúde Pública de Cuba sem levar muito em conta a situação política do país. Novamente os Editores fizeram isso no Editorial da edição de 3 de Janeiro do Lancet, apoiando o restabelecimento dos laços diplomáticos entre Cuba e os EUA em questões de saúde pública. No entanto, Cuba vive um regime totalitário que tem silenciado oponentes e prendido e matado líderes da oposição. A perseguição dos dissidentes ainda continua, como pode ser visto no caso da artista Tania Bruguera.

Na saúde pública não podemos esquecer das violações dos direitos humanos dos pacientes com HIV/AIDS no fim dos anos 80 e início dos 90, quando os testes sorológicos eram obrigatórios em Cuba e as pessoas soropositivas eram encarceradas em sanatórios descritos por Jonathan Mann como "belas prisões".

Como afirmado no Editorial do The Lancet, acesso universal ao cuidado com a saúde é uma grande conquista e uma fonte de orgulho para a população cubana. No entanto, o mesmo orgulho é erodido por um governo que pune  criatividade da população cubana e limita o exercício das liberdades civis. Em 2003, durante o que foi chamado de Primavera Negra, dois economistas foram condenados à prisão enquanto documentavam que a saúde pública cubana e a educação já estavam entre as melhores da América Latina antes da Revolução. Em 1958, a taxa de mortalidade infantil era de 33 por mil nascidos vivos, muito mais baixa do que a taxa da Argentina (61), da Costa Rica (89) e do México (80).

O governo cubano manda doutores e enfermeiras para trabalhar na Venezuela e no Brasil por minguados salários enquanto retém a maior parte dos ganhos obtidos pelo trabalho médico.

O uso da saúde pública como um dos principais tópicos do restabelecimento dos elos diplomáticos entre EUA e Cuba é uma boa ideia, como o Editorial e a carta de Anthony Robbins ao Lancet sugere. Mas ainda há outra oportunidade maior: o efeito benéfico da democracia na saúde pública está bem documentado. Se o governo cubano está tão preocupado com a saúde de sua população, deveria considerar seriamente uma transição para a democracia como parte das condições necessárias para uma nova relação com os EUA, não apenas por causa da liberdade em si, mas também por causa da saúde da população cubana."

Octávio Gómez-Dantés
Instituto Nacional de Saúde Pública, Cuernavaca, Morelos, México.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Utopia Médica e Negação da Morte - Raízes Culturais do Transumanismo

Apresentação de Tema Livre no II Seminário de Humanidades Médicas do UNESC e II Seminário Capixaba de Humanidades Médicas, realizado em Colatina, ES, no CAMPUS I do Centro Universitário do Espírito Santo, dia 24 de outubro de 2014.



domingo, 28 de dezembro de 2014

MÉDICO, O GOLDENSTEIN DO PT


Emmanuel Goldenstein foi um personagem fictício criado na alegoria política de George Orwell, 1984[1]. No seu romance, que é referência obrigatória para se entender como funciona a política mundial depois da segunda guerra mundial, inclusive no Brasil[2], Emmanuel Goldenstein era uma figura utilizada pelo partido governante, o Socialismo Inglês (IngSoc), para despejar a culpa por todos os erros e problemas enfrentados pela população submissa ao regime tirânico. O perigoso Goldenstein seria o famoso líder de um grupo subversivo denominado “A Irmandade”.

Seria algo do tipo: Faltou água? Foram os seguidores do rebelde Goldenstein que sabotaram a Estação de Água ou que modificaram o clima. Faltou comida? As plantações foram sabotadas por lavradores preguiçosos que se uniram à causa de Goldenstein para minar o sucesso de Oceânia. Há inclusive a “Semana do Ódio” e os “dois minutos de ódio”, nos quais a imagem de Goldenstein é exibida para a catarse de uma coletividade ensandecida de raiva e frustração[3].

Estou falando do fenômeno conhecido pelo nome de Bode Expiatório, tão bem descrito pelo filósofo francês René Girard. Desde o início da civilização, os conflitos acumulados em sociedade tendem a buscar uma válvula de escape. Um bode expiatório que catalisasse o ódio coletivo era sempre a ferramenta ideal[4]. É claro que com o advento do Cristo essa ferramenta de aliviar tensões ficou obsoleta, desmanchada pela vítima que se tornara então o juiz de seus algozes e de toda a humanidade.

Mas uma ferramenta obsoleta ainda funciona bem, ainda mais num povo facilmente manipulado pelas estratégias políticas de baixo nível como as demonstradas pelo governo brasileiro.

E no contexto de se buscar um Bode Expiatório para desviar a atenção do que realmente importa, para desviar o ódio e a frustração dos problemas do cotidiano e para capitalizar tudo em lucro político, qual seria a vítima eleita? Sim, o médico.

Por vários anos a saúde no Brasil foi sucateada. Falta de plano de carreira, fechamento de milhares de leitos hospitalares, falta de investimento, incompetência na gestão de recursos (escassos) para a saúde e constante evasão de divisas por razões ideológicas ao invés de investir na saúde do próprio povo. Foi uma lambança.

Com a aproximação das eleições, uma convulsão social foge do controle da elite governante e explode nas ruas com demandas contrárias à política vigente, cobrando dos líderes coisas mais que óbvias como saúde, segurança e educação de qualidade – o de sempre – e gera terror nas elites dominantes ao se mostrar como apartidária (até mesmo hostil às diversas tentativas de penetração partidária) e, pasmem, conservadora!

Chega então o momento de buscar o bode ou nomear o Goldenstein da vez.

Na votação do famigerado Ato Médico, as diversas profissões da área da saúde são voltadas contra a classe médica e inflamadas por discursos de demagogos governistas que declararam em alto e bom som que o “médico inventa a doença para lucrar com o paciente”, e que o ato médico era uma “opressão médica contra as outras classes”, e outras imbecilidades extemporâneas da mesma estirpe.

O plano de carreira para médicos é descartado. Os médicos são taxados de ignorantes e mal educados. São acusados de ódio aos pobres e ojeriza ao interior do Brasil. É instalado o controverso e suspeitíssimo “Mais Médicos” logo após o “PROVAB”. Milhares de médicos estrangeiros que servem de atravessadores de dinheiro para o regime cubano são inseridos no Brasil ao custo do emprego de muitos médicos lotados no interior e nos centros urbanos de assistência à saúde[5].

E agora a peça mais recente da propaganda de ódio do governo petista do Brasil: os médicos são racistas e, por isso, atendem mal aos negros e deixam os mesmos morrerem numa frequência maior.

Numa série de propagandas exibindo estatísticas completamente fora de contexto, o Ministério da Saúde acusa os médicos de atenderem mal às pacientes negras, por menos tempo, de forma incompleta e, inclusive, permitindo um maior número de complicações médicas e mortes na população negra do que na branca. Tudo isso sem referência nenhuma à diferença entre a proporção de brancos, pardos e negros no sistema público de saúde, no complementar ou no privado e sem referências para uma análise detalhada dos dados que não seja um mero banco de dados de prevalência[6].

Alguns dos dizeres veiculados na mídia são os seguintes:

“60% da mortalidade materna no Brasil ocorre entre mulheres negras. Entre as mulheres brancas esse número é de 34%.”

“74,5% das mulheres brancas declaram fazer o pré-natal, enquanto 55,7% das mulheres pretas declaram fazer esse acompanhamento.”

“A diferença entre os níveis de mortalidade de crianças negras e brancas aumentou de 21% para 40% em 20 anos.”

“77,7% das mulheres brancas foram orientadas sobre a importância do aleitamento materno, enquanto 62,5% das mulheres negras tiveram essa orientação.”

“Uma mulher negra recebe menos tempo de atendimento que uma mulher branca.”

E talvez uma das mais calamitosas acusações, curiosamente removida após alguns protestos[7]:

“Em 2012, a taxa de mortalidade por doença falciforme entre pessoas pretas foi de 0,73 mortes (por 100.000 hab.) e de 0,28 (por 100.000 hab.) entre pardas; enquanto na população branca 0,08 (por 100.000 hab.)”

O ardil é tão baixo que qualquer um ao estudar o mínimo sobre a doença em questão – a Anemia Falciforme – descobrirá que é ligada a questões genéticas e é hereditária, e sua prevalência na população negra é bem maior do que na branca. Não morrem mais negros do que brancos porque os médicos deixam os negros morrerem; morrem mais negros do que brancos porque existem muito mais negros do que brancos portadores da doença! Seria quase o mesmo que dizer que os médicos discriminam os brancos porque estes sofrem mais com o câncer de pele (que sabidamente afeta pessoas de pele mais clara e com menor proteção aos raios solares), ou que os médicos discriminam as mulheres porque elas morrem de carcinoma de colo uterino (vejam bem, somente as mulheres possuem úteros). É cômico para não dizer trágico.

Uma rápida busca nos meios de pesquisa digitais informará que a prevalência, isto é, a frequência dos diagnósticos da doença falciforme na população brasileira encontra-se expressivamente concentrada na população que se declara negra ou, em menor escala, na população parda.

Só para ilustrar, um artigo reportou que na cidade de Uberaba foram estudados 47 casos presentes em adultos, e que a proporção era distribuída da seguinte forma: 78,7% em negros, 17% em pardos e 4,3% em brancos, preponderando o gênero feminino (59,6%)[8]. Daqui a pouco falarão que morrem mais mulheres de doença falciforme do que homens porque os médicos não gostam das mulheres.

Toda a campanha do governo pode ser interpretada considerando os seguintes atos:

1.      Procura-se exercer o recurso erístico – isto é, a trapaça intelectual - conhecido como rotulação odiosa, no qual se atribui a determinado indivíduo, classe ou grupo um adjetivo que invoca sentimentos ruins naqueles que escutam a rotulação (neste caso racista assassino)[9];

2.      Imputa-se crime de ódio racial à classe médica brasileira, pois se há uma afirmação de que um possível racismo gera dados estatísticos que demonstram uma pior qualidade de atendimento a determinada população, ao ponto em que se sugere maior mortalidade decorrente de tal racismo, há um terrível crime em curso;

3.      Usa-se de forma inadequada as estatísticas, procurando dar credibilidade científica a dados interpretados sob forte viés ideológico, atestando extrema incompetência de órgãos governamentais que deveriam prezar pela qualidade ao cuidar da saúde do brasileiro ou a simples e criminosa má-fé.

Logo, é difícil concluir outra coisa que não a seguinte: toda a campanha governista de combate ao “racismo no SUS” não passa de uma manobra política e ideológica de má qualidade, executada de forma incompetente e com o objetivo de difamar por meio de imputação de terrível crime a toda uma classe de profissionais brasileiros, desviando a atenção da população e atribuindo a culpa por seus problemas de saúde à classe médica e não ao governo, interessado em manter sua hegemonia.

Sem dúvida nenhuma é um produto deficiente de mentes corrompidas pelo maquiavelismo político.

Faltou ao Ministério da Saúde o conhecimento, a responsabilidade, a competência e a boa intenção em servir à população a verdade dos fatos. Lamentavelmente, é mais um exemplo de um período que talvez seja conhecido posteriormente por sua extrema concentração de corrupção e vileza, talvez a maior desde o descobrimento destas terras pelos portugueses há mais de 500 anos[10].





[1] ORWELL, George. 1984. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

[2] Para uma breve resenha comparativa sugiro a leitura da um texto publicado no SEFAM: ANGOTTI NETO, Hélio. 1984: A Profecia Moderna de George Orwell. Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina. Disponível em: <http://www.medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2014/09/1984-profecia-moderna-de-george-orwell.html>. Acesso em 28 dez. 2014.

[3] Uma clara alusão de George Orwell à prática soviética de destruir a reputação de seus inimigos e utilizá-los para capitalizar o ódio das massas. Semelhanças com o Partido dos Trabalhadores não são mera coincidência. Recomendo a leitura de: TUMA JÚNIOR, Romeu. Assassinato de Reputações: Um Crime de Estado. Rio de Janeiro: Topbooks, 2013.

[4] GIRARD, René. O Bode Expiatório. São Paulo: Editora Paulus, 2004.

[5] ANGOTTI NETO, Hélio. “POLÍTICAS DE INTERIORIZAÇÃO DO MÉDICO BRASILEIRO”. Ibérica – Revista Interdisciplinar de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos (ISSN 1980-5837) Vol. VII, Nº 21, 2013, p. 40-56. Disponível em: <http://www.sophiaweb.net/repositorio/iberica/iberica21/interiorizacao-medico-angotti.pdf>. Acesso em: 28 dez. 2014.

[6] Alguns locais onde a propaganda de ódio do governo é destilada podem ser vistos nos seguintes locais: SUS sem racismo: organização governamental no Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/SUSnasRedes>. Acesso em: 28 dez. 2014.
Blog da Saúde – Ministério da Saúde. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/index.php/34777-campanha-mobiliza-a-populacao-contra-o-racismo-no-sus>. Acesso em: 28 dez. 2014.
Portal da Saúde – Ministério da Saúde. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/sgep/doges-departamento-de-ouvidoria-geral-do-sus/ouvidoria-g-sus/noticias-ouvidoria-geral-do-sus/15854-campanha-mobiliza-a-populacao-contra-o-racismo-no-sus>. Acesso em: 28 dez. 2014.

[7] CARDOSO, Francisco. SUS SEM FASCISMO - GOVERNO UTILIZA TÁTICA NAZISTA DE PEGAR DADOS DESFAVORÁVEIS A ELE E JOGAR A CULPA EM UM GRUPO POPULACIONAL ATRAVÉS DA DETURPAÇÃO DE ESTATÍSTICAS. Disponível em: <http://www.perito.med.br/2014/12/sus-sem-fascismo-governo-utiliza-tatica.html>. Acesso em: 28 dez. 2014.
BRASIL, Felipe Moura. Campanha do SUS atribui a ‘racismo’ mortes por doença genética predominante em negros. Médicos reagem. Blog da Veja - Felipe Moura Brasil: Cultura e Irreverência. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/12/25/campanha-do-sus-atribui-a-racismo-mortes-por-doenca-genetica-predominante-em-negros-medicos-reagem/>. Acesso em: 28 dez. 2014.

[8] FELIX, A.A.; SOUZA, H.M.; RIBEIRO, S.B.F. Aspectos epidemiológicos e sociais da doença falciforme. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, 32(3), 2010, p. 203-208.

[9] Sugiro consultar a excelente obra comentada pelo filósofo Olavo de Carvalho: SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão, em 38 Estratagemas (Dialética Erística). Introdução, Notas e Comentários de Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Topbooks, 2003.

[10] Uma irônica conclusão, que remete ao hábito governista de sempre gabar-se com a frase “nunca antes neste país...”. Poder-se-ia igualmente tecer o seguinte comentário: Nunca antes neste país houve tanta corrupção, tanta impunidade e tanta ausência de vergonha.