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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

COMO SER UM ALUNO DO SEMINÁRIO DE FILOSOFIA APLICADA À MEDICINA – SEFAM

Recebi uma pergunta que julgo muito pertinente: o que é preciso para ser um aluno do Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina (SEFAM)?
O objetivo do SEFAM é, antes de tudo, enriquecer o ambiente cultural brasileiro com conteúdos não somente de saúde, mas também filosóficos, históricos, pedagógicos e científicos. 
Há várias possibilidades de participação. Gostaria de expor aqui as principais oportunidades de estudar Humanidades Médicas no SEFAM.
A primeira, e mais simples, é acessar o material gratuito disponível em minha página no YouTube[1]ou o Blog do SEFAM.[2] Costumo divulgar o material de ambas as fontes em minhas redes sociais, preferencialmente o Facebook, o Twitter ou o Instagram. Esses materiais são gravações diversas ou aulas sistemáticas, mas nem sempre se encontram completos ou possuem alta capacidade de interatividade. Procuro colocar novos materiais a cada duas semanas, seja no Blog, seja no YouTube.
A segunda possibilidade é ler as obras indicadas em nossos materiais. Na verdade, isso seria essencial a qualquer atividade dentro do SEFAM. Algumas aulas públicas ou privadas do SEFAM, inclusive, são dadas especificamente sobre o conteúdo de uma determinada obra, como acontece atualmente nas breves reflexões sobre o livro A Vida Intelectual de Antonin-Dalmace Sertillanges.
A terceira possibilidade, que pretendo disponibilizar em breve, é um seminário semanal de cerca de uma hora. Essa seria a possibilidade de ser um aluno regular do SEFAM, interagindo com os demais participantes em um ambiente virtual. Pretendo deixar todo o conteúdo gravado para quem ingressar no Seminário. Provavelmente terá um baixo custo de manutenção e será bem acessível. Não substitui a interação e a experiência presencial de um seminário ou de um Workshop, mas para quem realmente se interessa no tema pode ser um ambiente muito produtivo.
A quarta possibilidade é participar do SEFAM presencial. Existem duas formas de participar. Uma delas é ser aluno em uma instituição que disponibiliza o seminário e, inclusive, pode certificar como atividade complementar ou atividade de extensão universitária. Esse era o modelo adotado no Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC), quando tive a honra de trabalhar lá como professor e coordenador de curso. Estou organizando essa mesma possibilidade em São Paulo, prevendo aulas mensais de três horas com os alunos da UNINOVE. Com autorização da Reitoria, alguns alunos de fora às vezes frequentavam o SEFAM do UNESC. Quando eu tiver mais detalhes de como funcionará em São Paulo, divulgarei.
Um projeto paralelo é realizar o SEFAM presencial aqui em Brasília. Já tivemos algumas reuniões, mas ainda preciso sistematizar como aconteceria o seminário de forma regular.
Por fim, pretendo organizar alguns cursos de curta duração, provavelmente durante dois ou três dias de atividades. O primeiro curso a ser disponibilizado, ainda para o primeiro semestre de 2020 se tivermos alunos suficientes, será especialmente dedicado à Filosofia da Vida Intelectual e às técnicas de aprendizagem com base no legado cultural e nas mais atuais evidências científicas. O nome do curso será Vida de Estudos, e terá o seguinte conteúdo: 
Atenção Focal; Elementos impeditivos; O Mito da Caverna de Platão; A Causa Final de Aristóteles; Ilusões de Competência; Atenção Focal X Atenção Difusa; A Planilha Básica de Estudos; O Necrológio; Memória de Trabalho e Memória Profunda; Correção; Revisão Periódica; O Mapa da Ignorância; Disciplina e Constância; Procrastinação; Full Throttle in the Morning; Estudo Ascendente e Descendente; Idem Velle, Idem Nolle; A Filosofia de Vida de um Intelectual; A Planilha Avançada de Estudos. 
Provavelmente teremos vagas somente para 25 alunos. Assim que tiver mais informações, divulgarei.
Quem participa do SEFAM muitas vezes deseja escrever um artigo, realizar alguma pesquisa ou publicar na área. Essa é uma possibilidade que depende muito do tempo e da oportunidade. Tenho escrito alguma coisa em parceria com alguns alunos e ex-alunos, e pretendo ampliar essa forma de interação.
Independente de tudo o que o Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina poderá oferecer em termos de participação, o principal é realmente dedicar com constância uma parte de seu dia para o estudo da Alta Cultura e para o aperfeiçoamento intelectual. No campo das Humanidades Médicas, comecei sozinho há vinte anos, estimulado pela obra do professor Olavo de Carvalho. Alcancei outros mestres de nosso tempo e de tempos idos – Aristóteles, Hipócrates, Platão e Edmund Pellegrino, para citar alguns – e ainda tenho muito a caminhar. O SEFAM pode oferecer um início, uma rota mais segura, mas é a dedicação pessoal pelo resto da vida e a aplicação à prática cotidiana do que há de melhor na cultura que configura o real estudo das Humanidades Médicas.

Hélio Angotti Neto
Brasília, DF. 28 de janeiro de 2020.


[2] Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina. Internethttp://medicinaefilosofia.blogspot.com

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Programação do Módulo I do SEFAM

Módulo I do SEFAM: Humanidades Médicas

Ciência, Filosofia e Saúde


No primeiro semestre de 2016, teremos o módulo I presencial gratuito para os alunos do UNESC. E uma novidade: teremos também a versão online! Já estou concluindo as negociações para disponibilizar o conteúdo.


I.                   Descrição do Curso e Objetivos

Estudaremos as Humanidades Médicas na busca do aprimoramento pessoal enquanto profissionais da área da saúde e estudiosos interessados no fenômeno da vida humana. Os participantes terão acesso a leituras, filmes e artigos acadêmicos durante seminários, aulas expositivas e debates. A capacidade de estudo interdisciplinar é um pré-requisito, ou pelo menos a boa vontade em fazê-lo, e todos deverão estar abertos a um amplo estudo e para a busca nas mais diversas fontes.

Os objetivos deste curso são: (1) promover a busca pela Alta Cultura entre os participantes; (2) conhecer os principais temas e materiais em Humanidades Médicas; (3) aprimorar-se intelectual e moralmente; (4) treinar as capacidades argumentativa, deliberativa e meditativa; (5) pensar sobre o papel do médico e do profissional de saúde na sociedade.

A versão online será um curso livre e não oferecerá certificação institucional ou governamental. 

O curso presencial poderá oferecer certificação via UNESC na qualidade de Atividade Complementar e é gratuito.


II.              Cronograma

Introdução
Questões administrativas básicas do curso. Apresentação da bibliografia. Em Busca da Alta Cultura. Apeirokalia. O ideal grego clássico de formação nobre (Paidéia). O valor do estudo dos clássicos em saúde. Literatura e Medicina.

A Vida Intelectual e a Vida Acadêmica
As condições para uma vida intelectual verdadeira. A busca da formação humanística. Disciplina e Perseverança. Moralidade e conhecimento. A formação clássica do livre pensador. Rotinas da vida acadêmica. Publicando em Humanidades Médicas e Bioética. A crítica da Academia internacional e brasileira. A invasão vertical dos bárbaros na Academia. A deturpação das instituições conforme Eric Voegelin no livro Hitler e os Alemães.

Origens da Filosofia.
O projeto Socrático. Filosofia X Produto Filosófico X Sofística X Filodoxia. Platão e a Academia. O Liceu Aristotélico. O Mito da Caverna. Apologia de Sócrates e a Verdade da alma contra o mundo. O conhecimento da própria ignorância como passo elementar da filosofia socrática.

Os Quatro Discursos Aristotélicos.
Introdução aos Quatro Discursos. Os quatro discursos na Medicina. Poética. Retórica, Dialética. Lógica. O uso dos quatro discursos como ferramenta para classificação do próprio conhecimento.

Ferramentas Aristotélicas para Médicos.
As quatro causas. Substância e Acidente. Ato e Potência. Aplicação das Causas Metafísicas na saúde humana, na avaliação de artigos científicos e na análise de situações em bioética.

Retórica e Argumentação.
A retórica clássica. Introdução à Lógica Informal. Erística. Comunicação não-verbal. Como ouvir, como falar. Programação neurolinguística. Análise de casos.

Filosofia da Ciência.
A Ciência Clássica. A ciência moderna experimental e empírica. O paradigma indutivista. O Falsificacionismo de Karl Popper. A Teoria das Revoluções Científicas de Thomas Kuhn e a resposta de Giovanni Reale. Ciência e Mito. CiÊncia como religião. Progresso e Responsabilidade na filosofia de Hans Jonas.

O Método Filosófico.
Introdução ao método filosófico por Olavo de Carvalho. Os passos do método filosófico. Aplicação do método filosófico a uma questão de bioética.

Fundações Culturais da Medicina
Valores judaicos, gregos e cristãos. A Medicina da Grécia Antiga. Hipócrates. O Juramento. A Obra Hipocrática. Antigos valores, lições ainda válidas.

A Erística
Truques erísticos comuns na altercação brasileira. Argumentos ad hominem. Golpes psicológicos na discussão. Análise de debates.



III.              Professor
Prof. Dr. Hélio Angotti Neto graduou-se médico na Universidade Federal do Espírito Santo; fez residência médica na Universidade de São Paulo, em Oftalmologia, onde também fez Doutorado em Ciências Médicas (Oftalmologia); foi preceptor no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP em 2006; foi assistente médico em Oftalmologia na Universidade Federal do Espírito Santo e na Universidade Federal do Triângulo Mineiro; é professor do Centro Universitário do Espírito Santo onde atua desde dezembro de 2012 na qualidade de Coordenador do Curso de Medicina; foi Coordenador do Mestrado Interinstitucional entre o UNESC de Colatina e a UNESC de Criciúma; atua no Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC; É Diretor Editorial da revista internacional em Humanidades Médicas Mirabilia Medicinae, sediada no Institut d’Estudis Medievals da Universidade Autônoma de Barcelona; atua como revisor dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia; é membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, da Associação Brasileira de Educação Médica, da Sociedade Brasileira de Bioética, do Center for Bioethic and Human Dignity e da Academia Brasileira de Oftalmologia.

IV.                BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ADLER, Mortimer. Aristóteles Para Todos: Uma introdução simples a um pensamento complexo. São Paulo, SP: É Realizações, 2010.

BEAUCHAMP, T.L.; CHILDRESS, J.F. Principles of Biomedical Ethics 7th ed. Oxford University Press, 2012.

NOUGUÉ, Carlos. Suma Gramatical da Língua Portuguesa. São Paulo: É Realizações, 2015.

PELLEGRINO, Edmund D.; ENGELHARDT Jr., H.T.; JOTERRAND, Fabrice. The Philosophy of Medicine Reborn: A Pellegrino Reader. University of Notre Dame Press: 2008.

______, THOMASMA, D.C. Helping and Healing: Religious Commitment in Health Care. Georgetown University Press, 1997.

______, THOMASMA, D.C. The Christian Virtues in Medical Practice. Georgetown University Press, 1996.

______, THOMASMA, D.C. The Virtues in Medical Practice. Oxford University Press, 1993.

PLATO. Plato: Euthyphro. Apology. Crito. Phaedo. Phaedrus (Loeb Classical Library). Harvard University Press:1999.

SCHOPENHAUER, Arthur. Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão, em 38 estratagemas. São Paulo, SP: Topbooks, 2003.

SERTILLANGES, Antonin-Dalmace. A Vida Intelectual: Seu Espírito, Suas Condições, Seus Métodos. São Paulo, SP: É Realizações, 2015.

WALTON, Douglas N. Lógica Informal. São Paulo, SP: WMF Martins Fontes, 2012.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Grupo de Estudos em Filosofia Política e Saúde - 1º Vídeo

Grupo de Estudos em Filosofia Política e Saúde - 1º Vídeo: Formas Discursivas


Está disponível a primeira comunicação em vídeo com o Grupo de Estudos em Filosofia Política e Saúde. Sugiro várias leituras de formação do imaginário e de aquisição de ferramentas discursivas básicas para analisar a realidade política.

Àqueles que desejarem participar, não deixem de enviar suas dúvidas e observações acerca das três obras básicas iniciais. Em até três semanas marcamos outro vídeo para responder às perguntas e comentar algo sobre os livros e sua aplicação à política brasileira.





sábado, 5 de dezembro de 2015

Grupo de Estudos em Política e Saúde - Parte 01

Leitura Recomendada: Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos. Autor: Olavo de Carvalho.



A primeira atividade do grupo é o estudo dos quatro discursos e o exercício de sua contextualização nas situações políticas vividas pelos profissionais da saúde.

Considerando que, dentro da tipologia do poder (coercitivo, de troca ou de convicção), a Medicina exerce primariamente e preferencialmente o tipo cultural, por convicção, e que o exercício de tal tipo se dá principalmente por meio da linguagem, há que se ter uma noção mais técnica da linguagem utilizada.

Um resumo da Teoria dos Quatro Discursos na Medicina pode ser visto no breve artigo: Os Quatro Discursos Aristotélicos na Medicina: Ferramentas Educacionais para Médicos[1]. Mas o ideal é que todos leiam o livro indicado na íntegra.[2]

Estabelecerei um tempo para leitura de duas semanas, e depois gravarei uma aula para refletirmos sobre o tema e aplicarmos o conhecimento obtido a situações práticas em política e saúde.
Aproveito para reforçar que a política, adequadamente entendida, é a parte da filosofia que envolve o relacionamento do indivíduo com a sociedade de forma pragmática e universal, sem descartar a moralidade inerente à experiência humana. Logo, não poderemos nos furtar de estudar uma boa dose de filosofia e de história.[3]

Se algum dos participantes quiser gravar uma breve resenha do livro ou escrever um resumo, não deixe de informar, para que compartilhemos com o grupo. Se alguém não recordar o que é tipologia do poder, um breve vídeo poderá ajudar a lembrar: https://www.youtube.com/watch?v=n-mP4U5vPUA 

Durante o estudo, todos os participantes do grupo poderão enviar perguntas que serão lidas e debatidas na gravação da aula. E aos poucos o intercâmbio entre os participantes naturalmente aumentará e a profundidade das análises feitas ganhará em qualidade. Sabendo que não há como fazer algo de qualidade sem tempo, sem paciência e sem estudo, deixo um antigo conselho para o grupo: in tempus veritas.

Abraços e bons estudos a todos.


Hélio Angotti Neto
Coordenador do SEFAM



[3] Cf. WEIL, Eric. Filosofia Política. São Paulo: Edições Loyola, 1990.