Aprofundando um pouco mais a discussão sobre a tipologia do poder aplicada à relação médico-paciente.
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Curso de Formação Política para Profissionais da Saúde 02
Aprofundando um pouco mais a discussão sobre a tipologia do poder aplicada à relação médico-paciente.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Curso de Formação Política para Profissionais de Saúde 01
Tipologia do Poder. Definições e classificações importantes para começar a conversar sobre política e Medicina.
terça-feira, 21 de abril de 2015
Formação Política para Profissionais da Saúde
Versão online do curso de Formação Política para Profissionais da Saúde. O conteúdo guarda semelhanças com o curso presencial - que deve ser dado no semestre que vem - e funcionará como curso independente ou complementar à versão presencial.
domingo, 12 de abril de 2015
Bioética em Questão - Aula 2: A Bioética
Segundo Encontro do Módulo III do SEFAM.
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Medicina,
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Socialismo,
totalitarismo,
Virtudes da Medicina
segunda-feira, 30 de março de 2015
Curso: Formação Política para Profissionais da Saúde
SEFAM – Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina
Curso: Formação Política para Profissionais da
Saúde
Introdução e objetivos do curso
Por
que estudar Política se és médico?
Formação
humanística do médico e sua importância na sociedade
Tipologia do poder em geral e do poder do
profissional da saúde
Definição
de Poder
Moralidade
do Poder e inevitabilidade de sua presença
Tipologia
geral do poder
Tipologia
do poder médico
Usos
e abusos do poder médico por médicos
Usos
e abusos do poder médico por terceiros
Evolução histórica do poder no Ocidente conforme
Bertrand de Jouvenel
Constantes
do Poder: concentração e crescimento
Dialética
do aumento e da concentração do poder
A
dialética do crescimento do poder na saúde
Psicopatia e poder, um estudo de Andrew Lobacewski
Precedentes
Históricos
Rumos
do Brasil de hoje, um cenário preocupante
O
papel irrecusável do médico “humanista”
Política e Filosofia Clássica: Platão e Aristóteles
O
Mito da Caverna e a República
Ferramentas
Aristotélicas para o Estudo da Ação Humana
Políticas
de Interiorização da Saúde no Brasil, Estudo de Caso
Os
Quatro Discursos na Medicina
A
Poética como instrumento de Poder
A
Retórica, a Dialética e a Lógica como Instrumentos de Poder
Estudo
de Caso: A Desconstrução do médico brasileiro como racista
Política Medieval: Agostinho, João da Salisbúria e
Tomás de Aquino
Expectativas
Transcendentes e Realidades Imanentes
Eric
Voegelia e a Imanentização Escatológica da Política Moderna
O
Sentimento de Ordem e Sentido
Justiça,
Guerra e Política
O
Príncipe clássico
Política de guerra em Sun Tzu e Clausewitz
Logística
de Combate
Informação
no Contexto da Confronto e da Gestão
O
papel do caráter do líder
Desinformação
Dividir
e Conquistar
Política moderna maquiavélica
A
Busca pela Hegemonia e a destruição das elites concorrentes
Estudo
de caso: A ofensiva contra o médico como política hegemônica
Política revolucionária
Marx,
Lênin e Stálin: O Comunitarismo revolucionário?
Gramsci,
o Príncipe Moderno e a Ocupação das Mentes
A
Escola de Frankfurt
Saul
Alinski e as Regras para Radicais
Ernesto
Laclau e a Busca Contemporânea pela Hegemonia
Política Conservadora e Liberal
Russel
Kirk e a Política da Prudência
O
Liberalismo Anárquico
Fogo
contra Fogo, de Horowitz a Ben Shapiro
A Mentira e o Segredo como instrumentos
políticos
A
Mentira na Política, de Gabriel Liiceanu
Projetos
de Governo antes e após eleições
Rastreio
de reais projetos de governo
A erística de Schopenhauer
Ferramentas
Erísticas
Exercício
prático: Análise de debates
A manipulação psicológica na influência social
A
Medicina como ferramenta de engenharia social
Formas
de manipulação da psique humana
A
Medicina como auxiliar da manipulação social
A
manipulação semântica e psicológica no caso do Infanticídio
Análise dialética contextual, do micro ao macro
Uso dialético dos resultados políticos
Redes em conflitos na guerra cultural
Hierarquização
da Estrutura de Poder
Redes
em Guerra
A
lógica da ocupação de espaços e da derrubada hierárquica
Rastreio
da influência política: agentes, ideias, armas, drogas e dinheiro
Estudo
de caso: o panorama político da América Latina
Consequencialismo em 3 escalas conforme Allenby e
Sarewitz
As
3 Escalas de consequências políticas
Temor, humildade e responsabilidade em Hans Jonas
O
Paradigma da novidade na época contemporânea
Temor
e responsabilidade na política
Valores em Guerra
Valores
em disputa na Medicina
A
Tradição Hipocrática: a Busca pelo Bem
A
Justiça como Fator de reducionismo: o comunitarismo
A
Autonomia como Fator de reducionismo: o liberalismo
Repercussão
dos valores em sociedade
O Exercício do Poder Cultural
Pensando
as três escalas de consequências
Ações
Culturais Estratégicas
O
papel central da Academia na Política
O Exercício do Poder Econômico
Elos
econômicos na política e saúde no Brasil
O
Mais Médicos: Dinheiro, Poder e Hegemonia Ideológica
Elos
econômicos na engenharia social: Aborto e política internacional
O Exercício do Poder Político
Coroamento
de esforços antigos: o caso do Brasil socialista
Ascensão
e queda do socialismo brasileiro?
O
liberalismo e o conservadorismo em ascensão?
De
volta ao poder cultural
Medicina em Sociedade
Medicina
como Política
Medicina
como Ciência
Medicina
como Arte/Técnica
Medicina
como Filosofia de Vida
Metodologia
Exposição Dialogada
Práticas de Elaboração Estratégica e
Análise Dialética
Síntese das discussões e propostas de
ação
Preletor: Prof. Dr. Hélio Angotti
Neto
Coordenador do Curso de
Medicina do UNESC (Centro Universitário do Espírito Santo); Coordenador do
SEFAM; Membro do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC; Diretor Editorial da
Mirabilia Medicinae; Editor Associado da Revista Internacional de Humanidades
Médicas. Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de
Oftalmologia, do Conselho Regional de Medicina do ES, do Center for Bioethics
and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e da Academia Brasileira de Oftalmologia.
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Política Internacional,
Saúde e Sociedade,
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quarta-feira, 25 de março de 2015
Saúde em Cuba: O Outro Lado da História
Saiu no "The Lancet", um dos mais renomados periódicos de Medicina do mundo. Abaixo uma tradução pessoal:
"No passado o Lancet tem publicado Editoriais e Comentários em apoio à situação da Saúde Pública de Cuba sem levar muito em conta a situação política do país. Novamente os Editores fizeram isso no Editorial da edição de 3 de Janeiro do Lancet, apoiando o restabelecimento dos laços diplomáticos entre Cuba e os EUA em questões de saúde pública. No entanto, Cuba vive um regime totalitário que tem silenciado oponentes e prendido e matado líderes da oposição. A perseguição dos dissidentes ainda continua, como pode ser visto no caso da artista Tania Bruguera.
Na saúde pública não podemos esquecer das violações dos direitos humanos dos pacientes com HIV/AIDS no fim dos anos 80 e início dos 90, quando os testes sorológicos eram obrigatórios em Cuba e as pessoas soropositivas eram encarceradas em sanatórios descritos por Jonathan Mann como "belas prisões".
Como afirmado no Editorial do The Lancet, acesso universal ao cuidado com a saúde é uma grande conquista e uma fonte de orgulho para a população cubana. No entanto, o mesmo orgulho é erodido por um governo que pune criatividade da população cubana e limita o exercício das liberdades civis. Em 2003, durante o que foi chamado de Primavera Negra, dois economistas foram condenados à prisão enquanto documentavam que a saúde pública cubana e a educação já estavam entre as melhores da América Latina antes da Revolução. Em 1958, a taxa de mortalidade infantil era de 33 por mil nascidos vivos, muito mais baixa do que a taxa da Argentina (61), da Costa Rica (89) e do México (80).
O governo cubano manda doutores e enfermeiras para trabalhar na Venezuela e no Brasil por minguados salários enquanto retém a maior parte dos ganhos obtidos pelo trabalho médico.
O uso da saúde pública como um dos principais tópicos do restabelecimento dos elos diplomáticos entre EUA e Cuba é uma boa ideia, como o Editorial e a carta de Anthony Robbins ao Lancet sugere. Mas ainda há outra oportunidade maior: o efeito benéfico da democracia na saúde pública está bem documentado. Se o governo cubano está tão preocupado com a saúde de sua população, deveria considerar seriamente uma transição para a democracia como parte das condições necessárias para uma nova relação com os EUA, não apenas por causa da liberdade em si, mas também por causa da saúde da população cubana."
Octávio Gómez-Dantés
Instituto Nacional de Saúde Pública, Cuernavaca, Morelos, México.
sexta-feira, 20 de março de 2015
Bioética em Questão - Aula 1, Parte 2: O Juramento de Hipócrates e a Ética Médica
Segunda parte do primeiro encontro do módulo III do SEFAM. Discussão sobre o Juramento de Hipócrates no contexto da Ética Médica contemporânea.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Bioética em Questão - Introdução do Módulo III do SEFAM
Introdução à primeira aula do Módulo III do SEFAM: Bioética em Questão.
Link para o artigo citado: http://www.biomedicalandbiopharmaceuticalresearch.com/images/Article2_11n2.pdf
segunda-feira, 16 de março de 2015
Medicina e Filosofia - Fevereiro de 2015...
No Journal of Medicine and Philosophy de fevereiro de 2015, alguns artigos bem interessantes podem ser vistos.
O primeiro une alguns conceitos de Edmund Pellegrino e Bernard Lonergan em busca de uma autêntica filosofia da medicina.
O segundo foi escrito por Teodora Manea, e relata a experiência da Medicina vivida num regime socialista (Romênia) em meio à desconfiança gerada pelo regime e em meio ao clima de corrupção. Lições históricas importantíssimas que podem ser aproveitadas por nós antes que seja tarde demais. O artigo tem o tema "Medical Bribery and the Ethics of Trust!, e cai como uma luva nesses dias em que o governo brasileiro ataca frontalmente seus médicos e gera a desconfiança e o ódio em meio à população. Vale uma boa reflexão...
O terceiro toca no assunto do aborto e da relação médico-paciente.
Anne Barnhill e Franklin Miller falam sobre o engano e o uso do Placebo. Jonathan Pugh, no artigo subsequente, defende a moralidade do engano envolvido no uso do Placebo.
Por fim, Tessy Thomas e Laurence McCullough falam sobre uma proposta de taxonomia filosófica acerca do sofrimento moral eticamente significativo.
Boa leitura...
sábado, 7 de março de 2015
PARA COMPREENDER A SI MESMO E AO PRÓXIMO
Sugestão de Leitura: Todo médico precisa compreender o íntimo de seus pacientes, em maior ou menor proporção, de acordo com cada caso. Uma das ferramentas utilizadas no SEFAM é a leitura dos clássicos e de grande obras filosóficas.
Uma leitura capaz de proporcionar a compreensão dos movimentos da consciência humana é a obra de Louis Lavelle, filósofo francês cujo nome foi divulgado no Brasil pelo filósofo Olavo de Carvalho.
Para compreender o sofrimento humano e de que forma pode ser vivido, "O Mal e o Sofrimento" de Louis Lavelle é um excelente adendo a obras já consagradas como "A Morte de Ivan Illich". E estes dois ao lado de diversos outros clássicos enriquecem em muito a capacidade de compreensão do ser humano, adquirida com a vivência ao lado do leito e junto à comunidade.
quinta-feira, 5 de março de 2015
INTEGRIDADE E DIGNIDADE MÉDICA
A ação decisiva da Integridade ocorre justamente no conflito
de interesses envolvendo tentações diversas que acometem o médico em sua
prática moderna.
Diante de um sutil suborno de um laboratório farmacêutico,
cabe dizer não, cabe se afastar e repreender o ofertante malicioso. Aceitar tal
influência perniciosa insere um interesse que pode suplantar o interesse
primordial: o paciente.
Diante de uma oferta de superfaturar a compra de equipamentos
no serviço público ou de realizar procedimentos desnecessários, há de se ter
integridade suficiente para se afastar e manter o foco, o médico não pode se
perder.
As consequências individuais são funestas. A consciência se
apaga e, de uma fraqueza moral inicial, o médico terminará domado, entregue a
vontades que superarão sua vocação e deformarão seu caráter.
Na sociedade o resultado da destruição da Integridade Médica
talvez seja ainda pior, pois o mal cometido por um indivíduo refletirá no nome
de todo o grêmio profissional. Situação muito ilustrativa dos dias atuais no
Brasil, onde o governo e a mídia destroem a reputação dos médicos utilizando
exemplos decepcionantes de prática corrupta e maligna de alguns maus colegas.
Ao longo de mais de dois mil anos, há incontáveis textos que
mostram como os médicos se preocuparam em tentar separar o joio do trigo e,
junto com o benefício do paciente, beneficiar a profissão como um todo.
Tal é o papel dos atuais conselheiros dos órgãos de classe
como o Conselho Federal de Medicina: proteger o paciente e proteger a honra e a
integridade da profissão. Em nenhum momento se deveria esperar que o Conselho
protegesse o médico, a não ser de si mesmo e da má prática dos inadequados à
profissão. É duro falar isso, mas seria uma verdade óbvia para qualquer um que
ainda possuísse um pingo de visão moral.
Fala-se muito em resgate da dignidade médica hoje em dia.
Fizemos todos o nosso dever de casa? Exercitamos nossa integridade diariamente
e resistimos com fortitude aos pequenos e grandes atos diários de fraqueza
moral? Somos um exemplo digno para nossos filhos e colegas?
Ver órgãos de classe brigando principalmente por carreira
médica estatal e salários médicos, por mais que seja necessário dentro de
certos limites, me entristece. Pedir carreira médica para o Estado é pedir um
nó apertado na coleira, é vender nossos valores profissionais aos valores do
Estado na medida em que teremos que nos adequar às exigências de pessoas que
nem sempre priorizam a saúde do próximo. Uma liderança política nunca, nunca
mesmo, dá algo de graça.
Valorização se conquista, como conquistaram nossos
antepassados de outras eras a duras penas, com grandes sacrifícios e exemplos
imortalizados nos escritos de diversos povos e tempos[1].
Valorização é uma consequência decorrente de um objetivo alcançado, não o
próprio objetivo pelo qual se luta.
Se
alguém quiser uma dica sobre por onde começar, repito palavras proferidas por
alguém incrivelmente mais sábio do que eu: “por que vês tu o argueiro no olho
de teu irmão, porém não repara na trave que está no teu próprio?[2]”
Se não trabalharmos quem somos, a própria raiz que somos estará apodrecida, e
nossa profissão irá merecidamente parar na lama.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
CALL FOR PAPERS - Mirabilia Medicinae 4!
Dear Colleague,
It is truly an honor to reach you for our fourth issue on Medical Humanities,
which will be published in the Mirabilia Medicinæ 4 (2015/1). We
cordially invite you to submit your manuscript to this issue until June 30,
2015.
Mirabilia Medicinæ is a special supplement of Mirabilia
Journal (ISSN 1676-5818).
Mirabilia is a Journal from the Institut d’Estudis Medievals (Universitat
Autònoma de Barcelona) and it is indexed in many databases worldwide.
Mirabilia Medicinæ Journal is an online publication
that provides articles, documents and academic reviews produced by scholars of
the Medical Humanities. Such an area includes studies in Philosophy of
Medicine, Bioethics and Medical Ethics, History of Medicine, Medicine and Arts,
Narrative Medicine, Literature and other humanistic content in the search for
the Modern, Medieval and Ancient roots of contemporary medicine.
The main theme of the fourth issue is “Virtues
and Principles in Healthcare”. There will be also space for contributions outside
the main theme in the subsection Varia, and I hope you feel
comfortable in sending us your article.
Mirabilia Medicinae Volume 4:
http://www.revistamirabilia.com/medicinae/issues/mirabilia-medicinae-4-2015-1
Cordially,
Hélio Angotti Neto, MD, PhD
Director of Mirabilia Medicinæ
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Para Escrever Melhor...
Aos alunos do SEFAM e interessados em ingressar na vida acadêmica e em publicar algo, sinto-me obrigado a indicar algumas ferramentas básicas para o exercício da atividade, infelizmente negligenciadas em grande parte no Brasil: Ler e Escrever... Muito.
E antes de ler e escrever, não há como negligenciar outros dois aspectos básicos: escutar e falar!
Por fim, antes de qualquer coisa, é preciso compreender o que é a Vida Intelectual, e para isso indico uma obra que sem dúvida nenhuma será lida mais de uma vez no decorrer da vida: A Vida Intelectual de Antonin-Dalmace Sertillanges. O livro trabalha o essencial para o acadêmico: o caráter e os hábitos.
Para escutar e falar, recomendo um livro de Mortimer Jerome Adler: Como Falar, Como Ouvir. Acredite, hoje em dia desaprendemos as mais básicas normas do falar e ouvir, o que reduz em muito nossa capacidade de entendimento e até de relacionamento. É o que mais fazemos na vida em comunicação, e aquilo para o qual recebemos menos treinamento formal.
E para ler com qualidade, sejam artigos acadêmicos, ensaios, livros de filosofia ou romances, indico o clássico também escrito por Mortimer Adler: Como Ler Livros. Indispensável!
Depois dessas obras iniciais, vão algumas dicas para quem quer escrever. Leia muito e leia coisas boas na área em que deseja escrever. Deseja escrever na área de Bioética? Leia livros originais dos melhores autores do assunto, leia os clássicos milenares que tocam em assuntos similares e leia os artigos das melhores revistas internacionais sobre o tema. E aí mais uma necessidade: Leia em inglês, leia muito inglês! Para quem deseja realmente ingressar na vida intelectual, nacionalismo bocó não tem vez. É preciso ler muito bem o português e aceitar o desafio de ler em diversas outras línguas: francês, espanhol, inglês, etc.
Alguns cursos e escritos sobre como escrever também auxiliam muito. No Coursera, uma plataforma de cursos gratuitos internacionais de grandes universidades, pode ser encontrado um curso sobre como escrever artigos acadêmicos: https://www.coursera.org/course/sciwrite
E o ideal: encontre alguém que escreva bem e que escreva com rigor, tenha um bom dicionário (físico ou online) e uma boa gramática de consulta e coloque-se à disposição para ser corrigido. Tentar, errar e tentar de novo. Não há fórmula mágica, é preciso humildade, persistência e disciplina. Humildade para escutar quem sabe mais, persistência para não desistir e disciplina para progredir.
No pain, no gain, já diziam os anglófonos. Não há lugar para preguiçosos ou mediocridades. O esquecimento dessas simples e antigas verdades conseguiu deixar o Brasil entre os piores na educação e na academia a nível mundial.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
SUGESTÃO DE LEITURA - Thieves of Virtue: When Bioethics Stole Medicine
A Bioética surgiu lá pelos anos 70 quando ficou claro que a tradicional Ética Médica Ocidental derivada de Hipócrates, da Cristandade e de médicos mais modernos como William Osler, entre outros, não daria conta do recado. Isto é, a tradicional Ética Médica encontrava-se desarmada para lidar com situações postas pelo imenso avanço tecnológico e pelas mudanças culturais. Certo?
ERRADO!
Tom Koch expõe de maneira contundente a fragilidade do véu de silêncio imposto sobre a Ética Médica tradicional por aqueles que denigrem o legado hipocrático e tecem louvores à Bioética contemporânea. O "Mito de Fundação" da Bioética pressupõe como certos alguns elementos não comprovados.
Segundo Koch, as falhas éticas da história recente da medicina se deram justamente por falhas ao seguir a máxima hipocrática, isto é: beneficiar o paciente acima de tudo. Seu livro resgata a prioridade tradicional do médico como salvaguarda para a profissão. O médico não serve a Estados, o médico não serve a mercados, o médico não serve a ideologias... o médico serve ao paciente, em prol de seu bem, compreendido num contexto que pode apresentar variações culturais, mas que mantém um forte componente universalista, como já apontado pelo historiador da Ética Médica e da Bioética Albert Jonsen.
Tom Koch critica a elevação da autonomia ao patamar máximo da Bioética, e denuncia o que chama de "Bioética do bote salva-vidas". Tal Bioética é aquela na qual cabe ao médico seguir o apontamento de filósofos capazes de distribuir as benesses da sociedade de forma racional, ao invés de investir inutilmente na vida de pessoas pouco úteis à sociedade.
No livro, somos lembrados de que o compromisso do médico não é cortar gastos, economizar ou ser competitivo economicamente. O compromisso é fazer o bem. Somos lembrados também da realidade concreta das pessoas, repleta de fragilidades, limitações e deficiências que superam as abstrações lógicas. Um exemplo clássico de tais abstrações torna-se evidente ao observar artigos que negam o estatuto de pessoas a determinados seres humanos, negando também dignidade à vida humana como princípio.
O ataque ao paternalismo médico é criticado por Tom Koch, que enxerga no termo a encarnação de um grande espantalho, de um falso mito no qual médicos são opressores terríveis. Certo grau de assimetria é óbvio e necessário, pois o médico e o paciente existem justamente por serem diferentes e possuírem diferentes capacidades e papéis. A autonomia completa não passa enfim de uma figura de linguagem, longe de ser um conceito técnico válido e universal.
Tocar no nome de Hipócrates para fazer qualquer outra coisa que não seja criticar a Ética Médica Tradicional é algo complicado nos dias de hoje. Acusações de que tal ética seja moralmente insuportável estão nas bocas de muitos bioeticistas contemporâneos, legisladores do bem alheio e da vocação alheia. Estes são os ladrões da virtude, segundo Tom Koch.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
SEFAM em 2015: Planos e Projetos
O Seminário de Filosofia Aplicada à Medicina terá muitas novidades em 2015, e inicia os projetos para conclusão em 2016.
Os módulos III e IV continuam regularmente no UNESC.
No primeiro semestre teremos a segunda edição do "Bioética em Questão" (http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2015/02/curso-presencial-gratuito-bioetica-em.html), de caráter gratuito e vagas limitadas já preenchidas. Ao fim do módulo será aplicada uma prova de seleção para projetos de Iniciação Científica.
No segundo semestre teremos o módulo IV: Filosofia da Medicina. E iniciaremos os três trabalhos para apresentação no Encontro anual do Center foi Bioethics and Human Dignity (https://cbhd.org/) em 2016, na Trinity International University em Deerfield, Illinois, EUA. Os temas serão:
1 - Transhumanist Cosmovision: Philosophical, Cultural and Historical Analogies;
2 - Medical Humanities Teaching Based on the Aristotelian Four Discourses Theory;
3 - The Redemption of Hippocrates in Clinical Bioethics.
Também no segundo semestre ocorrerá o III Seminário UNESC de Humanidades Médicas, incluindo o I Curso de Formação Política para Profissionais da Saúde (http://medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2014/11/em-2015-formacao-politica-para.html).
Ficará para 2016, provavelmente, o livro "A Tradição da Medicina", se tudo der certo.
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