A Oficina de Formação Política está pronta!
E os temas serão muitos.
Alguns esclarecimentos se fazem necessários:
- Não é um curso de Ciência Política, mas sim de formação política com forte ênfase em estratégia, filosofia e história;
- O curso é primariamente devotado aos profissionais da área da saúde, mas pode ser aproveitado por qualquer um que esteja interessado no tema;
- Uma das finalidades é criar um grupo de pessoas honestas e dedicadas ao estudo sério e à pesquisa do tema.
Inscrições na Primeira Oficina podem ser feitas conforme orientação abaixo:
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Depoimento: Pâmela Nascimento Simoa da Silva
Depoimento - Primeira Turma do SEFAM (2012-2013)
Digo sem dúvidas que divido os meus conhecimentos em antes e depois do SEFAM. Aprendi com o professor Hélio Angotti Neto a pensar criticamente e a "sair da caverna" à procura da Verdade. Alta cultura, filosofia, discussão de artigos científicos, medicina baseada em evidências, história (a que não é contada pelos livros do MEC), literatura, humanidades médicas e atualidades. Uma mistura de tudo isso e muito mais levaram a mim e a meus amigos que também participaram a pensarmos grande.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Prof. Ms. Helvécio de Jesus Júnior: palestrante do Seminário de Humanidades Médicas
Relações Internacionais e Dignidade Humana
Graduado em Relações Internacionais pela Universidade
Vila Velha (2005), Mestre em Relações Internacionais - Instituto de Relações
Internacionais - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2006).
Doutorando em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Atua
na área de Relações Internacionais, principalmente nos seguintes temas:
Segurança Internacional, Geopolítica, Teorias de Guerra e Paz e Teoria das
Relações Internacionais.
Atualmente é professor dos cursos de Relações
Internacionais e Economia na Universidade Vila Velha, ES (UVV).
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Sugestão de Leitura: Células-Tronco, Promessas e Realidades
Células-Tronco, Promessas e Realidades
Quando o assunto é Células-Tronco (CT), e ainda por cima quando se fala do tipo embrionário, a polêmica sobre a dignidade da vida humana se acende. E junto com a polêmica, também se acendem fortes esperanças de cura, regeneração ou até mesmo de imortalidade, numa estranha mistura entre escatologia religiosa, materialismo e progressismo científico (confira uma breve palestra sobre as expectativas quase religiosas de certos ramos da bioética em: https://www.youtube.com/watch?v=T6h1jyqdaZI ).
Até mesmo as graves suspeitas ou falhas da conduta ética em pesquisa, como aquelas evidenciadas pelas gravações com funcionários da Planned Parenthood, podem ser menosprezadas quando o que está em questão é a esperança quase escatológica em um hipotético sucesso das pesquisas com CT (http://www.medicinaefilosofia.blogspot.com.br/2015/09/espantalhos-nazistas-e-coerenciaetica.html).
Recentemente li uma entrevista muito realista, sem ser pessimista, acerca das reais expectativas e conquistas do uso de CT adultas e embrionárias na revista Ser Médico, do CREMESP, cedida pela Professora Lygia da Veiga Pereira, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias do Instituto de Biociências da USP.
Da entrevista fui ao livro.
O livro, numa linguagem muito acessível ao leigo e ao médico ou pesquisador não especialista, trata das origens e modalidades da pesquisa com células-tronco. Também trata das (grandes) expectativas e dos (poucos) resultados concretos alcançados quando se fala de aplicabilidade à clínica.
No fim do livro, a autora toca num perturbador tema da atualidade: o comércio inadequado e cientificamente reprovável de terapias milagrosas com CT em clínicas suspeitas e os graves danos já causados a algumas pessoas vítimas de terapeutas inescrupulosos que se aproveitaram da imensa expectativa depositada nos ombros de cientistas e médicos (como descreve o artigo "Donor-Derived Brain Tumor Following Neural Stem Cell Transplantations in an Ataxia Telangiectasia Patient", disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2642879/ ).
Dra. Lygia não deixa de demonstrar sua empolgação em trabalhar na vanguarda da pesquisa médica, mas também consegue de forma muito sóbria demonstrar que o trabalho a ser feito ainda é grande, e que a velocidade das descobertas utilizáveis diretamente na terapia com seres humanos pode não corresponder às expectativas.
Lembra que:
"Apesar da urgência dos pacientes para que as terapias com Células-Troncos comecem logo a ser oferecidas, o desenvolvimento científico sério deve ser feito de forma absolutamente responsável, para não submetermos essas pessoas a riscos desnecessários."
É fato que a pesquisa séria é lenta, e que os seres humanos diferem muito entre si, sendo extremamente complexos e respondendo de formas muito particulares a determinados estados de saúde ou terapias.
É fato também que mesmo com a aprovação do uso de CT Embrionárias em pesquisas, ainda há polêmica entre diferentes setores da sociedade, como a própria autora lembra em seu livro. A autora repete a pergunta que muitos se fazem quando pesquisas são feitas com embriões: "Que formas de vida humana nós permitiremos violar?"
Explica que a vida já pode ser violada em algumas situações, porém comete uma imprecisão ao dizer que "nesses casos (feto resultado de estupro ou feto que representa risco à gestante) o aborto é legal". Na verdade o aborto não pode ser denominado "legal" em nenhum caso; o que há é a não punição dos abortos realizados em tais situações de grande sofrimento.
No geral, é um bom livro para aqueles interessados em conhecer um pouco mais acerca da pesquisa médica e das expectativas da emergente Terapia Celular.
Hélio Angotti Neto
Coordenador do SEFAM
www.medicinaefilosofia.blogspot.com.br
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Prof. Ms. Leonardo Serafini Penitente: Palestrante do Seminário de Humanidades Médicas
A Dignidade do Feto e da Criança na Cristandade
Mestre em Direito pela Universidade Federal de
Pernambuco (2006), especializado em Direito Público pelo Centro Universitário
do Espírito Santo, aperfeiçoamento em Direito Processual Civil pela
Universidade Cândido Mendes.
Atualmente é professor na Universidade de Vila
Velha (UVV).
Ocupou o cargo de coordenador adjunto do curso de Direito da
Universidade de Vila Velha.
Tem experiência na área de Direito, com ênfase em
Filosofia, Sociologia, Teoria do Estado e Ciências Políticas.
Ministra aulas,
desde 2003, de Filosofia Geral, Filosofia do Direito, Sociologia Geral,
Sociologia do Direito, Hermenêutica Jurídica e Direito Penal.
sábado, 26 de setembro de 2015
Prof. Dr. Ricardo da Costa. Palestrante do Seminário de Humanidades Médicas
A Morte em São Tomás de Aquino
Prof. Dr. Ricardo da Costa
Graduado em Bacharelado e Licenciatura em História (1993),
mestre e doutor em História Social pela UFF (1997 e 2000), com dois
Pós-Doutorados em História Medieval e Filosofia Medieval pela UIC (Universitat
Internacional de Catalunya, Barcelona, 2003 e 2005).
Professor Associado IV do
Departamento de Teoria da Arte e Música da UFES.
Professor Efetivo do Programa
de Doctorado Internacional Transferencias Interculturales e Históricas en la
Europa Medieval Mediterránea da Facultad de Filosofía y Letras da Universitat d
Alacant (UA-Espanha) e dos Programas de Pós-Graduação em Filosofia (PPGFil) e
Artes (PPGA) da UFES.
Acadèmic Corresponent da Reial Acadèmia de Bones Lletres
de Barcelona, Espanha (15-12-2005).
Membro de CAPIRE - Colectivo para el
análisis pluridisciplinar de la Iconografía religiosa europea da Universidad
Complutense de Madrid (UCM).
Líder do Grupo de Pesquisa do CNPq "Arte,
Filosofia e Literatura na Idade Média".
Membro de IVITRA (Institut Virtual
Internacional de Traducció), da Universitat d'Alacant (Espanha), do Grupo de
Trabalho "Filosofia na Idade Média" da ANPOF e do
"Principium" (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Filosofia Medieval,
UEPB).
Trabalhos disponíveis em seu site - www.ricardocosta.com.
Traduziu a
novela "Curial e Guelfa" (séc. XV) e "Lo Somni" (1399), de
Bernat Metge (1340-1413), sob encomenda para a Universitat d'Alicant (Espanha),
publicada pela Universidade de Santa Bárbara (California).
Apresentará uma visão histórica de como o medievo enxergava a morte e a dignidade da vida humana.
Palestra do Seminário de Humanidades Médicas: Profa. Dra. Patrícia Duarte Deps
A Dignidade Humana e os Erros Médicos e Científicos
Conferência de Abertura
Profa. Dra. Patrícia Duarte Deps
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Espírito
Santo (1993), Pós-graduação em Dermatologia pela UNIFESP (1996), Dermatologista
pela SBD desde 1996, Mestre em Doenças Infecciosas pela Universidade Federal do
Espírito Santo (1998), Doutora em Medicina (Dermatologia) pela Universidade
Federal de São Paulo (2003) e Pós-Doutora em Medicina Tropical na London
School of Hygiene & Tropical Medicine (2008).
Honorary Clinical Research
Fellow (2008) na clinica de dermatologia tropical do Hospital
for Tropical Diseases (UCLH-NHS) em Londres. Professora Associada
nível 02, do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito
Santo desde 2002.
Nomeada recentemente Honorary Visiting Researcher da
University of Bradford, Reino Unido, a partir de 1 de setembro de 2014. Leciona Psicologia Médica, Saúde Coletiva e Formação Médica, Ética Médica e História da
Medicina; é membro do corpo docente da Pós-Graduação em Doenças Infecciosas da UFES (nota 5 CAPES em 2010) onde orienta alunos a nível de mestrado e doutorado.
Atua tanto na área básica como clinico-epidemiológica. Membro do Corpo
Editorial da Mirabilia Medicinae desde 2013, revista especializada em
Humanidades Médicas. Foi membro efetivo do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde/UFES, ligado ao CONEP, e da Câmara Técnica de
Pesquisa da UFES.
Fundadora do Ambulatório de Pesquisa Clinica em Dermatologia
do HUCAM/UFES. Desenvolveu parcerias de pesquisa com profissionais da UNIFESP,
ILSL-Bauru, LSHTM (Londres) e Guy`s & St Thomas`s Hospital (London) e USL
(USA).
Membro da Cochrane Skin Group (Cochrane Library-UK) desde 2008.
Tem experiência em Medicina, com ênfase em Dermatologia, atuando principalmente nos
seguintes temas: hanseníase, DST/AIDS, dermatolgia tropical, saúde pública e
sistemas de saúde e uso de laser para onicomicoses.
Ganhou em 2006 o premio de
Pesquisadora do Ano pela Assembleia Legislativa do ES. Em 2007 ganhou o Premio
Latino-Americano La Roche-Posay de melhor projeto de pesquisa em dermatologia.
No III Seminário UNESC e I Seminário UFES de Humanidades Médicas, dias 19 e 20 de novembro, no Auditório do Elefante Branco no Campus Maruípe da UFES. Uma grande oportunidade para aprender e debater.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Espantalhos, Nazistas e Coerência Ética
Espantalhos, Nazistas e Coerência
Ética
Alguns seres humanos têm a capacidade de nos
surpreender ao tornarem realidades as mais estapafúrdias hipóteses.
Explico melhor...
O que era hipótese grotesca e chocante virava
realidade da noite para o dia.
Mas quando acho que posso tomar fôlego, eis que
um novo fato surpreende. Em um dos melhores periódicos médicos do mundo é
publicado um comentário no mínimo curioso, demonstrando certa indignação com a
indignação alheia, reclamando dos incoerentes defensores da dignidade da vida humana[1].
Mas fico surpreso porque o artigo inteiro nada mais é do que uma série de
proposições falaciosas ao redor de um grande espantalho[2]
inventado pela autora Alta Charo, importante bioeticista da Universidade de
Wisconsin, nos Estados Unidos.
A autora começa reclamando sobre as grandes “vias
de esperança” (avenues of hope) que
poderão ser destruídas pelo ativismo de grupos politiqueiros. Segundo ela:
“(…) essas vias de
esperança [para pacientes atuais e futuros por causa da pesquisa com tecido
fetal] são ameaçadas [por meio do corte de verbas federais para a Planned
Parenthood] por uma luta política pura – um aluta que, neste caso, não vai
afetar de forma alguma o número de fetos abortados ou trazidos a termo,
objetivo alegado pelos ativistas envolvidos.”
"(...)
those avenues of hope [for current and future patients because of fetal tissue
researching] are being threatened [by the Federal defunding of Planned
Parenthood] by a purely political fight – one that, in this case, will in no
way actually affect the number of fetuses that are aborted or brought to term,
the alleged goal of the activists involved.”
Há vários erros no raciocínio exposto.
Declarar que tudo não passa de uma briga política
é cometer um dos grandes crimes filosóficos dos quais se tem notícia:
reducionismo. Reduzir à politicagem uma questão que toca no valor da vida
humana e na dignidade da vida e nos limites de definição do que é digno,
correto ou errado fazer é, no mínimo, uma barbaridade. É ignorar, ou preferir
não reconhecer, que há sim elementos políticos na discussão, mas que esta
discussão é algo muito mais sério, amplo e profundo do que a política, é uma
questão que aborda diretamente a cosmovisão de toda uma nação, senão de uma
civilização. É uma questão essencial para a definição de quem são afinal os
norte-americanos.
Alta Charo também parece melindrada sobre
bagunçar esperanças alheias em grandes descobertas num futuro hipotético. Mas,
desde que Hans Jonas publicou sua obra chamando a atenção da comunidade mundial
de bioeticistas sobre o princípio da Responsabilidade e do Temor[3] -
sendo acusado por muitos incautos de conservador justamente por não advogar o
progresso científico acima do bem do indivíduo concreto e real de nosso tempo
-, analistas prudentes perceberam que nenhuma esperança em algo hipotético e,
portanto, opcional, no futuro, pode justificar uma falha ética no presente.
Logo, não há razões para melindres a respeito de expectativas futuras se houver
razões para melindres a respeito de falhas éticas graves no presente.
E verdade seja dita: o que mais se tem quando se
fala em Células Tronco Embrionários é esperança.
Dizer também que o número de abortos não
diminuirá por meio do ativismo político e social de defensores da vida de fetos
e bebês também não é uma proposição muito adequada. Há que se ter um pouco mais
de cautela, pois numa situação relativamente nova no conhecimento geral e pouco
pesquisada e analisada, não se sabe se a disponibilização de um mercado de
pedaços de bebês e fetos não geraria um grande aumento do número de abortos. Da
mesma forma, não se pode afirmar que a proibição da destinação de verbas
federais à Planned Parenthood não geraria uma redução no número de abortos.
Quem sabe? Eu não sei, e creio sinceramente que Alta Charo também não pode
afirmar saber.
A seguir ela diz que:
“Ao ver de perto a
pesquisa em tecido fetal, observa-se o dever de usar esse precioso tecido na
esperança de encontrar formas de prevenir ou tratar doenças devastadoras.
Virtualmente qualquer pessoa neste país se beneficiou da pesquisa com tecido
fetal. Todas as crianças que foram poupadas dos riscos e sofrimentos da
catapora, rubéola ou pólio podem agradecer aos ganhadores do Prêmio Nobel e
outros cientistas que usaram tal tecido para produzirem a vacina que nos
protege.”
“A
closer look at the ethics of fetal research, however, reveals a duty to use
this precious resource in the hope of finding new preventive and therapeutic
interventions for devastating diseases. Virtually every person in this country
has benefited from research using fetal tissue. Every child who’s been spared
the risks and misery of chickenpox, rubella, or polio can thank the Nobel Prize
recipients and other scientists who used such tissue in research yielding the
vaccines that protect us.”
Realmente o número de pessoas que se beneficiou
com o uso de tecido fetal é incontável em quase um século de vacinas. Mas do
fato que se pode utilizar tecido fetal para beneficiar o próximo não se
depreende que tal tecido tenha que ser colhido de ações eticamente questionáveis.
Por que não colher apenas tecido fetal decorrente de situações eticamente
inquestionáveis como aquelas em que ocorre aborto espontâneo ou traumático
acidental? Por que não investir em meios de pesquisa mais avançados para
proliferar o tecido obtido por meios menos controversos e fornecer material
suficiente para pesquisa sem incorrer em questões existenciais que podem
comprometer os valores de todo um povo?
Ou por que não investir em novos tecidos e novas
técnicas capazes de evitar problemas éticos?
Acomodar-se, cobrar coerência e continuidade em
relação a determinada linha de pesquisa e ridicularizar um dos lados da questão
não parece ser realmente o melhor caminho. E se eu quiser fazer o meu
espantalho também, parece algo bem reacionário dentro de um contexto
progressista, se é que vocês me entendem...
Há também a cobrança de uma coerência por parte
dos defensores enragé da vida:
“Críticos apontam para os abortos por trás da
pesquisa, afirmam que são antiéticos, e argumentam que a sociedade não pode
endossá-los ou até mesmo beneficiar-se deles, sob o risco de encorajar mais
abortos ou tornar a sociedade cúmplice com o que eles veem como um ato imoral.
No entanto, eles têm se utilizado sobremaneira das vacinas e tratamentos
derivados da pesquisa com tecido fetal, e não dão indicação de que irão abrir
mão de benefícios obtidos. Justiça e reciprocidade sugerem que eles têm o dever
de apoiar o trabalho, ou ao menos, não o atrapalhar. ”.
“Critics
point to the underlying abortions, assert that they are evil, and argue that
society ought not implicitly endorse them or even indirectly benefit from them,
lest it encourage more abortion or make society complicit with what they view as
an immoral act. Yet they have overwhelmingly partaken of the vaccines and
treatments derived from fetal tissue research and give no indication that they
will forswear further benefits. Fairness and reciprocity alone would suggest
they have a duty to support the work, or at least not to thwart it.”
Alta Charo cobra um determinado tipo de coerência
no mínimo questionável. Exemplifico com uma analogia.
Suponhamos que a medicina nazista, utilizando
judeus, prisioneiros de guerra ou crianças com retardo mental, tenha produzido
um avançado medicamento no passado que salvou muitas vidas arianas e não
arianas até os dias de hoje. Utilizar tal medicação e reconhecer seu benefício
não quer dizer que, automaticamente, há que se assumir um compromisso em seguir
fazendo pesquisa e medicina nos moldes nazistas, ou utilizando judeus, crianças
deficientes ou prisioneiros.
É muito mais coerente cobrar que, ao ser
descoberta uma ameaça à ética, tal ameaça seja imediatamente avaliada e que
chances de perpetuar um erro sejam suspensas até que se saiba melhor qual
caminho tomar. Parar com a “venda” de fetos ou suspender temporariamente o
aporte de novos espécimes para pesquisa não implicará imediatamente no fim das
pesquisas com os tecidos fetais já colhidos, ou até mesmo na coleta de novos
tecidos à medida em que novos abortos espontâneos ou sob condições mais seguras
do ponto de vista ético continuem acontecendo.
A autora prossegue menosprezando a perspectiva
alheia e declara que:
“(...) parece óbvio que as necessidades de pacientes
de hoje e do futuro superam o que só podem ser gestos simbólicos ou políticos
de preocupação. ”
“(...)
it seems clear that the needs of current and future patients outweigh what can
only be symbolic or political gestures of concern.”
Só parece óbvio, mas não é. Nesse esquema lógico,
uma premissa não bate. Há uma falta de empatia mortal ao debate intelectual. O
pressuposto de que se está ao lado da verdade e do bem, e que o próximo é um
hipócrita interesseiro ou um simplório incapaz de sentimentos genuínos e
profundos não parece contribuir para o ambiente respeitável de diálogo e
compreensão que a Bioética exige.
Dra. Charo também observa uma ironia, que
descreve como o fato de que:
“reduzir o acesso à contracepção [ao deixar de
custear com verbas do governo a Planned Parenthood, que também atua na
distribuição de anticoncepcionais] é o caminho mais certo para aumentar o
número de abortos.”
“reducing
access to contraception is the surest way to increase the number of abortions.”
Mas antes de ser uma ironia há uma possibilidade
em jogo. Pode muito bem ser possível que outras organizações sem entraves
éticos como a Planned Parenthood tomem para si o papel de orientar acerca da
contracepção. Pode ser que novos serviços surjam. Pode ser que o número de
abortos até diminua, afinal de contas, quem faz o aborto e o defende pode, de
uma hora para outra, não estar lá. Não é possível afirmar que tirar verbas do
contribuinte norte americano da megaempresa abortista aumentará de fato o
número de abortos. Isso seria brincar de prever o futuro sem muita
fundamentação em exemplos históricos.
Por fim, o artigo encerra com um tom fortemente
retórico e emocional, tentando exibir a feiura moral daqueles que discordam:
“Esse ataque representa uma traição Às pessoas
cuja vida poderia ser salva pela pesquisa, e uma violação do dever mais
fundamental da medicina e da política de saúde, o dever de cuidar.”
“This
attack represents a betrayal of the people whose lives could be saved by the
research and a violation of that most fundamental duty of medicine and health
policy, the duty of care.”
Se o ataque é uma traição a pessoas do futuro,
porque a venda de órgãos de fetos e bebês não seria uma traição aos seres
humanos do presente? Se o dever fundamental da medicina e das políticas de
saúde é cuidar do próximo, onde está o cuidado com as vidas interrompidas, ou
com a sua dignidade?
A preocupação da doutora Charo é plenamente
compreensível e respeitável dentro de uma perspectiva progressista e cientificista.
O mínimo que se espera de alguém de sua importância como figura pública,
bioeticista e educadora, é um esforço genuíno para compreender que a postura
daqueles que ela chama de traidores e politiqueiros também é respeitável dentro
de suas próprias perspectivas.
Criar espantalhos ou menosprezar problemas éticos
nessa altura do campeonato não ajudará em nada ao debate bioético de qualidade.
Hélio Angotti Neto
Dean of UNESC Medical School
Seminar of Philosophy Applied on Medicine
www.medicinaefilosofia.blogspot.com.br
[1]
CHARO, Alta. Fetal Tissue Fallout. New England Journal of Medicine, 373(10), September 3, 2015, p.
890-891.
[2]
Evocar um espantalho numa discussão, debate ou argumentação é criar uma versão
estereotipada de seu “adversário” e passar a atacar a própria criação ao invés
de abordar a pessoa real com quem se relaciona.
[3]
JONAS, Hans. Princípio Responsabilidade
– Ensaio de uma ética para a civilização tecnológica. Rio de Janeiro, RJ: Editora
Contraponto, 2006.
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sábado, 19 de setembro de 2015
A RECEITA DO SEFAM
A RECEITA DO SEFAM
Lendo o livro "O Que É Conservadorismo", de Roger Scruton, com tradução de Guilherme Ferreira Araújo e prefácio do Bruno Garschagen, vejo duas características básicas do SEFAM descritas de forma bem explícita.
A primeira característica é a motivação para qualquer um que busca o SEFAM:
"Da mesma forma, as pessoas vão obter educação somente se elas a desejarem por seu próprio fim, mas conseguirão bem mais do que isso. Elas vão adquirir a habilidade de se comunicar, de persuadir, de atrair e de dominar. Em qualquer arranjo social, tais capacidades serão vantagens, mas a educação nunca pode ser buscada somente como meios para elas, mesmo se são sua consequência natural."
E a segunda é a percepção de que o SEFAM é sim um empreendimento elitista no sentido intelectual e moral, ou pelo menos almeja ser com sinceridade. E oferece uma oportunidade singular e bem desigual para os que buscam as Humanidades Médicas, pois, como diria Roger Scruton, de forma irônica:
"A menos que tomemos as crianças de suas mães e cuidemos delas em granjas, a 'desigualdade de oportunidade' não poderia ser erradicada. E mesmo assim sua total total erradicação dependeria da remoção de uma parte do conhecimento natural da criança, digamos, sujeitando seu crânio a uma série de golpes repetitivos de martelo ou removendo porções de seu cérebro."
Sem dúvida nenhuma o objetivo do SEFAM é que os participantes sejam o mais diferente possível do meio que os circunda, e ainda mais diferentes entre si, partindo de um legado cultural comum que possibilitará alçar maiores vôos independentes. É uma oportunidade extremamente desigual, felizmente, e jamais poderia ser imposta.
Hélio Angotti Neto
Coordenador do SEFAM
Professor de Medicina e Coordenador do Curso de Medicina do UNESC
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
A Dimensão Espiritual na Psicologia
A Dimensão Espiritual na Psicologia
"Foi (Viktor) Frankl quem reintroduziu a dimensão espiritual do homem na psicologia, ocasionando uma revisão fundamental da concepção do homem. O espírito não busca o prazer; busca o sentido. O espírito não busca a satisfação de suas necessidades; procura no mundo tarefas e objetivos que tenham sentido. E justamente neste ponto surge o mundo exterior com suas inúmeras possibilidades de sentido e seus valores subjetivos, que precisam ser concretizados. Unicamente uma imagem do homem, que inclua a dimensão espiritual, pode transcender o mundo interior do eu, regulado homeostaticamente, e reconhecer o homem como um ser que, além de seu equilíbrio interno de necessidades, tem a motivação singular e suprema de encontrar e realizar um sentido no mundo externo; este sentido pode significar-lhe tanto que, se necessário, consagraria até sua vida a ele. Pascal, o grande filósofo, já disse: 'O homem transcende infinitamente a si mesmo'."
Assistência Logoterapêutica
Elisabeth Lukas
terça-feira, 15 de setembro de 2015
III Seminário de Humanidades Médicas do UNESC e I Seminário de Humanidades Médicas do HUCAM
Marcadores:
Bioética,
Cultura,
Educação Médica,
Estratégia,
Ética Médica,
Filosofia,
Política,
Política Internacional,
Saúde e Sociedade,
Seminário de Humanidades Médicas,
Virtudes da Medicina
Filosofia Política em Saúde no Congresso Brasileiro de Educação Médica, 2015
Filosofia Política em Saúde no Congresso Brasileiro de Educação Médica, 2015
O Grupo de Estudo ocorrerá no dia 09 de novembro na sala 06, das 16:15 às 18:15, no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro.
PROGRAMAÇÃO
Tipologia do poder em geral e do poder do profissional da saúde.
Evolução histórica do poder no Ocidente conforme Bertrand de Jouvenel.
Política e Filosofia Clássica: Platão e Aristóteles. Política Medieval: Agostinho, João da Salisbúria e Tomás de Aquino.
Política de guerra em Sun Tzu
Política moderna maquiavélica.
Política revolucionária.
Política Conservadora e Liberal.
A Mentira, o Segredo e o Ódio como instrumentos políticos.
A erística de Schopenhauer.
A manipulação psicológica na influência social.
Redes em conflitos na guerra cultural.
Consequencialismo em 3 escalas conforme Allenby e Sarewitz.
Temor, humildade e responsabilidade em Hans Jonas.
Valores em Guerra.
O Exercício do Poder Cultural.
O Exercício do Poder Econômico.
O Exercício do Poder Político.
Medicina em Sociedade.
Metodologia
Exposição Dialogada e Sugestões Bibliográficas
Para os que desejarem uma oficina mais aprofundada, os mesmos temas serão discutidos de forma mais aprofundada na Oficina de Formação Política para Profissionais da Saúde, no doa 19 de novembro (quinta-feira) no III Seminário de Humanidades Médicas do UNESC e I Seminário de Humanidades Médicas da UFEs, em Vitória, ES.
Mais informações em breve!
Preletor: Prof. Dr. Hélio Angotti Neto
Coordenador do Curso de Medicina
do UNESC (Centro Universitário do Espírito Santo); Coordenador do SEFAM; Membro
do Comitê de Ética em Pesquisa do UNESC; Diretor Editorial da Mirabilia
Medicinae; Editor Associado da Revista Internacional de Humanidades Médicas.
Membro da Sociedade Brasileira de Bioética, do Conselho Brasileiro de
Oftalmologia, do Conselho Regional de Medicina do ES, do Center for Bioethics
and Human Dignity, da Associação Brasileira de Educação Médica e da Academia
Brasileira de Oftalmologia.
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Cultura,
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Estratégia,
Ética Médica,
Filosofia,
Guerra Cultural,
Manipulação Psicológica,
Medicina,
Política,
Política Internacional,
Saúde e Sociedade,
Socialismo,
totalitarismo
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
SEFAM IV - Aula 05: Educação Médica e Metafísica Médica
Quinta aula do SEFAM, Módulo IV.
Educação Médica e o relatório de Abraham Flexner. Metafísica da Medicina. Importância da Formação Política.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Grupo de Pesquisa do CNPq “Arte, Filosofia e Literatura na Idade Média”
Apresentação do Professor Ricardo da Costa, sobre o grupo de pesquisa "Arte, Filosofia e Literatura na Idade Média".
Call For Papers - Mirabilia Medicinæ 5 (Institut d'Estudis Medievals (UAB/Spain)
Dear Colleague,
It is truly an honor to reach you for our fifth issue on Medical Humanities,
which will be published in the Mirabilia Medicinæ 5 (2015/2). We
cordially invite you to submit your manuscript to this issue until November 30,
2015.
Mirabilia Medicinæ is a special supplement of Mirabilia
Journal (ISSN 1676-5818).
Mirabilia is a Journal from the Institut d’Estudis Medievals (Universitat
Autònoma de Barcelona) indexed in many databases worldwide.
Mirabilia Medicinæ Journal is an online publication
that provides articles, documents and academic reviews produced by scholars of
the Medical Humanities. Such an area includes studies in Philosophy of
Medicine, Bioethics and Medical Ethics, History of Medicine, Medicine and Arts,
Narrative Medicine, Literature and other humanistic content in the search for
the Modern, Medieval and Ancient roots of contemporary medicine.
LAST ISSUE: Mirabilia Medicinae
Volume 4:
Cordially,
Helio Angotti-Neto, MD, PhD
Corrigindo uma injustiça: Abraham Flexner, o grande educador.
Na Educação Médica, a plenos pulmões, o educador Abraham Flexner é acusado de conteudismo pedagógico, biologismo anti-humanista, tecnologização da prática, medicina curativa individualista e de ser submisso às corporações médicas.
Mesmo eu já repeti críticas ao "modelo biomédico flexneriano" sem pensar direito no que fazia e com que bases eu anunciara tais acusações. Dou uma dica: ouvi dizer que...
Porém, fiz o que todos devemos fazer quando em nossas vidas começamos a levar as coisas a sério: fui às fontes originais.
Lendo o Relatório Flexner e o excelente artigo de Naomar de Almeida Filho (Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 26(12): 2234-2249, dez, 2010) intitulado "Reconhecer Flexner: inquérito sobre produção de mitos na educação médica no Brasil contemporâneo", constatei a enorme injustiça feita ao pedagogo norte-americano.
Num ambiente de escolas médicas em enorme quantidade (eram 457 antes e 31 depois do relatório), isoladas dos demais cursos e sem critério algum de funcionamento, Flexner falou de integração entre cursos, medicina preventiva, modelos de ensino precursores da Aprendizagem Baseada em Problemas, autodidatismo, aprendizagem contínua (lifelong learning) e estudo das humanidades antes e durante o curso de Medicina com o intuito de obter "experiência cultural variada e ampla". Além disso, enfatizou realmente a qualidade científica dos currículos, muitas vezes carregados de retórica barata e empirismo inadequado.
E constatei, por fim, que fiz injustiça a um grande educador não médico que muito ofereceu à Medicina do mundo inteiro. Flexner foi um visionário, de fato.
Pena que no Brasil falamos tão bem de maus professores, como o Paulo Freire, e difamamos tanto os excelentes, isso quando simplesmente não os esquecemos, como é o caso de Reuven Feuerstein.
sábado, 29 de agosto de 2015
Sugestão de Leitura: A Imagem Descartada, de C. S. Lewis.
Minha linha de pesquisa levou-me a pesquisar a Ética Médica ao longo dos milênios. Parte desse esforço inclui a necessidade de compreender como os antigos, os medievos e os modernos enxergaram o mundo. O que foi descartado, o que foi absorvido, o que foi destruído e o que foi criado de novo ou recriado.
No caminho para entender melhor a mente daqueles que fundaram nossa civilização, deparei-me com uma obra preciosa, recentemente traduzida e lançada pela É Realizações: A Imagem Descartada: Para Compreender a Visão Medieval do Mundo, escrita pelo fantástico C. S. Lewis, conhecido principalmente pelo seus livros infantis, secundariamente pela sua obra apologética e, por alguns poucos, pela sua obra de Alta Cultura e resgate das bases culturais de nossa civilização.
Lá estão Boécio, PseuDionísio e Apuleio. Lá estão as descrições do Céu, os Seres Longevos, a Terra e seus habitantes. Lá está o "Modelo", como Lewis chamava.
As referências e alusões da obra são muito ricas e distantes para o leitor brasileiro, e aqueles que ousarem confrontar o lado mais complexo - e por que não dizer rico - da obra do criador das Crônicas de Nárnia, encontrarão um maravilhoso convite para entrar no mundo dos clássicos e na mente dos antigos.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
SEFAM Módulo IV - Aula 04: O que é "Humanidades Médicas" e o Ensino das Virtudes
Nesta aula do SEFAM foram discutidos vários temas, incluindo Tanatologia, Universais, Metafísica, Estética, Epistemologia e Teologia. De todo o conteúdo apresentamos o segmento que tratou da definição de Humanidades Médicas e de como utilizar tal área de estudo na formação do médico.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Hang Out - Academia Médica Debate: Greve Nacional dos Médicos Residentes
Hang Out que aconteceu no dia 26 de agosto de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Pérolas da Medicina: Lisa Rosenbaum
"Os médicos que eu mais admiro não são caracterizados pelo quanto sabem, mas sim, por uma sofisticada intuição sobre como compartilhar melhor o que sabem. Algumas vezes eles dizem ao paciente o que fazer; algumas vezes eles oferecem uma escolha. Algumas vezes, quando discutem o tratamento, podem cobrir todos os sete princípios do consentimento informado. Outras vezes, vendo o terror e a incerteza no rosto de seus pacientes, poderão oferecer recomendações e dizer: 'Eu não sei como tudo irá acabar, mas eu prometo que estarei aqui com você todo o caminho'. "
Dra. Lisa Rosenbaum, Cardiologista
Correspondente Nacional do New England Journal of Medicine
"The Paternalism Preference - Choosing Unshared Decision Making"
Perspective, August 13, 2015. The New England Journal of Medicine
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Não é hora de "mea culpa", mas sim, de agir!
Frente aos perversos, demonstrar fraqueza é pedir o desprezo e a agressão. Lembrem-se das sábias palavras que nos aconselham a sermos símplices como as pombas, porém prudentes como as serpentes.
Sobre a culpa da má fama da medicina ser dos médicos e do governo ao mesmo tempo, tenho algo que gostaria de compartilhar...
Observem as seguintes críticas:
- Os médicos transformaram a arte de curar na arte de ganhar dinheiro.
- Vemos que os médicos (...) andam bem vestidos (...) e juntam riquezas (...) graças aos grandes enganos que causam a seus doentes, os quais enganam de todas as maneiras, pois se gabam de conhecer a doença que não conhecem. Além disso, eles prolongam (...) as doenças nos doentes, para que tenham mais ganhos. E eles dão aos doentes (...) [medicações] para que tenham parte do lucro do que fazem os especialistas nas coisas que vendem aos doentes.
A primeira foi feita no século XIII por Tomás de Aquino, a segunda foi feita por Ramón Llull (1), um filósofo catalão contemporâneo a Tomás de Aquino que escrevia sobre Medicina.
Sempre existiu a crítica contra maus médicos, e mesmo naqueles tempos o bom médico era querido e gozava de boa fama.
Hoje existem bons e maus médicos como sempre existiram. Porém, os bons amargam uma realidade cada vez pior e um ódio gratuito vindo de muitos elementos da população. Qual a diferença?
O governo nos difama. É simples assim.
Mea culpa por causa de médicos picaretas é algo comum na história da medicina no ocidente.
Hipócrates já falava mal dos médicos de "mentirinha", meros figurantes perto dos verdadeiros atores da medicina. Mas à época não tinham uma elite revolucionária caluniadora e maquiavélica para combater.
Paremos com o discurso politicamente correto assumindo culpas por todos os lados. Os bons médicos estão sofrendo. A esquerda revolucionária é perita em utilizar o discurso de culpa alheio para promover a destruição do próximo e se reerguer cobrindo as próprias falhas, como já foi mais do que bem descrito pelo fenômeno do Bode Expiatório (René Girard) e pelo uso sistemático do ódio (Gabriel Liiceanu).
É hora de trabalhar fazendo boas coisas ao lado dos pacientes, e ganhar seus corações com as boas virtudes e as boas obras que sempre caracterizaram a medicina como profissão.
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1 - ANGOTTI NETO, Hélio; COSTA, Ricardo da. A Lepra Medieval e a Medicina Metafórica de Ramon Llull (1232-1316). Disponível em: <http://www.ricardocosta.com/artigo/lepra-medieval>. Acesso em: 24 ago. 2015.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
MEDICINA E ESPIRITUALIDADE: DUAS PALESTRAS NA BAYLOR UNIVERSITY
Começa a preparação para a apresentação de duas palestras na Universidade Baylor, no Texas, em fevereiro.
Lembro de pensar comigo como eu gostaria de poder trocar alguns pensamentos e aprender mais com o autor do livro que lera. E quem diria que anos depois receberia um honroso convite para encontrar pessoalmente um daqueles que inspirou o livro A Morte da Medicina!
Recebi o gentil convite do grande professor James A. Marcum, autor de um livro de Introdução à Filosofia da Medicina (An Introductory Philosophy of Medicine: Humanizing Modern Medicine) que li há alguns anos.
Lembro de pensar comigo como eu gostaria de poder trocar alguns pensamentos e aprender mais com o autor do livro que lera. E quem diria que anos depois receberia um honroso convite para encontrar pessoalmente um daqueles que inspirou o livro A Morte da Medicina!
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
Apresentação no I Seminário UFES de Paleopatologia: A Lepra na Idade Média
Hoje o trabalho "A Lepra Medieval e a Medicina Metafórica de Ramon Llull (1232-1316)" foi apresentado no I Seminário UFES de Paleopatologia, ao lado do grande professor medievalista Ricardo da Costa.
Confira o trabalho na página do professor Ricardo da Costa!
http://www.ricardocosta.com/artigo/lepra-medieval-e-medicina-metaforica-de-ramon-llull-1232-1316
domingo, 16 de agosto de 2015
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
SEFAM IV - Aula 04: A Medicina e a Morte
SEFAM Módulo IV: A Medicina e a Morte: Aspectos Culturais, Filosóficos, Sociais e Bioéticos.
Na terceira aula do SEFAM, o grupo mostrou interesse no estudo da Tanatologia. Conforme pactuado entre os participantes, os temas são parcialmente direcionados de acordo com a curiosidade e o contexto das discussões, e o papel do médico frente à morte será o assunto abordado semana que vem, dia 26 de agosto de 2015, das 18:30 às 21:30 na sala de vídeo da Biblioteca do CAMPUS I do UNESC.O encontro do dia 19 foi adiado, pois estarei no I Seminário UFES de Paleopatologia apresentando em conjunto com o grande professor Ricardo da Costa a respeito da Lepra na Idade Média.
Roteiro de Estudo
- Retratos da morte no século XXI.
- Etapas psicológicas da morte
- A condução médica da morte
- Ars moriendi
- Visões sobre o morrer
- Visão médica sobre a morte
- A medicina como a mensageira da morte
- Choque de princípios na condução da morte
- O suicídio e a Medicina
- A eutanásia e a Medicina
- O preparo para a morte
- Sofrimento e morte
- Protocolo Groningen
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